OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Escultor Oswaldo Saiane será sepultado hoje, às 9h

Posted by alexproenca em dezembro 4, 2012

Notícia publicada na edição de 04/12/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 007 do caderno A – o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

 

Autor de marcos incorporados ao paisagismo da cidade, como os monumentos que homenageiam as figuras do bispo diocesano José Carlos Aguirre e a figura da Mãe Preta, o escultor Oswaldo Saiane morreu ontem aos 75 anos de idade. Ainda criança, Saiane teve a vocação para as artes despertada. Começou produzindo peças em madeira extraída dos lápis usados nos trabalhos escolares. 

Chamavam a atenção as figuras de mulheres nuas feitas pelo então menino para desespero do pai, pessoa de princípios rígidos que não aprovava as escolhas dos temas pelo filho. Autodidata, Saiane foi conhecer a projeção na escultura em 1966. Depois de ler uma reportagem, decidiu conhecer a casa do poeta e introdutor do teatro negro no panorama cênico brasileiro Solano Trindade. Seguiu para Embu onde conversou com o artista que organizava uma mostra de artes plásticas. 

Como Solano era foi entrevistado pelo Diário Popular, Saiane também dispôs de espaço. Não parou mais e teve obras expostas em vários países do mundo. O corpo de Oswaldo Saiane, que deixa as filhas Liliane, Viviana, Elaine e Regiane é velado na Ofebas e será sepultado hoje, às 9h, no Cemitério Pax.

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

Memórias de uma ilusão fatal.

Posted by alexproenca em novembro 25, 2012

Artista plástico que chegou à Palestina em 1935 diz que é preciso acabar ‘com essa história de Israel grande’ e derrubar ‘o muro da vergonha’

 

PAULA SACCHETTA – O Estado de S.Paulo

Toco a campainha da casa em Santana algumas vezes, mas com a música clássica em alto e bom som, que dá pra escutar do lado de fora, ele certamente não deve ouvir meu chamado. É o ateliê de Gershon Knispel, artista plástico, de 80 anos. Telefono e ele vem abrir a porta. Vai logo baixando o som, “desse jeito não dá nem pra conversar, mas a música é minha inspiração, sem ela não consigo trabalhar”. Ele mora em um apartamento em Higienópolis com a namorada, mas passa o dia no ateliê.

 

Gerson Knispel. Artista plástico, radicado em SP desde 1995 - Paula Saccheta/Estadão
Paula Saccheta/Estadão
Gerson Knispel. Artista plástico, radicado em SP desde 1995

 

De origem judaica, Gershon nasceu em Köln, na Alemanha, em 1932 e, aos 3 anos, mudou-se para a Palestina. Muitos acreditaram que Hitler não duraria tanto, mas seu pai sabia que aquele que havia chegado ao poder pelo Partido Nacional-Socialista em 1933 seria uma ameaça à família. E assim, na Palestina, entre árabes e judeus, começa a vida e a formação do simpático velhinho que hoje afirma ser “um pintor de protesto”. Tudo que viveu permeia nossa conversa e nos rodeia em pinturas e gravuras espalhadas pelo sobrado de tijolo iluminado por luz natural. Entre quadros e aquários, ele me recebe com uma camiseta preta na qual dá para enxergar a etiqueta para fora com letras em hebraico. No momento está organizando sua obra para um livro que deve sair em abril, mas diz que odeia tudo que o faz parar de pintar. Humanista e humanitário, afirma que sua rotina é reagir. Um dos pioneiros na chegada dos judeus à “terra prometida”, explica como testemunha da história a origem dos conflitos de hoje, nos quais judeus e árabes continuam se matando entre mísseis, homens-bomba e assassinatos seletivos.

A hostilidade de um gueto
“O grande erro naquela terra foi que os primeiros judeus que chegaram, russos e poloneses principalmente, vieram com uma cultura de gueto. Chegaram sentindo-se ameaçados e assim se isolaram. Cercaram suas casas com muros de madeira, pedras, sacos de areia. Compravam terras dos fazendeiros árabes endinheirados, os efêndis, que não avisavam os camponeses que nelas trabalhavam e iam embora para a Europa. Nelas, os judeus faziam os kibutzim (kibutz no plural), com muros, todos cercados. E foram, aos poucos, criando uma atmosfera hostil. Construíam torres, diziam que era para a caixa d’água, mas eram torres de vigilância. Tiravam as pedras e as usavam para cercar e delimitar o território de cada um. Expulsavam camponeses que trabalhavam nas terras e as cercavam. Esses pioneiros chegaram sem disposição para criar qualquer vínculo com aqueles que já moravam ali. Os alemães, que chegaram pouco depois, eram mais abertos, mas aí já era tarde.

Um outro povo na terra
“A partir desse choque e desse antagonismo foi surgindo um nacionalismo árabe. Os judeus recém-chegados tinham sindicatos e organizações, e os árabes, que começaram a se sentir mais fracos, queriam organizar-se também – e o fizeram. Além disso, a língua falada nas ruas passou a ser o hebraico e até o iídiche foi liquidado, pois era preciso fortalecer uma espécie de orgulho nacional. Toda uma cultura forte que existia na região foi ignorada e praticamente desapareceu. Quando cheguei à Palestina não conseguia falar hebraico direito. Falava alemão na rua e era chamado de nazista pelas outras crianças judias. Já com os vizinhos árabes a coisa era diferente: as casas deles estavam sempre com as portas e janelas abertas, não tinham muitos móveis, mas eram cheias de tapetes e almofadas onde podíamos nos encostar e deitar. As casas tinham mosaicos de azulejos coloridos e fontes no quintal. Era diferente da minha própria casa, onde a gente entrava com os pés sujos de lama e tomava bronca da mãe. Eles recebiam bem quem chegasse. Eu me comunicava com eles em árabe, o pouco que aprendi na rua com as outras crianças. Para mim já era claro: não haveria futuro se nos fechássemos. E eu queria me adaptar. Minha família se estabeleceu em Haifa, uma cidade portuária, de pequenas praias, e como meus pais não tinham muito dinheiro, ficamos na parte mais pobre da cidade. Todos os meus vizinhos eram árabes. Quando chegamos já havia outro povo na terra, não era um deserto. Tinha um povo que era nosso irmão e precisávamos respeitá-lo. E também eram donos daquela terra.

Dividir para reinar
“Nos anos 1930, judeus intelectuais da Palestina fundaram uma organização política, a Brit Shalom, que pregava a coexistência pacífica entre judeus e árabes. Era a primeira tentativa de negociação de paz na região. Pregavam que o maior inimigo era o mandato britânico e que os palestinos, árabes e judeus, precisavam se juntar pela paz permanente e tirar os ingleses da terra. Lutavam pelo estabelecimento de um Estado binacional onde árabes e judeus tivessem direitos iguais. Abdicavam do sonho sionista da criação de um Estado puramente judeu. Mas não conseguiram, pois já estava enraizada toda uma infraestrutura para tornar Israel um Estado judeu. O Grande Levante Árabe de 1936, que chega até nós, hoje, como um levante contra o povo judeu, era contra a Inglaterra e seu mandato na Palestina, contra o domínio colonial. Para piorar a situação, David Ben Gurion, que viria a ser o primeiro primeiro-ministro de Israel, inventou o conceito de ‘trabalho judaico’. Os camponeses expulsos de suas terras e sem trabalho nas cidades, já que judeus só empregariam judeus, começaram a sentir mais raiva ainda. Os conflitos começaram a se aprofundar e a Inglaterra, obviamente, usava isso a seu favor. Dividindo os povos, poderia dominar mais facilmente. Em vez de nos juntarmos, nos separamos. Ben Gurion chegou à Palestina em 1908, e os judeus alemães, mais ‘abertos’ à convivência com os palestinos, só nos anos 1920 e 30.

O primeiro choque
“Sou da chamada ‘geração de 1948’. Participei de cinco guerras como oficial do Exército, mas foi em 1953 que tive meu maior choque, que foi a morte de todo aquele idealismo pra mim. Aos 12 fui morar em um kibutz socialista ao norte de Israel. Meus pais ficaram em Haifa e fui recebido por Shlomo e Tzilla Rozen. Eu era do Mapam, o partido socialista sionista em 1953, quando um amigo me levou para visitar Nazaré. Passamos por um hotel para peregrinos que se chamava Casa Nova. Fiquei horrorizado. O hotel era sujo, tinha um cheiro horrível de urina e muita gente e colchões amontoados nos quartos. Comecei a andar pelos corredores e vi que conhecia a gente que estava ali. Eles eram de Maalul, um dos centenas de vilarejos tirados do mapa e apagados por Israel depois de 1948. Eles confirmaram que eram de lá, também me conheciam e estavam esperando, me disseram. Estavam naquela situação havia mais de cinco anos. Esperando o quê? Nas guerras contra o mandato britânico seus vizinhos do kibutz, o mesmo onde eu morava, os tiraram da aldeia para protegê-los, disseram. Eles ficariam longe de casa durante a guerra, mas voltariam depois, sãos e salvos. Cinco anos haviam se passado e eles continuavam esperando. Fiquei com raiva. Voltei ao kibutz e perguntei a Shlomo o que significava aquilo. Contei tudo que havia visto em Nazaré. Ele ficou branco e me respondeu: ‘Você conhece Ben Gurion? Ele é impossível. Não deixa que devolvamos as aldeias aos árabes’. Mas essas aldeias ainda existem?, perguntei. E ele: ‘Não vamos entrar em detalhes’. Mas por que então ele fazia parte do governo de Ben Gurion (Shlomo era ministro da Imigração)? ‘É melhor assim porque sem ele ficaremos pior’, respondeu. Rasguei a carteira do partido na cara dele e saí sem me despedir. Entrei no Partido Comunista logo depois.

