OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Viva, Doutor, viva.

Posted by alexproenca em dezembro 4, 2011


Desculpem se, de novo, externo emoções pessoais e coloco um título que deve estar sendo usado aos montes por aí.

É que preciso falar, não sei se em nome de uma geração, mas certamente em nome de uns tantos guris que se politizaram  em meados dos anos setenta , a quem alguns de nossos “gurus” diziam aquelas baboseiras do tipo “futebol é o ópio do povo”.

Que diabo, a gente adorava futebol, principalmente os que, como eu, jogavam muito mal.

Mas é que o Sócrates, o Doutor Sócrates, acabou com o mito de que não só o futebol era alienante como o de que o jogador de futebol era um alienado.

Aliás, o “Magrão” era o anti-jogador de futebol por essência. Nem grande e parrudo, nem veloz e arisco.

Que diabos, se ele, desengonçado como era, podia ser gracioso com a bola, se podia levá-la à frente tocando-a para trás, com seus passes de calcanhar, se podia reabilitar a barba nos gramados – falhada, é verdade, não a cerrada que proibiram ao Afonsinho, anos antes –  se podia fundar a “democracia corintiana” em plena ditadura, porque é que nós, jovens esquerdistas, tpinhamos de nos privar de nosso delicioso ópio esportivo em nome da ideologia?

Nunca mais tive vergonha de saber de cor a escalação do Fluminense de 1970, no velho e bom 4-2-4: Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antonio, Denílson e Didi, Wilton, Flávio, Samarone e Lula.

O Doutor nos redimiu das culpas.

Com ele, o destino não foi bom nem justo. O Paolo Rossi só pode ter feito um pacto com o diabo naquele 3 a 2 de 1982. E o pênalti  de 1986 foi de uma maldade que clama aos céus.

Mas não foi isso, tenho certeza, o que tornou amargo o grande Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, não foi.

Foi perder o entrosamento, como é tão fácil perder, quando a gente não tem mais a energia dos jovens, nem aprendeu ainda a ser sábio como os velhos.

Quando não descobrimos ainda como jogar de fora das quatro linhas.

Quando não descobrimos que é possível ensinar a tocar de calcanhar, mostrando que o que vai para trás pode ser o que nos leva à frente.

Que aquilo que se passou se projeta, em outros corpos, outros pés, outras cabeças, em busca de outros gols.

Viva, Doutor, viva, por favor. Se não por você, por nós, que estamos na torcida.

Precisamos de craques como você.

PS. Escrevi no final da noite de sábado. O dia começa com a notícia da morte de Sócrates, o domingo em que o Corínthians em que ele brilhou é o favorito para ser campeão, embora o valoroso e incrivelmente inesgotável Vasco ainda esteja na briga. Ganhe quem ganhar, hoje é um dia em que nenhum brasileiro que ame o futebol  – e não as correrias e trombadas que nos tentam fazer crer que ele é –  estará plenamente feliz.

PS2: O ex-presidente Lula, sua mulher, Marisa Letícia, e família acabam de experdir a seguinte nota de pesar:“O Doutor Sócrates foi um craque no campo e um grande amigo. Foi um exemplo de cidadania, inteligência e consciência política, além de seu imenso talento como profissional do futebol. A contribuição generosa de Sócrates para o Corinthians, para o futebol e para a sociedade brasileira jamais será esquecida. Neste momento de tristeza, prestamos solidariedade a esposa, familiares e amigos do Doutor”.

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