OPINIÃO

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Debate Mudanças Climáticas – Parte I

Posted by alexproenca em abril 20, 2010


A teoria “aquencimentista”, ou Aquecimento Global Antropogênico (AGA), é resultado de interesses escusos, incapaz de responder quais são os verdadeiros motivos que influenciam no aumento, ou diminuição, das temperaturas globais se baseando em números dentro de uma escala de tempo de centenas de anos quando deveria considerar a escala dos milhões de anos que a Terra tem.

Esses são alguns dos argumentos do geólogo e diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-Americana (MSIa), Geraldo Luís Lino, descrente de que as mudanças climáticas do globo são de responsabilidade humana, e autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial.

Escute a íntegra da entrevista que Geraldo Lino nos concedeu, e tire suas conclusões:

Entretanto as perturbações ambientais, cada vez mais frequentes, parecem corroborar as conclusões do quarto (e último) relatório de avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em 2007.

O documento conclui que as atividades de exploração e uso de recursos naturais da Terra – sobretudo queima de combustíveis fósseis e desmatamentos – estão contribuindo para a elevação da temperatura planetária. Nos últimos 140 anos, a média térmica aumentou oito décimos de graus centígrados (0,8ºC).

Até o final deste século o relatório prevê elevação mínima de 2ºC. Condição de alto impacto, uma vez que amplia em 13% a média da temperatura atual do globo, de 15ºC. Os efeitos dessas mudanças seriam: aumento de incêndios florestais; queda na produtividade agrícola; escassez de água; aumento do nível do mar; secas; degelos; ciclones tropicais, tempestades e temperaturas extremas.

O relatório do IPCC recomenda aos países que desenvolvam tecnologias limpas para alterar a base da sua produção energética – estima-se que, desde a década de 1990, cerca de 80% da energia consumida do mundo (nas residências, indústrias, e em meios de transporte) seja originária de matrizes fósseis (petróleo, gás natural e carvão), que são emissoras dos gases que intensificam o fenômeno de efeito-estufa, tido como principal vilão do aquecimento global.

Já os descrentes da teoria aquencimentista, como Geraldo Lino, defendem que as mudanças climáticas sempre ocorreram e que o homem deveria se preocupar em melhorar sua capacidade de adaptação inclusive para o possível resfriamento da Terra. Como exemplo, o geólogo destaca que há doze mil anos o hemisfério norte sofreu uma queda de temperatura de cerca de 8ºC, em menos de um ano. Em contrapartida, a recuperação dos oito graus perdidos ocorreu dentro de algumas décadas.

Lino diz que os fatores que definem o clima são múltiplos, sendo externos e internos ao planeta: ciclos do Sol, aquecimento e resfriamento dos oceanos, a espessura da camada de efeito-estufa e o calor gerado por atividade interna da Terra e liberado por erupções vulcânicas, fontes de água quentes superficiais e submarinas, ou por irradiação de calor do magma do centro do planeta.

O tempo de vida da Terra também é importante para o estudo da evolução do clima. “Para você ter ideia do que isso representa, os geólogos costumam usar o seguinte truque: se toda a história da terra, que tem 4,7 bilhões de anos, fosse condensada em um único ano, o atual período geológico, o Holoceno [período que se iniciou há cerca de 11.500 anos e se estende até o presente], teria começado depois de seis pra meia noite desse nosso ano geológico. A nossa Revolução Industrial [início do Século XVIII], que tem causado tanta preocupação em relação a seus impactos no clima, seria pensada nos últimos dois segundos antes da meia noite”, explica.

O geólogo diz ser evidente que o homem tenha algum impacto sobre o clima, mas somente em escala local, a exemplo da formação das Ilhas de Calor nos grandes centros urbanos. A falta de áreas revestidas de vegetação diminui o poder refletor da superfície dessas regiões elevando a absorção de calor local.

Lino aponta que a temperatura dos oceanos, por exemplo, tem mais influencia sobre o clima do que as atividades humanas sobre a Terra. Os mares apresentam ciclos longos de aquecimento e resfriamento sendo responsáveis pelas grandes variações climáticas, assim como os ciclos solares.

A Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês) tem sido base de estudos científicos para prever as alterações do planeta. A PDO é um padrão de temperatura com escalas temporais médias de 20 a 30 anos para o resfriamento ou aquecimento do Pacífico – o oceano é o maior entre todos os mares cobrindo 35% da superfície terrestre.

As pesquisas mais recentes sobre o movimento da PDO indicam que o Pacífico está passando pelo período de resfriamento dentro dos próximos 20 anos, o que poderá contribuir para a queda nas temperaturas globais.

Então, a quem interessa a teoria aquecimentista?

Levantamentos realizados pela organização ambientalista Greenpeace apontaram que entre 2005 e 2008, uma das maiores companhias petroquímicas privadas do mundo, a ExxonMobil, investiu US$ 9 milhões em estudos sobre a questão climática. Outro grande grupo multinacional do petróleo, as Indústrias Koch, gastaram cerca de US$ 25 milhões no mesmo período.

O Greenpeace alega que esses investimentos comprovam que milhares de cientistas, chamados de céticos do aquecimento global, estão sendo pagos para teorizar contra as mudanças climáticas.

Lino não nega que as gigantes do petróleo investem em pesquisas climáticas. Entretanto, rebate que os recursos alocados pela “indústria aquecimentista” movimentam muito mais. Estima-se que as despesas governamentais de “Planos de Redução de Emissões”, dos Estados Unidos, já ultrapassaram os US$ 30 bilhões.

“A indústria aquecimentista é um conluio de interesses. Começaram a perceber que tinham muito a ganhar com isso”, afirma o escritor. A criação de mercados para compra e venda de créditos de carbono, assim como a alocação de recursos para descarbonizar a economia, seriam partes de um mecanismo envolvendo governos, empresas de diversos segmentos e organizações ambientais, responsável pela movimentação de bilhões de dólares todos os anos.

O escritor declara que não existe hoje alternativa técnica e economicamente viáveis a substituição dos combustíveis fósseis. “Não há como alimentar uma sociedade urbanizada com energia solar e eólica. Elas são de aplicações pontuais que não podem dispensar as fontes tradicionais de geração que são as térmicas, nucleares e hidrelétricas”, completa.

Logo, como não existem alternativas aos combustíveis fósseis, qualquer esforço em grande escala no sentido de descarbonizar a base energética mundial significaria congelar os níveis de desenvolvimento sócio-econômicos atuais, “que já são extremamente desiguais e injustos”, ressalta.

O geólogo acredita que em algum momento a “histeria coletiva” do aquecimento global terá fim. “Não se pode enganar todos por muito, tempo. Já dizia Abraham Lincoln”, recorre.

Como as condições que determinam as mudanças climáticas são imprevisíveis, o pesquisador diz ser fundamental que os governos desenvolvam estudos não só para se precaverem de um possível aquecimento global, mas também de resfriamentos. A exemplo do que ocorreu em 1815, quando o vulcão do monte Tambora, na Indonésia, entrou numa das mais violentas erupções presenciadas pela humanidade provocando drásticas quedas de temperatura durante dois anos – 1816 ficou conhecido como “o ano sem inverno”. O resultado foi a quebra de safras em grande parte do planeta ocasionando fome e aumento de taxas de mortalidade em toda europa.

O fonômeno ocorreu porque as partículas expelídas pelos vulcões ficam suspensas no ar por muito tempo. Elas funcionam como refletoras dos raios solares, impedindo que o calor entre na Terra.

Escute a entrevista aqui.

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