OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Em horário de pico, lotação é sinônimo para o transporte público sorocabano.

Posted by alexproenca em setembro 25, 2011


Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Carlos Araújo
carlos.araujo@jcruzeiro.com.br

Quem vê a doméstica Cleusa Josefa da Silva, de 55 anos, descendo a rua José Trugillano na contramão do sentido do ônibus que pretende pegar, pode pensar que ela está equivocada. E não é nada disso. Esta é simplesmente a alternativa que ela encontrou para conseguir embarcar no ônibus do Parque Vitória Régia com destino ao centro de Sorocaba em melhores condições para viajar rumo ao trabalho. Como Cleusa, milhares de passageiros se movimentam todos os dias e dependem dos ônibus para chegar aos seus destinos. E as reclamações, queixas, reivindicações de melhorias nos transportes ganham destaques na comparação com os elogios. Entre os termos usados para descrever as dificuldades na rotina das viagens, homens e mulheres que embarcam nos terminais e no meio dos percursos escancaram expressões como “vergonha”, “serviço precário”, “abusos contra o ser humano” e “falta de organização e respeito”.

A lotação leva muita gente a antecipar a viagem em meia hora ou mais, todos os dias, como forma de driblar o pico da movimentação de pessoas e conseguir fazer uma viagem em melhores condições. Além da lotação, os passageiros enfrentam filas para o embarque nas plataformas e para carregar cartão cidadão com créditos para as passagens ou para comprar o cartão unitário. Eles criticam atrasos e demora nos tempos de viagem, muitas vezes prejudicada pelo trânsito congestionado na área central da cidade. Também acham cara a tarifa de R$ 2,85, principalmente na comparação com os serviços prestados. E reivindicam providências por meio de mais ônibus, mais linhas e o fim das filas que consomem boa parte do tempo destinado ao deslocamento entre os diferentes pontos de destino.

A reportagem do Cruzeiro do Sul fez viagens nas últimas semanas, nos horários de pico da manhã e do fim da tarde, para constatar os problemas e ouvir o que os passageiros dizem. As críticas se misturam a manifestações de indignação e até mesmo de revolta. Outros não reclamam por achar que as queixas não chegarão ao prefeito Vitor Lippi (PSDB) porque denunciam problemas. Há os indiferentes. Elogios são raros. Quando vê representantes da Urbes – Trânsito e Transportes exaltarem as qualidades do serviço, a professora Conceição Domingues dos Santos, de 54 anos, tem reação direta e crítica: “Eles não andam de ônibus.”

Esta é exatamente a mesma reação do pedreiro Hélio Pinto Brito, de 45 anos, morador do Jardim Nova Esperança. Sobre o conjunto de problemas do transporte, ele desabafa: “Isso aí é falta de respeito com a sociedade, com o ser humano. Eu acho que a gente não merece ser tratado assim. Pela passagem que a gente paga, tinha que ter um conforto melhor, um tratamento digno. A gente não está pedindo nada de graça, a gente está pagando.”

Como pedreiro, Hélio tem serviços em vários pontos da cidade, do Éden ao Parque São Bento, e isso o leva a conhecer diferentes linhas de ônibus. Experimentado nessa rotina, ao conceder entrevista numa manhã no Terminal São Paulo, ele descreve: “Horário de pico é uma desgraça isso aqui. Tanto dinheiro e pouco investimento no transporte coletivo de Sorocaba, a realidade é essa. Enquanto os poderosos andam de carro importado, nós estamos andando de ônibus igual a sardinhas. Falta de respeito com as grávidas, idosos e crianças. Mulher grávida, às vezes, fica em pé, tinha que ter uma organização. Quando dão entrevista na televisão, dizem que o transporte é o melhor: eles não andam de ônibus.”

Acordam mais cedo

E lá vai Cleusa no seu passo firme pela rua José Trugillano. Ela passa por três ou quatro pontos, o que significa 15 a 20 minutos de caminhada, porque no ponto que fica na altura onde mora, no Parque Vitória Régia, os ônibus passam lotados. “Tinha que ter mais ônibus, porque aqui tem bastante gente.” O Vitória Régia é região densamente povoada e cresceu devido ao surgimento de novos bairros vizinhos: Porteira, Bonsucesso, Alpes, Imperador, Sorocaba Park, Jardim Cardoso.

A comerciária Viviane Daniela Leite, de 33 anos, está entre os passageiros que antecipam o horário da viagem como forma de fugir do momento em que o volume de pessoas aumenta e torna mais difícil o embarque pela manhã na rua José Trugillano. Ela chega ao ponto às 6h15 para embarcar no ônibus das 6h20. Poderia pegar o de R$ 6h50. Antecipa sua rotina em meia hora. Acorda às 6h, quando poderia sair da cama às 6h30. Segundo ela, às 7h é comum passarem até quatro ônibus seguidos e não pararem porque estão lotados. “É ruim, imagina, Deus o livre, o negócio de ônibus de manhã é duro, deviam colocar mais ônibus na parte da manhã”, reclama Viviane.

