OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Parte 7 – Máquina e grande indústria

PARTE 7 MÁQUINA E GRANDE INDÚSTRIA 

Em seu livro, Princípios de Economia Política, John Stuart Mill escreveu: “Resta ainda saber se as invenções mecânicas realizadas até agora aliviaram o trabalho diário de algum ser humano”. Besteiras desse Mill. Em primeiro lugar, essa não é intenção do capital, quando emprega uma máquina. Como qualquer desenvolvimento das forças produtivas do trabalho, a máquina, na produção capitalista, tem por fim baratear as mercadorias, encurtar a parte do sai de trabalho na qual o operário trabalha para si mesmo e,com isso,prolongar a outra jornada de trabalho que ele dá gratuitamente para o capitalista. A máquina é um método de fabricar a mais-valia relativa. 

Em segundo lugar, ainda em relação à frase de Mill, ele deveria ter dito: “de algum ser humano… que não viva do trabalho alheio”. As máquinas aumentaram, com certeza, o número dos ricos ociosos. Mas, quem é que pensa alguma vez no trabalhador? Se o capitalista se preocupa com ele, é somente para estudar uma forma de sugá-lo melhor. O operário vende sua força de trabalho e o capitalista a compra, como única mercadoria que, criando mais-valia, faz nascer e crescer o capital. O capitalista por outro lado, só se ocupa em fabricar sempre mais e mais mais-valia. Depois de ter exaurido a mais-valia absoluta, encontrou a mais-valia relativa. Agora ele sabe: com as máquinas, ele pode obter, ao mesmo tempo, um produto duas, quatro, dez, muitíssima vezes maior do que antes. E o que é que esse moço religioso, honesto e, ainda por cima, amigo da tecnologia avançada pode fazer? Impor as máquinas para seus trabalhadores! A cooperação, a manufatura, se transforma assim na grande indústria moderna e a sua oficina na fábrica, propriamente dita. 

Depois de ter mutilado e estropiado o trabalhador com a divisão do trabalho; depois de tê-lo limitado a uma única e maçante operação, o capitalista vai agora nos oferecer um espetáculo mais triste ainda. Ele arrancou das mãos do trabalhador as ferramentas que lhe restavam, liquidando, assim, as únicas recordações de seu antigo ofício, de seu antigo estado de homem completo, e o amarra à máquina. Agora, o operário virou escravo da máquina, exatamente como o capitalista, precisa dele. Com a introdução da máquina, o capitalista tem imediatamente um enorme lucro; recordando o que dissemos da mais-valia relativa, a gente compreende logo o por quê. Mas com a generalização do sistema de produção mecânica aquele lucro extra, acaba, restando apenas o aumento da produção, que, como resultado geral dessa generalização, diminui o valor das mercadorias necessárias ao trabalhador, o tempo de trabalho necessário e também os salários. O que aumenta é o sobre-trabalho e, com ele, a mais-valia. 

O capital se compõe de uma parte constante e de uma parte variável. Chamamos de capital constante aquela parte que é representada pelos meios de trabalho e pelo material de trabalho (matéria prima). O prédio da fábrica, suas instalações, os instrumentos de trabalho, mesmo os uniformes, com capacetes de segurança e tudo; o material auxiliar como a graxa, o carvão, o óleo, a energia elétrica, etc.; a matéria de trabalho, como o ferro, o algodão, a seda, a prata, a madeira, o plástico, etc., são coisas que fazem parte do capital constante. O capital variável é aquela parte representada no salário, isto é, no preço da força de trabalho. O primeiro é chamado de constante porque seu valor, que entra no preço da mercadoria, não se altera, permanecendo constante. O segundo é chamado de variável porque o seu valor aumenta, e esse aumento entra também no valor da mercadoria. É só o capital variável que cria a mais-valia. E a máquina, como não pode deixar de ser, faz parte do capital constante. 