Brasil, um painel e um passaporte
“Em 1958, Nina, que tinha sido minha namorada em Israel e veio para o Brasil com a família, me avisou de um concurso promovido pela TV Tupi para a execução de um mural no prédio deles. Eu já era artista plástico. Me inscrevi, mandei os croquis e venci. O painel ainda está lá: são índios de 7,5 metros de altura, no lugar mais alto de São Paulo, no Sumaré, onde hoje funciona a MTV. Uma vez no Brasil, me juntei ao pessoal do CPC, Centro Popular de Cultura, o Guarnieri, o Juca de Oliveira, o Augusto Boal e, entusiasmado com eles, fui ficando. Fiz uma gráfica para imprimir gravuras. O Brasil se tornou minha pátria também. Me juntei ao Partido Comunista com Mário Schenberg, Villanova Artigas e Oscar Niemeyer, que se tornou um amigo próximo. O prédio da MTV foi tombado recentemente, recebi a notícia com muita alegria. É uma garantia de que aquilo será preservado. Em 1964, no dia seguinte ao golpe militar, já comecei a ser procurado. Estava envolvido demais com o Partido Comunista e o CPC, era perigoso para eles. Peguei um cachimbo, tabaco, um passaporte e um talão de cheques e fui atrás de gente do Mapam, aquele mesmo partido do qual eu havia rasgado a carteirinha, em São Paulo. Tínhamos divergências, mas numa hora dessas eles precisavam me ajudar. Me transferiram para o Rio, onde ficava a Embaixada de Israel. Fiquei lá alguns dias e arranjaram um voo para Israel. De 1964 a 1986 morei em Haifa e trabalhei como conselheiro de arte da prefeitura. Em 1986, virei presidente do conselho dos artistas plásticos de Israel. Em 1987, 20 anos depois da Guerra dos Seis Dias, fizemos uma exposição com 67 artistas, metade árabes e metade judeus, contra a ocupação israelense de terras palestinas. Voltei ao Brasil em 1995 e fiquei.

Reféns de um Estado distante
“O problema é que a política do Estado de Israel, desde sempre, foi de derrubar tentativas de negociação de paz, pois eles não queriam um Estado palestino ou um Estado binacional. Nós, da geração de 1948, chegamos à conclusão de que a grande euforia por um Estado não levou em conta que iríamos nos tornar um país ocupante e, com o tempo, um país baseado nos princípios fascistas mais radicais. Temos agora uma bomba atômica e um muro de 650 quilômetros de extensão e 8 metros de altura. Nos jornais dos últimos dias, senti uma tristeza enorme ao ver fotos de israelenses procurando abrigo nas ruas das cidades bombardeadas. Afinal, os mísseis e foguetes que saíram de Gaza não passaram por cima do muro? Então para que ele serve? Serve para separar famílias, tornar o caminho dos palestinos mais difícil, e eles já estão fartos disso. Um pacifista israelense, Gershon Baskin, disse que o assassinato de Ahmed Jabari, líder militar do Hamas, foi um ‘erro estratégico’. Não foi um erro estratégico, é a estratégia de sempre. A estratégia é não querer a paz. Yitzhak Rabin (primeiro-ministro de Israel em 1974-1977 e 1992-1995) e Yasser Arafat (líder da Autoridade Palestina) representavam os maiores perigos para Israel, pois eram capazes de estabelecer uma paz de fato na região. Rabin foi morto por um judeu ortodoxo de extrema direita e Arafat terá seu corpo exumado ainda este mês porque suspeita-se que ele tenha sido morto por exposição a substâncias radioativas pelo serviço secreto israelense. Quando começaram esses últimos ataques jovens saíram às ruas aqui em São Paulo, na Av. Paulista, para protestar contra o Hamas. Eu me pergunto, o que eles estão fazendo? Aqui, por serem judeus, ficam reféns de um Estado que pratica essas atrocidades. Não têm o direito de votar lá, mas assumem, aqui, os crimes deles.

A ilusão final
“Manter Israel como é mantido hoje, como uma coisa única e completa, é suicídio. Hannah Arendt, em seu relato sobre o julgamento de Adolf Eichmann, nazista executado nos anos 1960, criticou a tendência dos israelenses de fazerem uma expansão desenfreada, criando uma situação em que todos os esforços se concentram em armas, transformando a cultura e o Estado ‘modelo’ que eles queriam em uma ilusão fatal. Quanto tempo, perguntou ela, vai durar um Estado que só sobrevive à base da força? Precisamos acabar com essa história de Israel grande, precisamos devolver os territórios ocupados e derrubar o muro da vergonha. Nossa geração, que achava que estava libertando o Oriente Médio do colonialismo, percebeu que aquilo era uma ilusão. Em 1956, na Guerra do Suez, eu era paraquedista e fui enganado. Derrubamos o projeto do Nasser para nacionalizar o Canal de Suez, que era legítimo. Achei que estava ajudando, mas foi uma aventura colonialista ao lado da Inglaterra e da França. Hoje somos usados de novo: Israel é o maior parceiro das aventuras imperialistas norte-americanas no Oriente Médio. E eu não paro de falar, escrever e pintar. Não paro porque é um bom jeito de ficar vivo.”

 

Fonte:  http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,memorias-de-uma-ilusao-fatal,964901,0.htm

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

Lincoln Secco: A esquerda precisa ver os pobres como sujeitos históricos.

Posted by alexproenca em setembro 26, 2012

publicado em 26 de setembro de 2012 às 10:07

O fenômeno Russomanno

Lincoln Secco*, no Blog  São Paulo Para Todos

Numa reunião de intelectuais em apoio ao então pré-candidato petista Fernando Haddad um deles disse: “Vamos nos concentrar na classe média porque a periferia já é nossa”. Passados vários meses, parece que só agora petistas e tucanos acordaram para o fato de que a dianteira do Deputado Celso Russomanno nas eleições de 2012 na cidade de São Paulo é mais do que um fogo de palha.

Até recentemente vigorava a ideia de que Russomanno era uma novidade passageira. Depois surgiu a ideia de que ele podia se estabilizar somente porque o eleitor estaria cansado da polarização entre PT e PSDB e apostaria num outsider desvinculado de partidos.

Alguns tentaram explicá-lo pelo fato de que o lulismo teria criado uma base ampla em que petistas e lideranças evangélicas coabitam no governo federal. A nova classe trabalhadora que ascendeu ao mercado poderia ser disputada pelo tradicional discurso petista de melhoria do serviço público ou se voltar para um discurso típico da classe média: a defesa do consumidor. E nisto Russomanno é um mestre pelo histórico de seus programas de televisão.

Nada mais falso. Ainda que uma parte das pessoas que ingressam no mercado possa querer se diferenciar pela compra de serviços privados, não há nenhuma correlação comprovada entre consumo e ideologia política. Pessoas da classe média tradicional consomem mais e se consideram politizadas. Por que no momento em que os pobres ascendem eles não teriam capacidade de consumir e manter suas preferências políticas?

As igrejas evangélicas também foram mostradas como motivo do voto popular. Mas os evangélicos não são mais “alienados” do que ateus ou membros de outras religiões. Se uma parte dos fiéis pode seguir o pastor, uma maioria certamente se define por convicções formadas em vários espaços de sociabilidade como a vizinhança, os parentes mais informados e também as igrejas. Muitas pessoas na periferia frequentam mais de uma ao mesmo tempo.

A história não costuma ser chamada a opinar em processos eleitorais que tem oscilações rápidas e casuais. Uma acusação de corrupção, um escândalo na família e a falta de recursos financeiros podem fazer desabar uma candidatura. Pode ser que o vídeo de Mitt Romney falando maldades dos eleitores de Obama tenha selado a sua derrota. Quem sabe?

Mas deixando de lado as oscilações do tempo curto, a história de São Paulo prova duas coisas. A primeira é que um candidato como Russomanno não é nenhuma novidade, mas a norma. Desde os anos 1940 candidatos como Ademar de Barros e Janio Quadros mantiveram uma corrente que podemos chamar apenas por falta de um conceito melhor como “direita popular”. Ela contrastava com a direita nacional de classe média da UDN que era derrotada nas eleições presidenciais. Decerto muita gente desgosta da expressão porque parece um oximoro. Se é popular não pode ser direita.

Esta corrente política nunca se expressou numa organização partidária, mas é um “partido” no lato sentido de corrente de opinião permanente. O fenômeno de candidatos direitistas com voto não é uma exclusividade paulistana. Mas como São Paulo é uma grande cidade que passou por urbanização intensa em dimensões incomparáveis, as populações recém-chegadas sempre foram alvo de um discurso autoritário que as situavam como clientela e vítima. “Culpadas” pela violência que sofriam e dependentes, elas nem sempre se viam como trabalhadoras responsáveis pelo erguimento da metrópole e sucumbiam à mensagem de ordem, segurança e habitação. Mas ao mesmo tempo se organizavam nas associações de bairro (muitas com sede própria há mais de meio século) e conquistavam loteamentos, asfalto, postos de saúde etc.

