OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

A comunidade de vizinhança e os nomos

3 – A comunidade de vizinhança e os nomos

 

Na etapa seguinte da evolução económica, procede-se àconstrução de obras de irrigação rudimentares, para regu­lar a chegada da água do Nilo – única fonte de humidade -aos campos. É que, com o tempo, o depósito de aluviões tinha constituído, ao longo do rio, altas colinas que, nos anos de fraca inundação, representavam um obstáculo ao alagamento das águas e depois impediam que a água saísse das terras.

Com a falta de escoamento, estagnava-se e criava pântanos. Assim, as primeiras obras de irrigação do Nilo eram simples covas abertas nas margens do rio, onde barragens especiais regulavam o caudal. Mais tarde, os Egípcios aprendem a levar canais que derivam as águas e irrigam, cada um por sua vez, os campos circundados por barragens.

O uso do arado eleva o rendimento do trabalho agrícola, e a invenção do torno, cerca de 3000 anos antes da nossa era, atesta que a cerâmica tinha constituído um ofício aparte.

Outros artesãos profissionais (ferreiros, talhado­res de pedras) apareceram, provavelmente na mesma época. Relações económicas (ainda irregulares, é certo) estabelecem-se com os países vizinhos, talvez mesmo com a Suméria.

Enfim, uma realização muito importante na época é a invenção da escrita pictográfica.

Os dados arqueológicos que caracterizam o desenvol­vimento das relações sociais são bastante mais sucintos. Pode dizer-se que a escravatura data do IV milénio: as figu­ras de cativos, com as mãos ligadas atrás das costas, cons­tituem a prova disso, segundo parece.

Ao lado da propriedade comunitária, vê-se nascer a pro­priedade privada: os seus sinais característicos, chamados tamga, são geralmente gravados nos vasos; mas as mais das vezes os vasos do mesmo túmulo levam o mesmo tam­ga. O desenvolvimento da criação de gado, da agriculturg com charrua e dos ofícios reduz o papel económico da mulher na produção e contribui para a instauração do pa­triarcado.

Todos esses processos acabam por sapar o regime dos dás, por engendrar a comunidade de vizinhança, formada por pequenas e grandes famílias. Tal como na Meso­potâmia, a comunidade de vizinhança é uma comunidade das águas e das terras, quer dizer, unidas pela propriedade comum das terras e sobretudo das águas.

 Certas comunidades faziam parte de uniões territoriais mais extensas, provavelmente antigas tribos; no Egipto cha­mavam-se elas spat, mas os historiadores têm o costume de as designar pelo nome grego de nomo. É curioso que a es­crita pictográfica egípcia representa o spat pela imagem de um terreno cortado por canais, sendo a organização da rede de irrigação uma das tarefas essenciais do nomo.

Na origem, os nomos deviam estar isolados uns dos ou­tros, sobretudo no deita, onde os braços do Nio e os pân­tanos constituíam fronteiras naturais.

É possível que cada nomo tenha tido o seu dialecto; em todo o caso tinha os seus mitos e as suas lendas. Os majo­res nomos eram os de Elefantina, no extremo Sul, os de Hieracompolis, os de Abydos, os de Mênfis e os de Buto.

Os nomos guerreavam-se entre si para disputar a presa ou os escravos, por causa dos conflitos provocados pela penúria das águas. Há gravuras sobre tábuas de marfim ou de pedra que representam, frequentemente, cenas de bata­lhas: revelam que tanto se combatia em terra como na água.

À frente dos nomos encontravam-se chefes, um dos quais foi o rei Escorpião, que chegou a reunir sob o seu poder um vasto território indo de Hieracompolis até Mên­f is. O cabo do seu bastão de armas de pedra, descoberto em Hieracompolis, está ornado com figuras de íbis captu­radas com armadilhas, que simbolizam os inimigos do «rei». Ao vento flutuam estandartes ornados de hieróglifos; esta cena evoca, sem dúvida, o triunfo de Escorpião sobre os monarcas rivais.

O  mesmo cabo mostra a efígie de Escorpião exercendo as funções de rei-sacerdote: com a picareta na mão, escol­tado por dois familiares que o abanam, traça o primeiro sulco para assegurar uma boa colheita, enquanto um ho­mem deita lá grão contido num cesto.

Os dados de que dispomos são muito pobres para carac­terizar o poder do rei Escorpião. Como é mais que prová­vel que o Estado não existisse ainda, devemos considerar Escorpião como um chefe de tribo e não um rei em toda a acepção da palavra. De onde resulta que as tentativas para mitificar o vale do Nilo eram anteriores à formação do Estado.

Foi nesta época, sem dúvida, que foram criadas duas grandes uniões de tribos, uma das quais envolvia o Deita e a região limítrofe de Mênfis (que recebeu o nome de Baixo Egipto) e a outra (Alto Egipto) estendia-se para o sul até Elefantina. No princípio, o centro do Baixo Egipto foi Buto e o do Alto Egipto foi Hieracompolis.

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