Do mesmo modo que o capitalista lucrou de uma massa de forças naturais, ele se propõe, na indústria moderna, a lucrar de uma massa enorme de trabalho morte e de graça. Mas, para alcançar seu objetivo, necessita ter todo um mecanismo, que se comporá de matéria mais ou menos custosa e que sempre absorverá certa quantidade de trabalho. Certamente, o capitalista não comprará a força do vapor, nem a propriedade motriz da água e do ar, claro também não comprará as descobertas e suas aplicações mecânicas e o aperfeiçoamento dos instrumentos de um oficio. Isso ele pode usar quando quiser, sempre que quiser, sem a menor despesa. Agora, o que o capitalista precisa é encontrar um mecanismo capaz de aproveitar tudo isso. A máquina entra então como meio de trabalho, como parte do capital constante, ela passa a entra no valor da mercadoria em uma proporção que está em razão direta com o seu próprio desgaste e do consumo de suas matérias auxiliares, como carvão, graça, etc., e em razão inversa ao valor da mercadoria. Isto quer dizer que, na produção de uma mercadoria, quanto mais se faz o uso da máquina e de suas matarias auxiliares, maior é a parte de seu valor que passa à mercadoria: enquanto que, ao contrário, quanto maior o valor da mercadoria para a qual a máquina trabalha, menor é a parte de valor que advém do consumo da máquina. Vocês já imaginaram o valor que o desgaste e o consumo de carvão, ou energia elétrica e etc., de um mastodonte como um martelo-pilão passaria para a matéria-prima se ele fosse empregado para bater preguinhos?  Pois bem: uma máquina distribui um valor muito reduzido pela enorme quantidade de ferro martelado que ela produz diariamente. 

Quando, em razão da generalização do sistema na grande indústria, a máquina deixa de ser fonte direta de lucro extra para o capitalista, ele encontra outros meios pelos quais pode continuar a bombear do operário uma enorme quantidade de mais-valia relativa, através do emprego da máquina. Mulheres! Crianças! Ao trabalho! São essas as primeiras palavras de ordem do capital quando começa a empregar máquinas. Este meio poderoso de diminuir o trabalho do homem torna-se logo um meio de aumentar o número de assalariados. A máquina, sob o regime capitalista, submete todos os membros de uma família, sem distinção de sexo, idade, ao chicote do capital. O trabalho comandado pelo capital rouba o lugar dos jogos infantis e do trabalho livre no lar, e, justamente, esse trabalho doméstico era o sustentáculo econômico da moral da família.  

Anteriormente, o valor da força de trabalho era determinado pelas despesas necessárias à manutenção do operário e de sua família. Jogando a família no mercado, distribuindo assim, entre diversas forças de trabalho, o valor de uma só, a máquina deprecia essa força de trabalho. Pode ser que as quatro forças, por exemplo, que uma família operaria vende, lhe dêem mais do que dava antes, a força única do chefe da família, mas, ao mesmo tempo, quatro jornadas de trabalho entraram no lugar de uma só; portanto seu preço é rebaixado em proporção ao excesso de sobre-trabalho de quatro sobre o trabalho de apenas uma. Resumindo, o capitalista tinha antes à disposição apenas uma jornada de trabalho, agora tem quatro. Quatro pessoas devem agora fornecer não apenas trabalho, mais ainda sobre-trabalho ai capital, para que uma só família possa viver. É assim, pois, que a máquina, aumentando a matéria prima humana explorável, mulheres e crianças, aumenta, ao mesmo tempo, o grau de exploração. 

O emprego capitalista da máquina revolucionou em suas bases o contrato, no qual a primeira condição era que o capitalista e o operário devessem se apresentar face a face como pessoas livres, mercadores os dois, um possuidor de dinheiro e meios de produção, o outro possuidor da força de trabalho. Mas agora, sob o ponto de vista jurídico, o capitalista compra seres dependentes ou parcialmente dependentes. O operário que antes vendia sua própria força de trabalho, da qual podia dispor livremente, vende agora mulher e filhos. Virou traficante de escravos. Se a máquina é o meio mais poderoso de aumentar a produtividade do trabalho, isto é, de diminuir o tempo necessário para a produção de mercadoria como sustentáculo do capital, ela é o meio mais poderoso de prolongar a jornada de trabalho, além de todos os limites naturais. O meio de trabalho, agora transformado em máquina, não está mais subordinado ao trabalhador, tornou-se independente. Uma só paixão toma conta do capitalista: reduzir ao mínimo a resistência que lhe opõem essa barreira natural, flexível, que é o homem.  