Mas a história paulistana nos mostra um segundo fator. Nunca houve uma polarização entre PT e PSDB no município de São Paulo. Em 1985 um velho representante desse “partido de direita” voltou ao poder municipal pelo voto. Era Janio Quadros que derrotou F. H. Cardoso. Mas Eduardo Suplicy (PT) ficou num digno terceiro lugar. Em 1988 o município foi surpreendido pela vitória de Luiza Erundina (então no PT). Mas desde 1992 o malufismo governou São Paulo. Na onda neoliberal a direita apresentou a privatização da saúde como propaganda já em 1992 e não agora. O PAS (Plano de Atendimento à Saúde) foi uma concessão de serviços públicos que enriqueceu alguns empresários médicos e se parecia a um plano de saúde privado.

Enquanto isso, o PT fincou raízes na periferia extrema da cidade, mas divide o apoio com a direita popular. Na verdade só conseguiu derrotá-la em 1988 numa eleição de um só turno e em 2000 quando o Governo FHC estava em seu momento de mais baixa popularidade e o PT despontava como alternativa nacional de poder. Além disso, a petista Marta Suplicy teve o apoio do Governador Mario Covas do PSDB! A vitória do tucano José Serra em 2004 poderia ser apontada como uma anomalia, pois ele não tem o perfil malufista. Tem um partido estabelecido e outra relação com eleitores de classe média.

Mas a vitória de Serra só foi possível com o apoio de votos que ficaram sem uma liderança na direita popular em 2004, já que ela estava absorvida pelo governo Lula em sua lua de mel com os novos aliados. Maluf já estava em franca decadência e o próprio Serra inclinou o discurso à direita. Ao olhar somente para o tempo curto o analista passa a acreditar que há um fenômeno estrutural: a “direita lulista”. Na verdade, a Direita popular atualiza frequentemente o discurso, pois se apresenta como uma “direita de resultados” e não presa a valores morais. Estes são mais fortes na direita conservadora de classe média. Depois de sua derrota em 1988 a direita popular incorporou temas sociais ao lado das propostas de suas tradicionais grandes obras viárias. O projeto Cingapura (Habitação) e a aparente defesa dos favelados foram vitrines da campanha malufista em 1992.

Entretanto, Serra perdeu a chance de quebrar a polaridade entre PT e a velha direita ao deixar a prefeitura para um antigo malufista que se reelegeu: Kassab. A disputa de 2012 pode reproduzir o duelo entre petistas e a direita popular. Se o PSDB for ao segundo turno isso se deverá mais ao erro estratégico do PT ter demorado a fazer campanha onde ele sempre foi mais forte: a periferia. A geografia do voto em São Paulo mostra há vinte anos que o PT tem apoio maior entre os mais pobres.

O apoio de Maluf ao PT em nada muda a luta política estabelecida porque a sua base social não o acompanhou. É que a periferia não é propriedade de ninguém. O PT tem lá sua força e a direita popular também porque ela é popular de fato. E é de Direita porque visa manter o Status Quo através da canalização das necessidades populares para saídas individualistas ou para organizações limitadas às demandas corporativas.

Decerto um “grande acontecimento” ou uma campanha massiva dos meios de comunicação (no caso de Serra ir ao segundo turno) pode tirar a vitória de Russomanno. Fora disso só o improvável apoio do eleitorado do PSDB ao PT no segundo turno e a recuperação dos votos petistas nos extremos Leste e Sul da cidade alterariam um resultado mais do que previsível, embora não inelutável. É que as eleições são uma composição de quadros dinâmicos e não estáticos. Haddad poderia reorientar sua agenda na reta final do primeiro turno totalmente para o objetivo de desmontar uma parcela do apoio popular à Direita e, depois, usar sua imagem de classe média para atrair os votos que Marta Suplicy teve em 2000. Se ainda há tempo só a campanha petista poderá comprovar depois de tantas desavenças internas e erros estratégicos.

Quanto ao futuro, é a mudança de condição de vida já em curso na periferia que poderá quebrar a hegemonia de Direita em São Paulo. A velocidade da urbanização e o perfil da economia industrial da cidade começaram a mudar nos últimos decênios. Mas para isso a esquerda precisa ver os pobres como sujeitos históricos.

*Lincoln Secco é Professor de História Contemporânea na USP e autor de “A História do PT” (Ed. Ateliê, terceira edição, 2012).

 

Fonte:  http://www.viomundo.com.br/politica/lincoln-secco-a-esquerda-precisa-ver-os-pobres-como-sujeitos-historicos.html

Posted in Temas diversos | 1 Comment »

Rui Martins: O governo Dilma financia a direita.

Posted by alexproenca em setembro 20, 2012

publicado em 18 de setembro de 2012 às 18:51

por Rui Martins, em Direto da Redação

Berna (Suiça) – Daqui de longe, vendo o tumulto provocado com o processo Mensalão e a grande imprensa assanhada, me parece assistir a um show de hospício, no qual os réus e suspeitos financiam seus acusadores. O Brasil padece de sadomasoquismo, mas quem bate sempre é a direita e quem chora e geme é a esquerda.

Não vou sequer falar do Mensalão, em si mesmo, porque aqui na Suíça, país considerado dos mais honestos politicamente, ninguém entende o que se passa no Brasil. Pela simples razão de que os suíços têm seu Mensalão, perfeitamente legal e integrado na estrutura política do país.

Cada deputado ou senador eleito é imediatamente contatado por bancos, laboratórios farmacêuticos, seguradoras, investidores e outros grupos para fazer parte do conselho de administração, mediante um régio pagamento mensal. Um antigo presidente da Câmara dos deputados, Peter Hess, era vice-presidente de 42 conselhos de administração de empresas suíças e faturava cerca de meio-milhão de dólares mensais.

Com tal generosidade, na verdade uma versão helvética do Mensalão, os grupos econômicos que governam a Suíça têm assegurada a vitória dos seus projetos de lei e a derrota das propostas indesejáveis. E nunca houve uma grita geral da imprensa suíça contra esse tipo de controle e colonização do parlamento suíço.

Por que me parece masoca a esquerda brasileira e nisso incluo a presidente Dilma Rousseff e o PT?

Porque parecem gozar com as chicotadas desmoralizantes desferidas pelos rebotalhos da grande imprensa. Pelo menos é essa minha impressão ao ler a prodigalidade com que o governo Dilma premia os grupos econômicos seus detratores.

Batam, batam que eu gosto, parece dizer o governo ao distribuir 70% da verba federal para a publicidade aos dez maiores veículos de informação (jornais, rádios e tevês), justamente os mais conservadores e direitistas do país, contrários ao PT, ao ex-presidente Lula e à atual presidenta Dilma.

Quando soube dessa postura masoquista do governo, fui logo querer saber quem é o responsável por essa distribuição absurda que exclui e marginaliza a sempre moribunda mídia da esquerda e ignora os blogueiros, responsáveis pela correta informação em circulação no país.

Trata-se de uma colega de O Globo, Helena Chagas, para quem a partilha é justa – recebe mais quem tem mais audiência! diz ela.

Mas isso é um raciocínio minimalista! Então, o povo elege um governo de centro-esquerda e quando esse governo tem o poder decide alimentar seus inimigos em lugar de aproveitar o momento para desenvolver a imprensa nanica de esquerda?

Brasil de Fato, a revista Caros Amigos, Correio do Brasil fazem das tripas coração para sobreviver, seus articulistas trabalham por nada ou quase nada, assim como centenas de blogueiros, defendendo a política social do governo e a senhora Helena Chagas com o aval da Dilma Rousseff nem dá bola, entrega tudo para a Veja, Globo, Folha, SBT, Record, Estadão e outros do mesmo time?

Assim, realmente, não dá para se entender a política de comunicação do governo. Será que todos nós jornalistas de esquerda que votamos na Dilma somos paspalhos?

Aqui na Europa, onde acabei ficando depois da ditadura militar, existe um equilíbrio na mídia. A França tem Le Figaro, mas existe também o Libération e o Nouvel Observateur. Em todos os países existem opções de direita e de esquerda na mídia. E os jornais de esquerda têm também publicidade pública e privada que lhes permitem manter uma boa qualidade e pagar bons salários aos jornalistas.

Comunicação é uma peça chave num governo, por que a presidenta Dilma não premiou um de seus antigos colegas e colocou na sucessão de Franklin Martins um competente jornalista de esquerda, capaz de permitir o surgimento no país de uma mídia de esquerda financeiramente forte?

Exemplo não falta. Getúlio Vargas, quando eleito, sabia ser necessário um órgão de apoio popular para um governo que afrontava interesses internacionais ao criar a Petrobras e a siderurgia nacional. E incumbiu Samuel Wainer dessa missão com a Última Hora. O jornal conseguiu encontrar a boa receita e logo se transformou num sucesso.

O governo tem a faca e o queijo nas mãos – vai continuar dando o filet mignon aos inimigos ou se decide a dar condições de desenvolvimento para uma imprensa de esquerda no Brasil?

 

 

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rui-martins-o-governo-dilma-financia-a-direita.html

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

Sem proposta decente da Fenaban, bancários deflagram greve na terça.