O estudante Paulo Roberto Robis, 19 anos, está às 6h30 no mesmo ponto de ônibus usado por Viviane. Ele utiliza o mesmo recurso de se antecipar ao “rush” para evitar o risco de perder ônibus e chegar atrasado na Cidade Universitária da Uniso, na rodovia Raposo Tavares, do lado oposto da cidade. “É para eu entrar na faculdade às 8h40”, ele justifica. Outra situação semelhante é vivida por Valquíria Margarete Leite de Jesus, de 43 anos, moradora do Bonsucesso, região também do Vitória Régia. “Passa ônibus lá (no Bonsucesso), entupido, nem para, aí tenho que vir aqui”, disse, referindo-se ao ponto da rua onde mora. São 15 a 20 minutos de caminhada até o ponto do Vitória Régia: “É uma vergonha.”

Outras linhas

A lotação de passageiros também afeta várias outras linhas. Entre elas, Júlio de Mesquita, Santa Bárbara, Sorocaba Park/Imperatriz, Campolim, Itavuvu, Éden e Cajuru. Para fugir das filas no terminal Santo Antônio, o maior da cidade, muitos passageiros embarcam na praça Frei Baraúna e na avenida General Osório. Com esse tipo de movimentação, os ônibus já chegam ao terminal com boa parte dos espaços ocupados e ali são completados pela multidão que engrossa as filas. Isto explica cenas em que portas têm dificuldades de serem fechadas nos horários de partidas. Do lado de fora das portas é comum funcionários dos terminais aparecerem para ajudar a fechá-las e assim garantir a partida dos ônibus.

A doméstica Josenilda Soares de Paula, de 34 anos, depois de embarcar num ônibus do Vitória Régia no terminal Santo Antônio e seguir viagem de volta para casa, no começo da noite de uma sexta-feira, critica: “Já está errado andar superlotado, é perigoso. O prefeito deveria colocar mais ônibus na linha para ajudar, (o transporte) é precário. A gente paga condução supercaro. O Vitória Régia é um bairro populoso, deveria ter uma atenção especial.”
E, de repente, no início da noite do último dia 16, dois homens conversam numa plataforma e atraem a atenção pelo visual. “Olha o Crespo ali”, reconhece o repórter fotográfico Pedro Negrão do Cruzeiro do Sul. Um dos homens é o vereador José Antônio Caldini Crespo (DEM), que foi presidente da Urbes e secretário dos Transportes no governo do ex-prefeito Antônio Carlos Pannunzio (1989-1992). O outro é o seu assessor, Marcelino Rusalen. Os dois usam boné, óculos escuros e camiseta esportiva.

Crespo diz que está ali disfarçado de passageiro comum para apurar uma informação sobre o funcionamento do terminal. E aprova o que viu: “Estou muito bem impressionado com o que estou vendo aqui, embora por amostragem. Fui ao banheiro, tem papel. Se eu tive algum mérito, foi ter formado uma boa equipe.” “Não achamos nada de errado”, diz Rusalen, acrescentando: “O que a gente viu hoje aqui é positivo. Uma fiscal se ajoelhou no chão para encaixar a roda de um cadeirante. Uma auxiliar, ela realmente estava ajudando o cadeirante, isto significa muito.”

Uma resposta to “Em horário de pico, lotação é sinônimo para o transporte público sorocabano.”

  1. Fatima Pires said

    Parabéns pela materia, realmente é isso que acontece e hoje vemos muitos trabalhadores (as) a andarem a pé por não ter dinheiro suficiente para a passagem.
    Eu tive a oportunidade de ver o fotografo no Terminal Santo Antonio quanto enfrentava uma fila “kiolometrica” para puder comprar passagem.
    O preço da passagem é altissimo, R$2,95 para quem não tem o cartão social.
    Se você nao tiver o passe terá e precisar descer no meio do caminho nao pode, pois como os onibus não têm cobrador e o motorista também não vende passe temos que ir até ao terminal de onibus comprar o bendito passe e voltar para trás no mesmo onibus, isso acho um absurdo.
    As empresas são previligiadas para que nao sobram assalto e nós os passageiros que somos os mais interessados, temos que “andar a passear de onibus”, isso precisa mudar.
    A cerca de duas semanas estive em Vitoria no ES e o preço da passagem por lá é R$2,30 os onibus são bem melhores que os que circulam em Sorocaba, lá também tem terminal de onibus onde se vc passa para outro onibus é gratuito,.
    Agora, imagem os onibus aparecidinha/via terra, mato dentro e mesmo o industrial/rila rica, poeirentos e um barulho horrivel, poucos onibus….
    Sobre a URBES eu já tentei fazer reclamação por escrito dentro dos terminais e acreditem, não exite um formulário que possamos preencher, mandam ligar no 156 que é um telefone pago. Em outras cidades funciona tanto a nivel de formulário com também telefone os funcionarios da URBES com os coletes amarelo ou verde, bom nada adianta.

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