Nesta obra de escravização ajudando aparentemente a leveza do trabalho junto às máquinas e também o emprego de elementos mais submissos e maleáveis, como as crianças e as mulheres. O desgaste material de uma máquina se apresenta sob um duplo aspecto. Uma em razão de seu uso, como por exemplo, uma nota de R$ 10,00 passando de mão em mão, outro, por inação, por permanecer sem funcionar, como uma espada inativa que se enferruja na bainha. Neste último caso, as ações dos elementos naturais a desgastam. No primeiro caso, quanto maior for o uso da máquina, mais rápido será seu desgaste; no segundo caso, a razão é inversa, ou seja, quanto mais máquina ficar parada maior será o seu desgaste.  

Mas a máquina sofre, além do desgaste material, um desgaste que podemos chamar de moral. Esse desgaste moral ocorre quando a máquina vai perdendo o valor, pois máquinas do mesmo tipo vão sendo reproduzidas a preços mais baixos ou na medida em que máquinas mais aperfeiçoadas passam a lhe fazer concorrência. Para remediar esse prejuízo, o capitalista sente a necessidade de fazer a sua máquina trabalhar o máximo possível, e começa antes de qualquer coisa com o prolongamento do trabalho diário, introduzindo o trabalho noturno e o trabalho por turma, turno, que como o nome mesmo indica,é o sistema que o trabalho é executado por duas equipes de trabalhadores se revezando em cada 12 horas, ou por três equipes se revezando a cada 8 horas, de modo, que o trabalho segue, sem interrupção, durante as 24 horas do dia. Esse sistema tão lucrativo para o capital foi adotado imediatamente com o surgimento das máquinas, para satisfazer a ganância do capitalista em tirar a maior quantidade possível de lucro extra, que, com a propagação da maquinaria, não vão poder obter mais. 

O capitalista, portanto, com a introdução de máquinas, acabam com todos os obstáculos de tempo, todos os limites da jornada de trabalho que durante o período da manufatura eram impostos ao trabalho. E quando ele alcança o limite da jornada natural, absorvendo todas às 24 horas do dia, ele encontra um modo de fazer, de apenas um dia, dois, três, quatro e mais dias, intensificando o trabalho em duas, três, quatro ou mais vezes. De fato, se em uma jornada de trabalho o operário é obrigado a fazer o trabalho duas, três vezes, quatro vezes, etc., maior que antes, é claro que a antiga jornada de trabalho corresponderá a duas, três, quatro ou mais jornada de trabalho. Tornando o trabalho mais intensivo, comprimindo, em outras palavras, em uma única jornada o trabalho de várias jornadas, o capitalista consegue, graças à máquina, alcançar seus objetivos. O aperfeiçoamento da máquina a vapor aumentou a velocidade de seus pistões, que com grande economia de energia, movimenta agora um mecanismo mais volumosos com o mesmo motor, mantendo o mesmo consumo de carvão (energia) e as vezes, até diminuindo esse consumo de combustível; diminuindo o atrito no mecanismo de transmissão, reduzindo o diâmetro e o peso dos grandes e pequenos eixos do motor, dos discos de cilindro, etc., cada vez mais,alcança-se transmitir com muito mais rapidez a acrescida força de impulsão do motor a toda rede de mecanismos de operação. O próprio mecanismo foi aperfeiçoado, as dimensões da máquina-ferramenta foram reduzidas, enquanto sua mobilidade e sua precisão aumentaram como no moderno terá a vapor; ou o tamanho e a quantidade de ferramentas crescem com as dimensões da máquina, como é o caso da máquina de fiar. Enfim, esses instrumentos sofrem incessantes modificações de detalhes, como aquelas que há mais de um século atrás, na década de 1750, conseguiram aumentar em 1/5 a velocidade dos fusos das máquinas de fiar. 

Já em 1836, declarava um industrial inglês: “O trabalho, que hoje se executa nas fábricas aumentou muito, comparado com o de antigamente, em virtude da maior atenção e atividades exigidas do trabalhador e devido ao grande aumento da velocidade das máquinas”. 

E, em 1844, ouviu-se na Câmara dos Comuns (Parlamento Inglês): “O trabalho nas fábricas de hoje é três vezes maior que antes, quando se iniciou este gênero de operações. Sem dúvida, a máquina tem realizado tarefas que exigiriam a força de milhões de homens, mas multiplicou assustadoramente o trabalho daqueles que são governados pelos seus terríveis movimentos”.  