Posted by alexproenca em setembro 17, 2012

Os bancários fazem assembleias em todo o país nesta segunda-feira 17 para organizar a greve nacional por tempo indeterminado a partir da terça-feira 18, se até lá a Fenaban não apresentar uma proposta que contemple as reivindicações da categoria sobre remuneração, emprego, saúde e condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades.

Seguindo orientação do Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT, os bancários rejeitaram a proposta dos banqueiros de 6% de reajuste (apenas 0,58% de aumento real) nas assembleias realizadas na quarta-feira 12 e deflagraram a greve a partir de terça.

A Contraf-CUT enviou carta à Fenaban no dia 5 para informar sobre o calendário de mobilização e reafirmar a importância de se buscar um acordo negociado. Mas até agora os bancos não deram nenhuma resposta. Clique aquipara ler a carta aos bancos.

‘Bancários estão indignados’

“Os bancários vão à greve porque estão indignados com a postura mesquinha e gananciosa dos bancos. São o setor mais rentável da economia, continuam batendo recordes de lucratividade mesmo maquiando os balanços, premiam seus altos executivos com remuneração milionária cada vez maior, enquanto pagam aos bancários salários mais baixos que nos países vizinhos e ainda fazem uma proposta de reajuste que é inferior à quase totalidade dos acordos salariais assinados no primeiro semestre por setores da economia menos rentáveis”, explica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

Os seis maiores bancos (BB, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander e HSBC) tiveram R$ 25,2 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre, mesmo lançando nos balanços R$ 39,15 bilhões como provisões para devedores duvidosos. “Esse é um disparatado truque contábil, porque a inadimplência cresceu apenas 0,7 ponto percentual no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado e está com viés de baixa”, acusa Carlos Cordeiro. Clique aqui para ver como funciona a maquiagem.

Pesquisa do Dieese revela que 97% dos acordos salariais do primeiro semestre no país contêm aumentos reais de salário, quase todos acima da proposta de 0,58% apresentada pela Fenaban na penúltima rodada de negociação, no dia 28 de agosto. Confira aqui o estudo do Dieese .

A proposta da Fenaban também é uma completa contradição com a política de remuneração anual dos altos executivos dos bancos. Segundo dados fornecidos pelos quatro maiores bancos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os diretores estatutários terão um reajuste de 9,7%, o que representa aumento real de 4,17%. Cada diretor do Bradesco embolsará este ano R$ 4,43 milhões. O do Santander, R$ 6,2 milhões. E o do Itaú, R$ 8,3 milhões no ano.Leia aqui .

É um contraste gigantesco com o piso dos bancários, hoje de R$ 1.400. Esse piso, que equivale a 681 dólares, é menor do que o salário de ingresso do bancário uruguaio (1.089 dólares) e argentino (1.200 dólares), segundo levantamento feito pela Contraf-CUT.

“Vejam que situação perversa. Aqui estão os maiores lucros dos bancos e as mais altas remunerações dos executivos, junto com os salários mais baixos dos trabalhadores. São práticas inadmissíveis como essas que tornam o Brasil um dos 12 países mais desiguais do mundo e a quarta pior distribuição de renda da América Latina”, critica o presidente da Contraf-CUT.

As principais reivindicações dos bancários

● Reajuste salarial de 10,25% (aumento real de 5%).
● Piso salarial de R$ 2.416,38.
● PLR de três salários mais R$ 4.961,25 fixos.
● Plano de Cargos e Salários para todos os bancários.
● Elevação para R$ 622 os valores do auxílio-refeição, da cesta-alimentação, do auxílio-creche/babá e da 13ª cesta-alimentação, além da criação do 13º auxílio-refeição.
● Mais contratações, proteção contra demissões imotivadas e fim da rotatividade.
● Fim das metas abusivas e combate ao assédio moral
● Mais segurança
● Igualdade de oportunidades.

Fonte: http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=31955

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

Caçador de charlatões, ex-mágico critica João de Deus: truques de 100 anos.

Posted by alexproenca em setembro 15, 2012

Atualmente, desmascarar aqueles que dizem ter poderes paranormais ou sobrenaturais é uma das missões de James Randi. Foto: AFP

Atualmente, desmascarar aqueles que dizem ter poderes paranormais ou sobrenaturais é uma das missões de James Randi
Foto: AFP

LIGIA HOUGLAND
Direto de Washington

 

 

Durante muito tempo ele encantou plateias com truques de mágica. Nos últimos anos, porém, o ilusionista aposentado James Randi tem outro trabalho. Sua atual missão de vida é desmascarar pessoas que afirmam ter poderes paranormais ou sobrenaturais. O Incrível Randi, como o americano-canadense de 84 anos também é conhecido, é cético e bem prático. Oferece US$ 1 milhão para quem provar que possui de fato algum poder. Jamais alguém conseguiu levar o prêmio.

Veja 10 casos desafiados por James Randi

Desde que começou a oferecer o dinheiro, Randi já bateu no ego de gente famosa, como no do suposto paranormal israelense Uri Geller. No Brasil, Thomaz Green Morton, que teve até quadro em um programa de televisão, topou o desafio depois de muita relutância. Chegou a dizer que quebraria um ovo e, com energização, faria um pinto surgir da gema exposta. Algum tempo depois, porém, voltou atrás. Acabou esquecido pelo público.

Randi segue sua saga. Enquanto não encontra alguém que prove ter de fato poderes, atira em diferentes alvos, como na direção da apresentadora Oprah Winfrey (pelo espaço que dá a casos que considera charlatanice) e na do médium brasileiro João de Deus, a quem acusa de usar “velhos truques”. “Sempre existirão trouxas que acreditam”, dispara.

Confira a seguir a entrevista completa de James Randi ao Terra.

Terra – Por que o senhor decidiu dedicar a vida a expor as pessoas que dizem ter poderes supernaturais?
James Randi –
 Esses charlatões custam às pessoas milhões de dólares todos os anos, roubando a segurança emocional, desapontando, enganando e mentindo para quem acredita neles. É uma coisa horrível. Sei que essas pessoas que dizem ter poderes supernaturais não têm poder nenhum e desmascará-las é a coisa certa a fazer.

Terra – Esse tipo de ilusão não pode ajudar as pessoas em determinadas circunstâncias?
Randi –
 O problema é que esses charlatões dão falsas esperanças e sempre cobram por isso. No mundo inteiro pessoas gastam fortunas com isso, inclusive no Brasil, e não recebem nada em troca. Há esse tipo de situação no mundo inteiro e, geralmente, envolve pessoas sem instrução. Mas conheço também pessoas muito instruídas que acreditam nessas bobagens.

Terra – E pessoas que perderam um filho jovem, por exemplo. Não seria aceitável se valer de médiuns ou acreditar em espiritismo como uma maneira de lidar com uma dor que, de outra forma, seria insuportável?
Randi –
 Isso oferece um conforto temporário, mas, assim que as pessoas param para pensar, o dinheiro delas já desapareceu e elas não ficam com nada em troca. A mensagem é sempre a mesma: “seu filho ama você e está muito feliz, mas era a hora dele ir”. Essas pessoas extremamente ingênuas não sabem que estão sendo exploradas. A melhor maneira de lidar com a dor é se olhar no espelho e dizer para si mesmo “meu filho não está mais aqui, isso é tristíssimo, mas ainda estou vivo e tenho de continuar a viver. Vai ser muito mais difícil, mas farei isso”. Tragédias acontecem com milhares de pessoas diariamente, a cada segundo, no mundo inteiro. As vítimas precisam decidir que vão sobreviver, apesar de que será preciso mudar a direção da vida delas. O dinheiro das pessoas afetadas por uma tragédia pode ser melhor gasto buscando um bom aconselhamento, como o de um psicólogo, por exemplo.

Terra – O senhor tem um método padrão de desmascarar charlatões?
Randi –
 Não, pois o modo dos charlatões operarem varia. Quando as pessoas me procuram e pedem aconselhamento, eu examino o que elas me apresentam e as aconselho, explicando como elas estão sendo enganadas. Conheço todos os truques que existem, pois fui mágico profissional por muito tempo. Mas a maioria das pessoas não é suficientemente inteligente nem instruída para ser capaz de entender como estão sendo enganadas.

Terra – O que o senhor acha do médium brasileiro João de Deus?
Randi –
 Ataquei João de Deus em um programa de televisão dos Estados Unidos e ofereci provas das farsas que ele estava cometendo, como enfiar coisas no nariz e outras coisas horríveis. Tudo que ele faz não passa de velhos truques usados em carnavais há mais de cem anos. São truques que qualquer pessoa pode aprender. Só não é algo agradável de fazer.

Terra – É possível que alguns seres humanos tenham realmente poderes paranormais?
Randi –
 Sim, assim como é possível que em algum lugar do mundo possa haver um unicórnio. Se alguém me mostrar um unicórnio, acreditarei que eles existem. Mas não existe prova alguma de que há unicórnios nem pessoas com poderes paranormais. Já vivi muito e conheço quase todos os países do mundo. Sei como todos os tipos de charlatões operam e nada me impressiona. A minha fundação oferece um prêmio de US$ 1 milhão para quem provar que tem esses poderes, mas não vejo nenhum desses charlatões reclamando o prêmio.

Terra – Recentemente, o Terra entrevistou a autora Candy Gunther Brown, que alega que a prece tem o poder de curar. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Randi –
 Tenho certeza de que essa pessoa consegue vender muitos livros. Basta essa autora apresentar provas de que a prece realmente cura que eu entrego US$ 1 milhão para ela. Mas ela nunca me contatou.

