OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Entidades mobilizam-se contra a libertação de acusado de racismo.

Posted by alexproenca em abril 22, 2011


Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

A libertação do comerciante Cláudio Tatsuo Kubo, acusado de racismo, um dia depois da sua prisão, causou indignação em integrantes de entidades que atuam em defesa dos negros. Representantes do Movimento das Mulheres Negras de Sorocaba (Momunes) se reuniram na quinta-feira (21) para elaborar um manifesto de repúdio ao benefício concedido ao acusado e cobrando maior rigor no cumprimento da lei que trata a questão como crime inafiançável. Kubo foi preso na tarde de terça-feira acusado por crime de racismo praticado contra a cabeleireira Vera Maria da Silva, após um acidente de trânsito.

A vice-presidente da entidade, Márcia Maria de Almeida, diz que toda comunidade negra está se sentindo ofendida com a ausência de um tratamento mais rigoroso por parte da Justiça com o caso, o que pode abrir precedentes para que outras situações como essa voltem a acontecer na cidade. “A Vera Maria foi muito corajosa em denunciar esse fato. Agora não podemos permitir que esse empresário saia impune diante de uma atitude tão ofensiva, por conta de alguma influência que possa ter por sua posição”, afirma.

Márcia reconhece que ainda hoje os negros e, principalmente, as mulheres negras sentem o preconceito no seu dia-a-dia, mas muitos deixam passar porque isso acontece de uma forma velada. Segundo ela, são poucos os que se dispõem a denunciar situações de racismo, justamente por acharem que não vai dar em nada. “Por isso é inadmissível que quando isso ocorre fique essa sensação de impunidade. Temos uma lei e o mínimo que esperamos é que ela seja cumprida, como forma de estimular outras pessoas para que também denunciem qualquer situação de racismo.”

O presidente do Conselho Municipal do Negro, Márcio Roberto dos Santos, conhecido como Márcio Brown, disse que também irá convocar na próxima semana uma reunião com representantes de todas as entidades que atuam na defesa dos negros para que se decidida qual a providência que será tomada em relação ao caso e o suporte que será dado para a mulher que fez a denúncia. Ele afirma que a libertação do acusado é motivo de preocupação para toda a comunidade, pois demonstra uma fragilidade muito grande por parte do Poder Judiciário em fazer valer o artigo 140 do Código Penal, que determina que o racismo é um crime inafiançável. “Não podemos aceitar que um dia a pessoa seja presa e no outro já esteja em liberdade.”

Na avaliação de Brown, não houve o rigor necessário para o julgamento do caso, com uma avaliação mais criteriosa sobre o grau de envolvimento entre as partes, se o autor já é reincidente e se ele cumpre o seu papel como cidadão. “As pessoas com mais influência e dinheiro acabam tendo privilégios. Mas se ele errou, tem que ser responsabilizado por esse erro e dar o exemplo para a sociedade, para que situações como essa não voltem a acontecer.” O presidente do Conselho reforça que a atitude da cabeleireira Vera Maria da Silva foi muito importante, pois somente com as denúncias é que se pode se quantificar casos como esses e cobrar o desenvolvimento e aplicação de políticas públicas em defesa dos seus direitos.

Entenda o caso

O comerciante Cláudio Tatsuo Kubo, de 59 anos, foi preso na tarde de terça-feira, dia 19, acusado por crime de racismo praticado contra a cabeleireira Vera Maria da Silva, 59 anos. Segundo denúncia apresentada por ela, e confirmada por testemunhas, ela teria sido chamada pelo comerciante de “macaca”, que também a teria insultado com expressões como “cala a boca negra imunda(…) pega o avião e volta para a África”.

As ofensas, segundo a acusação, teriam ocorrido após um acidente de trânsito, no centro de Sorocaba. A cabeleireira não estava envolvida no acidente, mas interferiu em favor de um idoso que teria batido o seu carro na traseira do carro dirigido pelo comerciante, que exigia que ele pagasse o prejuízo naquele momento. Diante da confusão, Vera Lúcia acionou a Polícia Militar e todos foram levados para o Plantão Sul da Polícia Civil, onde o delegado Fábio Laíno Cafisso deu voz de prisão ao acusado por injúria qualificada, prevista no artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, que prevê a reclusão de um a três anos de prisão, sem direito ao pagamento de fiança para responder o processo em liberdade.

Um dia pós ter sido preso, o advogado de defesa do acusado, Mário Del Cístia Filho, entrou com pedido de alvará de soltura alegando que o fato referia-se a uma discussão de trânsito, em que o comerciante não teria ofendido e nem praticado de violência ou grave ameaça contra ninguém. O alvará de soltura teria sido expedido pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Sorocaba, Marcos José Corrêa, por volta das 18h de quarta-feira.

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Uma resposta to “Entidades mobilizam-se contra a libertação de acusado de racismo.”

  1. Fatima Pires said

    Não pudemos aceitar nos dias de hoje esse tipo de situação e o pior ….o acusado sendo solto, sendo que o mesmo não é réu PRIMÁRIO. Onde está a justiça? PODER PUBLICO!!! IREMOS CONTINUAR ASSIM?? SERÁ QUE TODO O ATO DE RACISMO A POLICIA IRÁ CONTINUAR COLOCANDO ART.140???? ACORDA GENTE A LEI MUDOU….NAO QUEIRAM ESCONDER OS MALES FEITOS…VIVA A MULHER, VIVA O RESPEITO PELA MULHER, PELO IDOSO, POR NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES. NÃO AO RACISMO, SIM A JUSTIÇA. NÃO AO TRAFICO DE MULHERES E ADOLESCENTES.JUSTIÇA, JUSTIÇA, RESPEITO.

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