Na fábrica, a virtuosidade ao trabalhar com uma ferramenta passa do operário para a máquina; a eficácia da ferramenta não depende mais do trabalhador e sim da máquina. A classificação fundamental se dá entre os trabalhadores que estão diretamente ocupados com os instrumentos da máquina (inclusive os trabalhadores encarregados de abastecê-las com o combustível necessário) e seus manobristas (que são quase exclusivamente crianças). Entre esses manobristas estão aqueles que alimentam a máquina com a matéria-prima a ser trabalhada. Ao lado dessas duas classes principais, há um  pessoal pouco numeroso, que se ocupa com o controle de toda a maquinaria e a repara continuamente,como engenheiros, mecânicos, marceneiros, etc.. Essa classe superior de trabalhadores, uns possuindo formação cientifica, outros dominando um ofício; estão fora dos trabalhadores de fábrica, estando apenas reunidos a eles.  Qualquer criança aprende com muita facilidade a adaptar os seus movimentos ao movimento continuo e uniforme de uma máquina. A rapidez com a qual uma criança, aprende a dominar um trabalho mecânico, suprime radicalmente a necessidade de converter esse trabalho em ofício exclusivo de uma classe particular de trabalhadores. A especialidade em manejar um único instrumento, se torna a especialidade de servir por toda a vida uma máquina parcial. Abusam da maquinaria para fazer do operário, desde a infância, uma peça de máquina, que é, por sua vez, apenas uma parte de um complexo mecânico. Não só diminuiu consideravelmente o custo de reprodução desse operário, mas sua dependência da fábrica, portanto do capital, tornou-se absoluta. 

Na manufatura e no artesanato, o trabalhador usava a ferramenta; na fábrica, ele é usado pela máquina. Lá o movimento da ferramenta era dado por ele; na fábrica, ele não faz outra coisa senão seguir o movimento imposto pela máquina, pelo instrumento de trabalho. Na manufatura, os trabalhadores eram membros de um organismo vivo; na fábrica, os operários são incorporados a um mecanismo morto, que existe independente deles, A própria facilidade do trabalho torna-se tortura, pois a máquina não liberta o operário que poderia haver no trabalho. O instrumental de trabalho agora é autômato que se coloca em frente ao operário no processo de trabalho, sob a forma de trabalho morto, de capital, que domina e suga sua força viva. Na grande indústria moderna se completa, finalmente a separação entre o trabalho manual e o trabalho intelectual da produção, separação que se transforma em poder do capital sobre o trabalho. Ao operário, sua habilidade parece ridícula frente aos milagres da ciência, frente às imensas forças da natureza, frente à grandeza do trabalho social, humano, incorporado na máquina e que constituí o poder do patrão. Na cabeça desse capitalista, desse patrão, o seu monopólio sobre as máquinas se confunde com a existência da máquina mesmo. Assim, como se ele próprio as tivesse parido. 

E, como disse Engels (que era amigo de Marx), o capitalista, ao entrar em conflito com seus operários, tem a mania de lhes atirar na cara palavras humilhantes como essas: “Os operários não deviam se esquecer de que fazem um trabalho inferior e que não há outro mais fácil de se aprender e melhor pago, tendo em vista a sua qualidade; basta um tempo mínimo e um aprendizado mínimo para adquirir toda a habilidade exigida. A nossa maquinaria desempenha um papel muito mais importante do que o trabalho e  a habilidade desses operários, que podem domina-la em seis meses de instrução, e isto está ao alcance de qualquer lavrador ignorante”.  

A subordinação técnica do trabalhador ao ritmo uniforme da máquina e a composição particular do organismo de trabalho, formando por indivíduos de ambos os sexos e de todas as idade, criam uma férrea disciplina de caserna, que é a do regime de fábrica. Por isso, como já dizíamos lá na fábrica, o trabalho de supervisão se desenvolve plenamente, dividindo-se os trabalhadores em trabalhadores manuais e supervisores de trabalho, em soldados rasos e em suboficiais do exército da indústria. Ure, que ao contrario de Marx e de Engels, só via belezas no sistema fabril, escreveu isso: 

“A dificuldade principal na fábrica era de encontrar a disciplina necessária para que seres humanos renunciassem seus hábitos irregulares de trabalho e se identificassem com a invariável regularidade das grandes máquinas. Inventar esse regulamento disciplinar adequando as necessidades e à velocidade do sistema automático e aplica-lo com sucesso foi, sem dúvida, uma empresa digna de Hércules”. Deixando de lado a divisão dos poderes e o sistema representativo, tão decantado pela burguesia, o capitalista elabora como bem entende toda uma legislação privada, em que exerce o seu poder autocrático, ditatorial sobre os operários através do regulamento da fábrica. A chibata do feitor de escravos foi substituída por um livro de punições em que tudo se resolve naturalmente, com multas e descontos nos salário. 