Terra – Muitas pessoas dizem já ter visto fantasmas ou sentido a presença de algum tipo de energia de alguém que já morreu, especialmente no Brasil, onde o espiritismo é bastante popular. Isso é possível?
Randi –
 Tudo é possível, mas não existe prova de nada disso. As pessoas que alegam ter sentido ou visto um fantasma estão mentindo, são loucas, ou viram algo que não entenderam e aí resolvem inventar uma história. Às vezes, as pessoas me contam histórias de que viram um fantasma e, anos mais tarde, quando me recontam a experiência, a história é outra. Histórias desse tipo estão sempre mudando, pois não passam do fruto da imaginação de quem as conta. Com o passar do tempo, as pessoas vão inventando mais e mais detalhes. Isso é muito comum.

Terra – E o que o senhor pensa sobre histórias ligadas a mitos religiosos?
Randi –
 As pessoas são iludidas. Elas ouvem as histórias que os agentes religiosos contam de que quando morrerem vai ser tudo maravilhoso, vão se reunir com as pessoas que amam, não terão contas a pagar, e querem acreditar nisso tudo. E os agentes religiosos cobram por essas histórias, exigindo uma contribuição para a religião deles. As pessoas acreditam nisso porque ouvem essas histórias desde a infância.

Terra – O senhor pratica alguma religião?
Randi –
 Sou ateu. Não acredito em uma divindade porque não vejo nenhuma prova de que exista uma divindade. É só pensar nas milhões de vítimas do holocausto que rezavam todos os dias pedindo para viver e morreram nas câmaras de gás. Além disso, Deus é ditador, invejoso e exige que as pessoas o adorem a cada minuto do dia e da noite. Que tipo de Deus é esse? Eu não quero esse tipo de Deus.

Terra – Recentemente, o governo americano divulgou um comunicado informando à população de que zumbis não existem. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Randi –
 É algo muito bobo que foi feito porque existem pessoas muito bobas que ficam perguntando ao governo se histórias de zumbi são verdadeiras. O governo não deveria divulgar um comunicado desses, mas deveria fazer as pessoas lerem enciclopédias. Fico envergonhado pelo fato de que nos Estados Unidos existam pessoas que têm perguntas idiotas como essas. Outra bobagem é as pessoas acreditarem no que Oprah Winphrey diz. Eu duvido de tudo que ela diz. Se ela me disser que dois mais dois é igual a quatro eu examinarei isso com muito cuidado. Oprah tem uma cabeça de vento e não é muito inteligente, mas conquistou muito.

Terra – O senhor acha que as pessoas um dia deixarão de acreditar no supernatural, em criaturas míticas e superstições?
Randi –
 Já pensei em ser congelado depois de morto e retornar em cem anos para ver como as coisas estão. Mas não acho que isso seja uma boa ideia, pois pode estar ainda pior do que hoje. Melhor só morrer e desaparecer.

Terra – Por que motivo o senhor acha que algumas pessoas têm necessidade de acreditar no supernatural?
Randi –
 As pessoas querem magia. As crianças ouvem que são lindas, podem tudo, vão casar e ter um futuro perfeito. Mas quando viram adultos, veem a realidade ao redor delas e se dão conta de que não é tudo um conto de fadas. E sempre tem alguém, tipo um médium, que aparece prometendo uma mágica para elas, algo que vai tornar tudo melhor e, as pessoas pagam por isso. Sempre existirão trouxas que acreditam nisso.

Procurado através de sua assessoria de comunicação, o médium brasileiro João de Deus não se manifestou até o fechamento desta matéria.

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

Em Sorocaba: Urbes é condenada em R$ 500 mil; promoções ilegais de servidores são anuladas

Posted by alexproenca em setembro 12, 2012

A 1ª Vara do Trabalho de Sorocaba julgou parcialmente procedente a ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho contra a Empresa de Desenvolvimento Urbano e Social de Sorocaba (Urbes), condenando a empresa pública municipal a não efetuar o desvio de função de funcionários e a declarar a nulidade de todas as promoções diretas e indiretas concedidas a servidores que passaram a preencher cargos para os quais não prestaram concurso a partir de 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

A Urbes também foi condenada ao pagamento de indenização por danos morais causados à coletividade no valor de R$ 500 mil, reversível ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O MPT havia pedido R$ 2 milhões.

A ação foi proposta em abril desse ano pelo procurador Gustavo Rizzo Ricardo após um inquérito que apontou o desrespeito ao artigo 37 da Constituição Federal, que exige o provimento de cargos via concurso público.

 

Fonte:    http://www.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=418569

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

Wall Street contra as cidades.

Posted by alexproenca em setembro 11, 2012

Wall Street contra as cidades

Enviado por luisnassif, seg, 10/09/2012 – 11:15

Por Webster Franklin

Da Carta Maior

A guerra entre Wall Street e as cidades nos EUA

As cidades estadunidenses estão sendo forçadas a fazer o que fez Nova Iorque para evitar a bancarrota em 1974: entregar a gestão para quem Wall Street bem entender. Como na Grécia e na Itália, políticos eleitos serão substituidos por “tecnocratas” para fazer o que Thatcher e Tony Blair fizeram com a Inglaterra: vender o que resta do setor público e transformar cada programa social numa mesa de negociações. A ideia é forçá-las a equilibrar o orçamento arrendando ou vendendo suas avenidas, sistemas de transporte público, escolas e prisões. O artigo é de Michael Hudson.

Michael Hudson (*)

A marcha de Wall Street contra os 99% está se acelerando. É a mesma filosofia de austeridade imposta à Grécia e à Espanha, e a mesma que leva o presidente Obama e Mitt Romney a insistirem na redução de custos com o Medicare (assistência de saúde pública) e com a Previdência Social.

Diferentemente do governo federal estadunidense, a maioria das cidades e estados têm constituições que previnem déficits orçamentários. Isso significa que ao suprimirem impostos sobre imóveis, as cidades e estados devem pegar dinheiro emprestado dos ricos ou cortar serviços públicos.

Por muitos anos eles, as cidades e estados, pegaram dinheiro emprestado, pagando juros isentos de impostos aos detentores de títulos, os credores públicos. Isso parece arriscado agora que a economia afunda com a queda dos valores das dívidas. Cidades estão se tornando inadimplentes da California ao Alabama. Elas não conseguem reestabelecer impostos sobre proprietários sem causar mais inadimplência hipotecária e abandonos. Alguém tem que ceder – então as cidades reduzem gastos públicos, encolhem seus sistemas educacionais e forças policiais, e vendem seus ativos para pagar detentores de títulos.

Isso tem se tornado a principal causa do crescente desemprego nos Estados Unidos, que obviamente diminui a demanda de consumo. É um pesadelo keynesiano. Menos óbvios são os cortes devastadores ocorrendo na saúde, no treinamento de mão-de-obra e outros serviços, enquanto taxas de matrícula para colégios públicos e as “taxas de participação” no ensino médio sobem. Sistemas escolares estão se desfazendo e professores são abandonados numa escala nunca vista desde a Grande Depressão.

Todavia, estrategistas de Wall Street enxergam essa situação e o orçamento local espremido como dádivas. Como disse Rahm Emanuel, uma crise é uma oportunidade boa demais para se desperdiçar – e a crise fiscal alavanca os credores financeiramente para empurrarem políticas anti-trabalhistas e privatizações.

O terreno está sendo preparado para uma “cura” neoliberal: cortar pensões e assistência médica, negligenciar promessas de reformas trabalhistas, e vender o setor público, deixando os novos proprietários cobrarem pedágios sobre tudo, desde avenidas a escolas. O termo do momento é “extração de rendas”.

Tendo causado a crise financeira, o legado de décadas de cortes sobre a propriedade financiado pelo afundamento em dívidas agora deve ser pago por arrendar ou vender ativos públicos. Chicago arrendou sua Skyway por 99 anos e seus estacionamentos por 75 anos. O prefeito Emanuel contratou os gerentes de ativos do JP Morgan para dar “conselhos” sobre como vender a privatizadores o direito de cobrar taxas sobre serviços que eram gratuitos. É o equivalente moderno dos cercamentos ingleses dos séculos XVI e XVIII.

Por retratar os servidores locais como inimigos públicos número 1, a crise urbana está fazendo com que a luta de classes volte à ordem do dia. O setor financeiro argumenta que pagar pensões (ou até um salário mínimo) absorve a receita que deveria ser usada para pagar detentores de títulos. A cidade de Scranton na Pensilvânia reduziu os salários do setor público para o mínimo “temporariamente”, enquanto outras cidades procuram romper com planos de pensão e contratos salariais – e depois vão atrás de jogos de azar em Wall Street, numa tentativa desesperada de cobrir suas obrigações recentemente estimadas em 3 trilhões de dólares, mais 1 trilhão em cuidados de saúde.

Embora Wall Street tenha engendrado a economia-bolha cuja explosão engatilhou a crise fiscal urbana, seus lobistas e suas teorias econômicas disparatadas não são responsabilizados. Melhor do que culpar os que cortaram impostos e deram uma herança inesperada aos banqueiros e aos magnatas do setor imobiliário, são os professores e outros empregados do serviço público que devolvem seus salários deferidos, que são, na verdade, suas aposentadorias. Para os predadores financeiros não existem devoluções desse tipo.

