OPINIÃO

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A reforma religiosa de Akhenaton e a luta social e política que se seguiu.

4 – A reforma religiosa de Akhenaton e a luta social e política que se seguiu

Com os sucessores de Thutmés III prepara-se uma crise política do Estado militar egípcio. A luta desencadeia-se entre os régulos dos países da Ásia conquistada, ao mesmo tempo que tribos, sem dúvida semíticas e designadas nos relatórios enviados ao faraó pelo nome de Khabiru, lá penetram vindas da Arábia.

Os Hititas avançam na Síria, do lado Norte. Por carência de tropas suficientes, os governadores do faraó não podem pacificar os régulos nos recontros de uns com os outros, nem deter a invasão dos khabiru. Os faraós vêem-se assim incapazes de reagir, dada a impossibilidade de manter em território conquistado numerosas tropas, recrutadas entre a população livre.

Não ousam enviar para a Síria tropas acantonadas no Egipto, pois a atmosfera aqui é tensa. Desde o fim de Amenófis III que diversas camadas da sociedade se mostravam descontentes com os sacerdotes de Amon, que haviam alcançado grande influência.

Amenófis IV (1424-1388) tomou partido pela oposição e tentou, com a sua ajuda, subtrair o poder real da pressão dos sacerdotes de Amon e da velha nobreza, para a qual o culto deste deus era um importante apoio ideológico e o qual se esforçava por conceder aos nomos a sua autonomia.

Quanto ao Faraó, esse ambicionava a plenitude do poder, não só político mas também religioso. A massa do povo livre, que constituía a infantaria egípcia, não tinha mais do que apoiá-lo nesse intento. Ela esperava, assim, melhorar a sua própria condicão e contava com a expropriação dos nobres e dos sacerdotes.

O fim que se propunha Amenófis IV não podia ser atingido sem uma reforma religiosa. O faraó procurou, de inicio, opor a Amon o deus do Sol, Rá, deus muito popular.

Instituiu-se grão-sacerdote de Rá e resolveu construir em Tebas um templo em sua honra. Mas o culto desta divindade, ligado à região pouco produtiva de Heliópolis, não teve sucesso algum. Issi levou Amenófis IV a romper com todo o sacerdócio e o culto dos deuses tradicionais, para erigir um deus único do Egipto, o disco solar Aton. Justificava a instituição deste culto com a alegação de que o Sol ilumina e aquece o mundo inteiro, O rei tomou o nome de Akhenaton (o que é útil, o que agrada a Aton»), fechou os antigos templos e mandou construir santuários de Aton em todo o Egipto.

Deixou Tebas, construiu uma nova capital a 300 quilómetros ao norte da antiga, perto da cidade actual de Tell-Amarna, e denominou-a Akhetaton Horizonte de Aton»). Foi aí que se erigiu o templo principal de Aton, do qual o faraó ficou sendo o grão-sacerdote.

Esta brusca viragem da política religiosa suscitou uma encarniçada resistência dos sacerdotes e da velha nobreza. Na luta, o faraó só tinha como aliados o seu exército de mercenários e a nova aristocracia que beneficiara da reforma, obtendo uma parte das terras secularizadas.

Os aldeões, que esperavam ver melhorar a sua condição, não tardaram a constatar que a sua vida piorara ainda mais e afastaram-se do reformador. As enormes despesas do culto de Aton e da corte do rei esgotavam o tesouro: os rendimentos, sob a forma de presas de guerra e de tributos, estavam esgotados devido à cessação das conquistas; e a exploração dos aldeões intensificou-se.

Os sacerdotes de Amon e dos outros deuses atiçavam o descontentamento popular; faziam correr «profecias» da cólera dos deuses, calamidades que ameaçavam o país, etc.

Os nobres urdiam as conspirações contra Akhenaton e o povo revoltava-se. O faraó reprimiu ferozmente as insurreições com a ajuda dos seus soldados. Morreu pouco depois, deixando ao seu sucessor um império desorganizado.

Os tumultos surgiam no interior, enquanto que as tribos khabiru se infiltravam cada vez mais nas possessões asiáticas; os Hititas haviam-se apoderado do Norte da Síria, cujos régulos se afastavam, um após outro, do Egipto.

Três ou quatro anos depois da morte de Akhenaton, o seu segundo sucessor Tutankhamon teve de transigir com os sacerdotes de Amon. Regressou a Tebas e mudou o seu nome para o de Tutankhamon.

Seguiram-se desordens prolongadas após a sua morte, as quais foram liquidadas pelo general egípcio Horemheb, rebento de uma antiga família nobre. Com o concurso dos sacerdotes de Amon subiu ao trono, fundou a XIX dinastia. Tomou medidas enérgicas para pacificar o império e procedeu a uma completa restauração religiosa.

Akhenaton foi amaldiçoado e o seu nome, bem como o nome de Aton, foram extintos por toda a parte. A cidade de Akhetaton ficou despovoada e votada ao abandono. Os templos de Amon recuperaram os seus domínios e o culto dos antigos deuses ficou restabelecido.

A reforma de Akhenaton malogrou-se, porque era superficial. Nenhuma camada da sociedade egípcia havia dela beneficiado, excepto o restrito meio dos sacerdotes de Aton e da nova aristocracia.

4 Respostas to “A reforma religiosa de Akhenaton e a luta social e política que se seguiu.”

  1. beatris marques pereira leão da silva said

    eu achei muito interessante porque da pra saber um pouco mais de historia.

    • ROGÉRIO RAMOS said

      Que artigo maravilhoso. Me ajudou muito em um trabalho acadêmico. Parabéns pela sapiência e iniciativa de publicar tão magnífico artigo e liberá-lo para a sede do saber de amantes da história como eu. ROGÉRIO RAMOS, escritor Webartigos.

  2. karina said

    E amei e tbm gostyei

  3. raquel said

    Foi muito bom, adorei! Encontrei todas as respostas…

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