Ouçam estas palavras de Engels: “A escravidão do proletariado à burguesia mostra sua verdadeira cara no regulamento da fábrica. Aqui não há nenhuma liberdade, nem de fato, nem de direito… Às 5:30 da manhã o operário deve entrar na fábrica; se chegar 2 minutos atrasado, lá vem uma multa, se o atraso é de 10 minutos, não o deixam entrar senão depois do almoço, e com isso perde uma boa parte do seu salário diário. O industrial é o legislador absoluto: dita os regulamentos como bem entende,modifica e amplia seu código a seu bel-prazer e, se é acometido dos mais extravagantes arbítrio,os tribunais respondem aos trabalhadores: se o senhor aceitou voluntariamente este contrato, deve a ele obedecer… E os operários estão condenados a viver, dos 9 anos até sua morte, sob essa tortura física e espiritual”.  

Tomemos dois exemplos do que “dizem os tribunais”: “Em 1866, numa cidade inglesa chamada Sheffield, um metalúrgico fez um contrato de dois anos com a fábrica. Por causa de divergências com o patrão, abandonou a fábrica e declarou que, de modo nenhum, trabalharia mais para ele. Acusado de romper o contrato, foi condenado a dois meses de cadeia. (Ora, se fosse o patrão que violasse o contrato teria apenas que se apresentar ao tribunal civil, expondo-se apenas ao risco de pagar uma pequena multa). Pois bem, decorridos os dois meses de cadeia, o mesmo patrão exigiu que o operário voltasse à fábrica, sob as mesmas bases do contrato antigo. O metalúrgico recusou e alem do mais, já havia cumprido a pena pela ruptura do contrato. O patrão processou-o de novo e a justiça voltou a condená-lo. (Um dos juízes denunciou a sentença, publicamente, como uma monstruosidade jurídica, pelo fato de condenar em períodos sucessivos, repetidamente, o mesmo homem pela mesma ofensa ou pelo mesmo crime) E vejam bem, essa sentença não foi pronunciada por um tribunal qualquer, mas por uma das mais altas cortes de justiça, em Londres!” 

Um segundo caso ocorreu em Wiltshite, também na Inglaterra, em fins de novembro de 1863. Cerca de 30 mulheres trabalhavam num tear a vapor, empregadas de certo Harrupp, fabricante de toalhas, decidiram fazer uma greve, por ter o patrão o agradável costume de reduzi-lhes, da forma mais descarada possível, o salário por cada atraso matinal. Por 2 minutos de atraso, ele descontava (valor adotado para melhor compreensão) R$ 10,00, por 3 minutos, R$ 20,00. A R$ 200,00 por hora, as multas chegavam a R$ 2.000,00, quando o salário médio semanal, não ultrapassa o valor de R$ 200,00. Mas esse Harrupp tinha outras veleidades, p ara marcar o início do trabalho, ele botou um apito na boca de um garoto. O garoto, muitas vezes, apitava antes das seis da manhã e, depois desse apito, ninguém mais entrava. Quem ficava do lado de fora era multado. As infelizes operárias ficavam à mercê do jovem guardião do tempo, comandado por Harrupp, e a fábrica continuava sem relógio. As mães de família e moças em greve declararam que só voltariam ao trabalho, depois que fosse colocado um relógio, substituindo o apito do garoto e quando fosse introduzido um sistema – diabos! – pelo menos mais racional de multas! Harrupp, revoltado deu entrada a uma ação judicial contra 19 empregadas, por ruptura de contrato. Elas foram condenadas a pagar uma multa e mais as despesas do processo, o que provocou indignação geral do auditório que acompanhava o julgamento. Harrup, ao sair do tribunal, foi vaiado estrondosamente pela multidão que o seguia. 

Os operários nunca ignoraram as tristes conseqüências da fábrica e da grande indústria, como demonstram a acolhida às primeiras máquinas. Pelo século 17, em quase toda a Europa, ocorreram revoltas de trabalhadores contra uma máquina de tecer fitas e galões, inventada na Alemanha, chamada “Bandmuhle ou Muhlenstuhl”. O abade italiano Lancelotti, num relato de 1636, conta-nos que “há cerca de 50 anos um certo Anton Muller viu em Dantzig uma máquina muito engenhosa que fabricava 4 a 6 tecidos, ao mesmo tempo.O Conselho da cidade, com receio que a invenção jogasse à miséria grande quantidade de trabalhadores, proibiu o emprego da invenção e mandou secretamente estrangular ou enforcar o inventor”. 