Em vez disso, é chegado o período em que as cidades serão forçadas a fazer o que fez Nova Iorque para evitar a bancarrota em 1974: entregar a gestão para quem Wall Street bem entender. Como na Grécia e na Itália, políticos eleitos serão substituidos por “tecnocratas” apontados para fazer o que Margaret Thatcher e Tony Blair fizeram com a Inglaterra: vender o que resta do setor público e transformar cada programa social numa mesa de negociações.

O plano é atingir três metas. Em primeiro lugar, dar aos privatizadores o direito de cobrar pedágio sobre a infraestrutura pública. A ideia é forçar cidades a equilibrar o orçamento arrendando ou vendendo suas avenidas e sistemas de transporte público, escolas e prisões. Isso promete criar um novo mercado para os bancos: empréstimos a abutres que comprarão os direitos de instalar pedágios na infraestrutura básica da economia.

Oficiais públicos eleitos não podem engajar-se em políticas tão predatórias e anti-trabalhistas. Só a “magia do mercado” pode dissolver sindicatos, diminuir serviços públicos e colocar pedágios nas estradas e nos sistemas de água e esgoto ao mesmo tempo em que cortam linhas de ônibus e aumentam tarifas.

Para realizar esse plano financeiro é necessário emoldurar o problema de tal maneira que alternativas menos anti-sociais sejam excluidas. Como bem sabia Margaret Thatcher, deve-se pregar a falta de alternativas. Não há alternativas senão vender o transporte público, o setor imobiliário e até sistemas educacionais e prisões.

Desmontar a educação pública e departamentos policiais para pagar os credores públicos

Políticas de impostos locais costumavam servir à educação. Os Estados Unidos eram divididos em redes fiscais que financiavam distritos escolares, juntamente com avenidas e linhas de ônibus e sistemas de água e esgoto. Municípios com melhores escolas taxavam mais as propriedades, isso tornava mais desejável viver em tais distritos e aumentava os preços dos imóveis, não os diminuia. A melhoria urbana era autossuficiente e fazia com que distritos com impostos diminutos fossem esquecidos.

Mas essa não é mais a maneira norte-americana de se fazer as coisas. A educação foi particularmente demonizada. O sistema escolar californiano é uma das baixas da Proposição 13, a lei de congelamento dos impostos sobre a propriedade, promulgada em 1978. A Associação de Donos de Apartamentos da Califórnia convocou seu homem de frente, Howard Jarvis, para ser o lobista que prometeria aos eleitores que quase nada mudaria se educação e bibliotecas sofressem uma redução. Ele afirmava que “de qualquer maneira, 63 por cento dos graduados são analfabetos”, então quem precisaria de livros? A educação e outras partes dos gastos públicos foram congelados enquanto impostos sobre imóveis eram reduzidos em 57% – de 2.5 ou 3% a tão somente 1% da valoração. O resultado é que o sistema escolar californiano foi parar em quadragésimo-sétimo no ranking nacional.

Para os neoliberais, a beleza disso tudo é que o rebaixamento da educação torna os cidadãos mais suscetíveis à falsa consciência do Tea Party. Por exemplo, quando a lei de congelamento dos impostos foi promulgada, investidores comerciais prometiam proprietários de imóveis que impostos mais abrangentes tornam a habitação mais acessível e que aluguéis cairiam. Mas eles subiram, juntamente com os preços do setor imobiliário. Essa é a grande mentira dos neoliberais redutores de impostos: eles prometem que os cortes diminuirão custos ao invés de dizer que eles proverão uma herança inesperada para proprietários – e também para bancos já que os crescentes preços do aluguel estão “livres” para serem capitalizados em empréstimos hipotecários maiores. Novos compradores precisam pagar mais, o que aumenta o custo da vida e dos empreendimentos.

De volta a 1978, às vésperas da Proposição 13 proprietários comerciais pagavam metade dos impostos do setor imobiliário e proprietários de imóveis a outra metade. Mas agora a metade dos proprietários de imóveis se tornou dois terços, enquanto a parte dos comerciantes caiu para um terço. Agentes de crédito de bancos têm capitalizado os cortes de impostos em hipotecas maiores, assim os preços da habitação cresceram. O prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, declarou ano passado que “é hora de enfrentar a inequidade da Proposição 13, que permite às grandes corporações arrecadar um dinheiro que era para os proprietários de imóveis. Nós não estamos financiando o governo. Nós só estamos dizimando o governo e os serviços que ele presta”. Ele propôs um imposto sobre a propriedade que restaurava taxas mais elevadas para investidores.

A educação escolar é uma ocupação desgastante. Essa é uma das razões pelas quais professores têm um dos sindicatos mais fortes dos Estados Unidos. Os salários deles não subiram tão rápido quanto as despesas porque eles concordaram em ter menos renda no curto prazo, a fim de obter aposentadorias ao pararem de trabalhar. Esses contratos estão agora sob ataque – para pagar os credores públicos. Estados e cidades agora insistem que os detentores de títulos não podem ser pagos uma vez que se remunere adequadamente força de trabalho dos servidores públicos.

Agora estamos vendo que loucura é não cobrar impostos sobre a propriedade e substituir receitas fiscais com empréstimos, pagando juros isentos de impostos para os mais abonados detentores de títulos do país. O corte na base de impostos sobre a propriedade encontra, assim, seu irmão gêmeo na onda de incumprimentos das promessas de aposentadoria.

Os impostos do setor imobiliário cairam de dois terços das receitas urbanas na década de 1920 para um sexto. Os subsídios do governo federal também estão sendo cortados, e as concessões estatais para as cidades estão seguindo o exemplo. Mas ao invés de tornar a habitação mais acessível, os cortes de impostos “liberaram” o valor do aluguel do coletor de impostos só para que os bancos fossem pagos.

Nesse sentido a Califórnia também esteve na linha-de-frente. Em 1996 os eleitores aprovaram a Proposição 218, que requer que toda nova taxa, imposto ou avaliação de propriedade tenha de ser aprovada por dois terços do eleitorado (algumas exceções feitas para que os sistemas de água e esgoto se mantivessem viáveis). Esse estratagema “mata a fera de fome”, sendo que a “besta” é a infraestrutura pública e os serviços sociais. Forças policiais estão sendo diminuidos e programas sociais cortados. E conforme a pobreza urbana cresce, os índices de criminalidade estão subindo.

Assim, o fato econômico mais importante a ser reconhecido é que o imposto renunciado tende a ser capitalizado em empréstimos hipotecários. E por deixar mais aluguéis disponíveis a serem pagos como juros, cortar os impostos sobre a propriedade obriga seus compradores a se afundarem em dívidas. Impostos menores sobre a propriedade significam maiores preços para a habitação – a crédito, porque uma casa ou qualquer outro imóvel vale quanto o banco empresta a novos compradores. Então, por capitalizar o valor do aluguel num fluxo de juros, os banqueiros ficam com o aluguel – e, consequentemente, com os cortes fiscais sobre imóveis.

Esse é o significado de livre-mercado hoje: renda criada por investimentos no setor público “livre” para ser paga aos bancos como juros em vez de ser recuperada pelo governo.

A maior parte da receita urbana são rodovias, escolas e sistemas de água e esgoto financiados pelo contribuinte.

Mas nem os especuladores imobiliários nem os banqueiros acreditam que esse investimento do contribuinte deva ser reavido por taxar o aumento no valor dos locais criado pelos próprios serviços públicos. Em vez de tornar o setor público auto-financiado conforme os serviços públicos se expandem para criar riqueza, os proprietários privados ficarão com os benefícios – enquanto os bancos capitalizam ganhos em empréstimos hipotecários maiores, que hoje respondem por 80% do crédito bancário.

O miolo da “falsa consciência” dos banqueiros – a matéria de capa com a qual os lobistas do Tea Party estão procurando doutrinar os eleitores norte-americanos – é que os impostos sobre a terra e os ativos financeiros punem os “criadores de emprego”. Os beneficiários desse gasto público dizem que precisam ser mimados com preferências fiscais para investir e empregar, enquanto os 99% devem ser chutados e incitados a trabalhar mais por menores salários. Essa falsa narrativa ignora que os maiores períodos de crescimento norte-americano foram aqueles em que os impostos inviduais e corporativos eram também maiores. O mesmo é verdadeiro na maioria dos países. O que está sufocando o crescimento econômico são as elevadas dívidas – devidas a 1% da população – e cortes de impostos sobre grandes riquezas.

O arrocho nas aposentadorias públicas é parte da crise geral

Paul Ryan, candidato indicado a vice-presidente pelo Partido Republicano, e Rick Perry, governador do Texas, caracterizaram a Previdência Social norte-americana como um esquema a la Charles Ponzi [2]. Isso é verdadeiro no óbvio sentido que aposentados devem ser pagos com o dinheiro de novos contribuintes. É assim que qualquer sistema pay-as-you-go deve funcionar. Mas o problema não é que o sistema deve ser pré-financiado para fornecer ao governo receita para cortar impostos dos 1%. O problema é que novas contribuições vão se esgotando conforme a economia se esmigalha com a sobrecarga de dívidas.