Em 1629, essa mesma máquina foi empregada pela primeira vez em Leida, onde as revoltas dos tecelões forçaram as autoridades municipais a proibi-la. “Há cerca de 20 anos inventaram nesta cidade um instrumento de tecer, por meio do qual um só trabalhador podia fazer, no mesmo tempo que vários tecelões manuais, uma quantidade muito maior de tecido e de forma mais fácil. Daí surgiram agitações e protestos de tecelões, até que as autoridades municipais proibiram o emprego deste instrumento.  

Depois de uma série de leis mais ou menos proibitivos em 1623, 1639, etc. os Estados Gerais da Holanda permitiram finalmente o emprego deste tear mecânico, sob certas condições, com a lei de 15 de dezembro de 1661. A mesma máquina foi proibida em Colônia, em 1676, enquanto a sua introdução na Inglaterra, à mesma época, provocavam uma série de rebeliões, entre os tecelões. Na Alemanha, uma lei, de 19 de fevereiro de 1685, proibia o seu uso em toda a nação; por ordem das autoridades municipais, em Hamburgo, o invento foi queimado publicamente. Carlos VI renovou em 9 de fevereiro de 1719, a lei de 1685 e a Saxônia só autorizou seu uso em 1765. 

A Bandstuhl, que agitou a Europa, foi precursora das máquinas de fiar e tecer e, portanto, da revolução Industrial do século 18. Ela capacitava um jovem sem qualquer experiência de tecelagem a pôr em movimento, empurrando e puxando uma biela, um terá inteiro com todas as suas lançadeiras, e que produzia, em sua forma aperfeiçoada, 40 a 50 peças de uma só vez. Nas primeiras décadas do século 17, um levante popular destruiu uma serraria movida avento, construída por um holandês nas proximidades de Londres. Ainda no começo do século 18, com muita dificuldade, as máquinas de serrar movida a água conseguiram dobrar a resistência popular protegida pelo Parlamento. Quando Everest, em 1758, construiu a primeira máquina a água para tosquiar lã, esse invento foi jogado a fogueira por 100 mil pessoas que ficaram sem trabalho. 

50 mil trabalhadores que ganhavam à vida cardando a lã reivindicaram ao Parlamento o fim das máquinas de cardar, inventadas por Arkwright. A destruição de numerosas máquinas nos distritos manufatureiros ingleses, durante os primeiros 15 anos do século 19, deu pretexto ao governo para as mais reacionárias medidas de violência. Como vocês estão vendo, foi necessário tempo e experiência até que os operários aprendessem a distinguir entre a máquina e o emprego capitalista da máquina, e pudessem então, lutar, não contra os meios materiais de produção, mas contra o seu modo social de exploração. 

E é assim, portanto, que temos que enxergar as conseqüências da máquina e da indústria moderna para os trabalhadores. Antes de tudo, eles são enxotados da fábrica em grande número e as máquinas vão substituí-los. Os poucos que lá permanecem, sofreram: a)       Humilhação de se verem espoliados de seu último instrumento de trabalho e de serem reduzidos à condição de escravos da máquina;b)       O peso de uma jornada de trabalho extraordinariamente prolongada;c)       A renúncia à mulher e aos filhos, agora também escravos do capital;d)       Sofrer o indescritível martírio, produto da tortura de um trabalho cada vez mais intensificado pela insaciável gana do capitalista por mais-valia. 

Nominibus mollire licet mala.

5 Respostas to “Parte 7 – Máquina e grande indústria”

  1. irs said

    eu acho que estao diminuindo sim porque si eu tiver uma maquina de lavar rolpa eu nao vou querer uma enpregada dentro de casa

  2. paloma said

    nesse saite precisa de mais fotos

  3. Thaaís said

    Precisa de mais fotos para entender !!

    O resto está jóia !!

    by : thaaís bjs \õ/

  4. edvalda said

    precisa de mais resposta por que eu tem tamta respostas acriada como a geografia por que eu tem muitas tarefas atrassadas de geografia

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