A Previdência Social pode ser paga facilmente. O Fed imprimiu U$13 trilhões para dar aos banqueiros em 2007. Ele pode fazer o mesmo com a Previdência Social – e com os subsídios cedidos pelo governo federal. O Fed pode cumprir com suas obrigações da mesma forma que cumpriu com os 1% de Wall Street. O problema é que o Fed só está disposto a fazer o que bancos centrais foram fundados para fazer. O intuito é salvar os detentores de títulos e as ambiciosas contrapartes dos bancos, não os 99%.

O problema é que o sistema financeiro está podre. Isso transformou a atual luta de classes numa guerra financeira na qual o fator principal é moldar a forma como os eleitores enxergam o problema. O truque é fazê-los pensar que cortar impostos barateará o custo de vida e a habitação, quando o entendimento que deve ser propagado é o seguinte: cortar impostos só faz com que mais renda para empréstimos caia no colo dos banqueiros, o que afundará mais ainda a economia.

Políticos democratas ou republicanos não querem taxar mais as finanças, os seguros ou o setor imobiliário. A postura deles está alinhada com o que querem os financiadores de suas campanhas: deixar Wall Street mais rica.

É o velho problema das prioridades. As dívidas não podem ser pagas e não serão pagas. Então, a questão é quem deve ser priorizado, o 1% ou o 99%?

Insiste-se que a austeridade e a redução do Estado são inevitáveis, não uma escolha política que prefere os credores públicos e o 1% aos 99% ou uma retribuição do dinheiro gasto comprando políticos e fazendo eleitores acreditarem que cortar impostos sobre a propriedade e sobre os ricos ajudará a economia.

Se os Estados Unidos continuarem a permitir que o 1% legisle, a economia empobrecerá muito em pouco tempo. A era do crescimento yankee chegará ao fim.

Alguém tem que ceder. Ou seja, é hora de dar calote. Caso contrário, Wall Street nos transformará na Grécia. Esse é o plano financeiro, para ser claro. É a estratégia da atual guerra financeira contra a própria sociedade. Na Letônia, eu conversei com a liderança do banco central. Ele me explicou que os salários do setor público cairam 30 por cento e isso puxou os salários do setor privado para quase tão fundo quanto. Neoliberais chamam isso de “desvalorização interna” e prometem que isso fará das economias mais competitivas. A realidade é que a desvalorização desfaz o mercado interno e faz os trabalhadores abandoná-lo.

(*) Michael Hudson recentemente publicou The Bubble and Beyond, obra que coloca os setores financeiro e imobiliário na raiz da crise fiscal urbana. Ele é professor de Economia na Universidade do Missouri (Kansas City). 

Tradução: André Cristi

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

Comandos para pesquisar no Google.

Posted by alexproenca em agosto 19, 2012

1º comando secreto – site

Comando: site:exemplo.com.br

Objetivo: serve para pesquisar somente no site especificado.

Exemplo: site:r7.com Michael Jackson

Efeito: procura no domínio principal e subdomínios do r7.com por páginas com informações sobre Michael Jackson.

Dica: você pode usar esse comando para fazer pesquisas direcionadas em determinados países. Mais informações no final da página em “dicas e exemplos de buscas avançadas”.

2º comando secreto – filetype

Comando: filetype:extensao

Objetivo: serve para encontrar conteúdo em um formato específico, como PDF ou TXT.

Exemplo: filetype:pdf Forças Armadas

Efeito: procura na internet por documentos em PDF sobre Forças Armadas.

Dica: alguns formatos para pesquisar: pdf, txt, doc, rft, docx, xls, xlsx, ppt, pptx, php, php3, htm, html, asp, aspx, mp3, gz.

3º comando secreto – inurl

Comando: inurl:palavra

Objetivo: serve para encontrar conteúdo na web pesquisando através das URLs (endereços) das páginas.

Exemplo: inurl:jogos

Efeito: procura por páginas que contenham a palavra “jogos” na URL.

4º comando secreto – intitle

Comando: intitle:palavra

Objetivo: serve para procurar conteúdo na web pesquisando através dos títulos.

Exemplo: intitle:urgente

Efeito: procura por páginas que contenham a palavra “urgente” no título. 

 

5º comando secreto – intext

Comando: intext:palavra

Objetivo: serve para encontrar conteúdo na web pesquisando através do conteúdo em si das páginas.

Exemplo: intext:calculadoras

Efeito: procura por páginas que contenham a palavra “calculadoras”.

6º comando secreto – inanchor

Comando: inanchor:palavra

Objetivo: serve para encontrar conteúdo pesquisando pelos links.

Exemplo: inanchor:engraçadinho

Efeito: procura por páginas que tenham links com a palavra “engraçadinho”.

 

7º comando secreto – cache

Comando: cache:http://www.exemplo.com.br

Objetivo: serve para exibir a versão em cache armazenada pelo Google da página especificada. Útil quando o site retornar erro 404 – página não encontrada.

Exemplo: cache:http://www.folha.uol.com.br

Efeito: mostra a última versão em cache do site da Folha.

 

8º comando secreto – define

Comando: define:palavra

Objetivo: Explica o significado da palavra especificada e mostra páginas que contêm tal palavra em alguma de seu conteúdo.

Exemplo: define:joystick

Efeito: exibe a definição da palavra “joystick”.

 

9º comando secreto – OR

Comando: palavra1 OR palavra2 OR palavra3 OR palavra4 …

Objetivo: serve para fazer várias buscas de uma só vez.

Exemplo: sangue OR dinheiro OR espaço

Efeito: procura por páginas na web que contenham ou a palavra “sangue” ou a palavra “dinheiro” ou a palavra “espaço”.

Dica: em vez de OR, você pode usar o símbolo de módulo |.

 

Sintaxe geral para buscas

1 – Uso das aspas

Use aspas normais (“”) para fazer pesquisas no Google contendo exatamente uma determinada frase. É muito útil quando você quer ser bastante específico.

Exemplo: “independência do méxico”

Efeito: busca conteúdo na internet que contenha a frase acima, com todas as palavras nessa mesma ordem e em qualquer parte, seja no título ou no corpo da página.

2 – Sinal de menos

Use o sinal de menos (-) para definir exceções na sua busca, para excluir determinados resultados indesejados.

Exemplo: jogos -online -flash -meninas

Efeito: busca páginas contendo o termo “jogos“, mas que não contenham as palavras “online”, nem “flash” e nem “meninas”.

3 – Sinal de mais

Use o sinal de mais (+) para forçar o Google a incluir o termo especificado na pesquisa.

Exemplo: dilma +passado

Efeito: busca por páginas da web contendo a palavra “dilma” e, obrigatoriamente, a palavra “passado”.

4 – Asterisco

Use o asterisco (*) como curinga, podendo fazer o papel de qualquer palavra.

Exemplo: o homem mais * do mundo

Efeito: pesquisa por termos como o homem mais rico do mundo, o homem mais alto do mundo, o homem mais generoso do mundo, o homem mais forte do mundo, etc.

5 – Til

Use o til (~) para encontrar páginas com a palavra especificada ou palavras parecidas.

Exemplo: ~compras

Efeito: procura sites com palavras relacionadas com “compras”.

Exemplos e dicas de buscas avançadas

 

Digite: inurl:emails.txt

E encontre: dezenas de listas de e-mails, um prato cheio para spammers de plantão.

 

Digite: intitle:”index of /musicas”

E encontre: listas de músicas em mp3 na internet.

 

Digite: intitle:index of “parent.directory” adele

E encontre: músicas da Adele na internet.

 

Digite: intitle:”index of /secreto”

E encontre: alguma coisa possivelmente secreta na internet.

 

Digite: “documento confidencial” filetype:pdf

E encontre: alguns documentos confidenciais em PDF na internet.

 

Digite: “político honesto” site:brasil.gov.br

E encontre… Descubra você mesmo.

 

Digite: intitle:index of “parent.directory” senhas.txt

E encontre: facilmente senhas de diversos sistemas.

 

Digite: notícias -site:globo.com -site:terra.com.br -site:uol.com.br -site:r7.com

E encontre: notícias em todos os sites, exceto Globo.com, Terra, Uol e R7.

 

Digite: filetype:sql mysql dump

E encontre: backups de bancos de dados inteiros de muitos sites.

 

Digite: inurl:”ViewerFrame?Mode=” -intitle:”viewerframe”

E encontre: vídeos em tempo real de câmeras de segurança.

 

Digite: site:.ar tango

E encontre: informações sobre tango somente em sites da Argentina.

 

Digite: intitle:”this site has been hacked”

E encontre: sites que foram hackeados (pichados) por defacers.

 

Digite: (intitle:senhas OR inurl:senhas) filetype:txt site:.com.br

E encontre: algumas senhas perdidas por aí.

 

Digite: ~comprar -comprar

E encontre: páginas somente com palavras relacionadas a “comprar”.

Fonte: http://assuntoslegais.com/comandos-secretos-do-google/#ixzz242O1ZHmn

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »

A tentativa de nos empurrar para uma estrada esburacada na internet.

Posted by alexproenca em maio 19, 2012

publicado em 19 de maio de 2012 às 12:43

por Sérgio Amadeu, em Comunicação digital e a construção dos commons*

A integração de redes, a digitalização do conteúdo televisivo e radiofônico, a migração da telefonia para a internet, têm acentuado o crescimento das trocas de arquivos digitais e já indicam a perda de rentabilidade e de faturamento de velhos modelos de negócios.

Um dos segmentos mais afetados com a expansão da internet, por mais incrível que possa parecer, foi o setor da telecomunicação. O uso da voz sobre IP (Internet Protocol) viabilizou a possibilidade de redução de custos da telefonia fixa. A rede de computadores usava a rede de telefonia para transitar seus pacotes de dados. Estes pacotes, na internet, são formatados de acordo com um conjunto de regras, ou seja, de protocolos chamados de TCP/IP. De modo extremamente simplificado, o TCP quebra todas as informações que serão transmitidas em pacotes com determinado número de bits que serão remontados em outro computador que receberá a mensagem. Cabe ao TCP também definir como verificar se os pacotes chegaram corretamente, sem serem corrompidos no caminho. Estes pacotes são enviados para um endereço IP, e não podem existir dois IPs com o mesmo número, pois isso impediria que o pacote fosse enviado para o local correto.

As redes físicas, ou seja, as redes de telefonia, foram ampliando a capacidade de transferir os pacotes de dados. Foram aumentando a largura da banda. Quanto mais larga for a banda, mais rapidamente são transferidos os pacotes pela rede mundial de computadores. Hoje, em várias regiões ricas do Primeiro e do Terceiro Mundo, é comum encontrarmos a largura de banda de 1 Mb (Megabit) por segundo. Isso quer dizer que é possível transferir um arquivo que tenha aproximadamente 1 mil quilobits em um segundo. Ao promoverem a banda larga, com vistas a auferir maiores lucros, as empresas de telefonia acabaram viabilizando também a possibilidade de transferir voz e imagens por pacotes, ou melhor, usando os protocolos da internet.

A velocidade da transmissão dos pacotes supera a ausência de ligação contínua entre as duas pessoas que estão falando. Aí se encontrava o problema: as operadoras começaram a perder dinheiro, pois começaram a perder ligações telefônicas internacionais, depois ligações regionais, ligações entre as filiais de uma mesma empresa, espalhadas pelo país ou por um estado. Não tem muito sentido, para quem tem computador, pagar as tarifas de telefonia, se pode pagar bem menos usando um serviço de VoIP (voz sobre IP).

Diversas empresas estão implementando um software livre chamado Asterisk, que permite montar na rede algo como um grande PABX que liga todas as unidades da empresa. O setor público, capturado pelos lobbies, mal começou a usar a voz sobre IP para reduzir os custos com telefonia, mas é inevitável que isso ocorra. Tente estimar a quantia que um governo como o do Estado de São Paulo economizaria em suas contas telefônicas utilizando o Asterisk ou outro software aberto e não-proprietário para ligar todas as suas unidades.

Novas contradições. O dinheiro economizado por empresas, pessoas físicas ou governos com a voz sobre IP é o mesmo dinheiro que foi reduzido das corporações de telecomunicação. Os modelos de negócio baseados em telefonia tradicional correm risco fatal. As reações das empresas são diversas. A maioria delas tenta entrar no negócio de provimento de acesso e de voz sobre IP, oferecendo o que chamam de webfone. Entretanto, a concorrência é muito maior. Os preços praticados são muito menores que o do antigo modelo monopolista da telefonia. Essas corporações também estão buscando entrar firmemente no negócio de entretenimento ou de oferta de conteúdo, mas são mal recebidas pela empresas tradicionais que já ocupavam esse mercado.

Isto esclarece uma das principais razões pelas quais a Rede Globo fez um forte lobby sobre o governo para impor um padrão de TV digital que possibilitasse a menor entrada de um número de novos veiculadores de conteúdo. Representantes da Globo diziam abertamente que precisavam proteger a única multinacional brasileira que exporta conteúdos televisivos da concorrência aberta dos grupos internacionais de telecomunicação. A estratégia foi bloquear via padrão de modulação a temida concorrência das operadoras, mas também as diversas opções regionais e locais que emergiriam. Todavia, o que chamam de convergência digital trouxe e trará mais surpresas.

Uma das mais intensas e perigosas reações contra a perda de rentabilidade dessas empresas, mas também contra a criatividade e a inovação das redes informacionais, ocorreu nos Estados Unidos, em 2006. As operadoras de telefonia e as empresas de TV a cabo lançaram uma ofensiva no Congresso norte-americano para alterar as regras sob as quais se estabeleceu a convivência entre a rede de comunicação física e a rede lógica, permitindo a grande expansão da comunicação mediada por computador. A alteração das regras naquele país, entre as empresas que controlam a rede física de conexão e os inúmeros provedores de acesso e conteúdo, terá impacto mundial. Isso porque a maior parte do tráfego da internet passa pelos Estados Unidos e a maioria dos sites mais acessados estão hospedados lá.

Ainda no primeiro semestre de 2006, logo após a primeira tentativa de mudança legal por parte das corporações de telecom, formou-se um grande movimento de resistência, denominado Save the Internet. Este movimento reuniu pensadores, acadêmicos, pioneiros da rede, hackers e associações de defesa de direitos, inclusive a EFF (Eletronic Frontier Foundation). A mobilização em torno do site Save the Internet conseguiu obter mais de 1 milhão de assinaturas para uma petição, endereçada aos congressistas norte-americanos, intitulada “Don’t let Congress ruin the internet” (Não deixe o Congresso arruinar a internet). Para explicar a relevância da mobilização, os organizadores do site inseriram um FAQ (respostas às perguntas mais frequentes) que continha uma passagem extremamente esclarecedora:

“As maiores companhias nacionais de telefone e de cabo — englobando AT&T, Verizon, Comcast e Time Warner — querem ser gatekeepers [vigias ou porteiros] da internet, decidindo quais sites da web serão rápidos ou lentos e quais nem serão carregados. Querem taxar provedores de conteúdo para garantir a entrega veloz de seus dados. Querem discriminar [o tráfego da rede] em favor de seus próprios serviços de motores de busca, telefonia pela internet e seus serviços de vídeo streaming — enquanto retardam ou bloqueiam seus concorrentes. Estas companhias têm uma nova visão para a internet. Em vez de um campo de jogo uniforme, querem reservar pistas expressas para seus próprios conteúdos e serviços — ou beneficiar aquelas grandes corporações que podem pagar seus pedágios — e deixar para todos nós apenas uma estrada esburacada”.

Os controladores das linhas de telefone, por onde transitam os bits, querem interferir no seu fluxo, pois perceberam que ali poderiam obter maiores ganhos. Eufemisticamente, essas corporações de telecomunicações dizem defender a ideia da transparência dos pacotes na rede. A internet é uma grande rede de transferência de pacotes de informação. A rede mundial de computadores pode ser comparada à atual navegação comercial marítima. Nela, os navios transportam contêineres, todos com as mesmas especificações, independentemente de seus conteúdos. De modo semelhante, a internet transporta as informações em pacotes de dados, os datagramas, que seguem as determinações de protocolos TCP/IP.

Esses pacotes de dados apresentam um cabeçalho que contém informações sobre o seu endereço IP de destino e de origem, ou seja, de onde vieram e para onde irão; além disso, trazem outras informações que os identificam como uma mensagem de e-mail ou uma página de web etc.

As operadoras querem autorização para cobrar mais caro ou mais barato pelo tráfego dos pacotes, dependendo de quem os tenha enviado, do tipo de aplicação a que pertencem, se são páginas da web, músicas no formato MP3, mensagens de chats etc. Pretendem alterar a velocidade dos datagramas de empresas que pagaram mais, pretendem atrasar o uso de aplicações que não sejam de seu interesse. Assim, para um blog abrir com a mesma facilidade que o site de uma grande corporação, teremos que pagar mais.

Aqueles que não pagarem amargarão uma lentidão desestimulante. Caso vençam essa guerra, as corporações de telecom também poderão impedir o tráfego de determinados pacotes em sua rede física. Desse modo, poderão impedir que um cidadão utilize um serviço de voz sobre IP de uma empresa concorrente.

Os articuladores do movimento Save the Internet defendem o princípio da neutralidade na rede. Desde o início da internet até hoje, quem controla a camada física (de conexão) não pôde e nem teve interesse de interferir nas camadas lógicas (de fluxos de conteúdo). O tratamento de um em relação ao outro era de neutralidade. Isso assegurou que todos os pacotes de dados fossem tratados do mesmo modo ou de modo neutro. Esse princípio, também chamado de Primeira Emenda da internet, em alusão à Constituição norte-americana, é que está sendo atacado.

Aqui é preciso considerar que o termo neutralidade não é o melhor para expressar o que está em jogo nesse contencioso. Na verdade, até o momento, o que temos na rede mundial de computadores é o princípio da não-interferência ou da igualdade no tratamento dos pacotes de informação. Não importava quem havia enviado o pacote, o seu destino ou o seu conteúdo. Todos os pacotes deveriam transitar pelas redes sem que as operadoras de telefonia pudessem neles interferir. O que está em disputa é a liberdade de expressão e de circulação de ideias, atacada por uma ditadura não-estatal, de mercado. Para manter sua lucratividade, as empresas de telecom querem alterar o futuro da tecnologia e impor restrições financeiras à liberdade de fluxo de conteúdos.

*Excelente livro da Fundação Perseu Abramo assinado por Gustavo Gindre, João Brant, Kevin Werbach, Sergio Amadeu da Silveira e Yochai Benkler.

Posted in Temas diversos | Leave a Comment »