OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Metalúrgicos de Sorocaba protestam contra risco de redução de salários.

Posted by alexproenca em janeiro 28, 2009


O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizou, na madrugada de ontem, uma manifestação contra o desemprego e as ameaças de demissão e corte de salários levantadas pelo setor industrial nos últimos dias. O protesto começou de madrugada e seguiu até 8 horas da manhã, na avenida Independência, próximo ao acesso à Castelinho. O ato reuniu, de acordo com a organização, cerca de 10 mil pessoas, que seguiam nos ônibus das empresas e foram interceptadas pelos manifestantes. O objetivo foi passar aos trabalhadores a versão do sindicato sobre a crise mundial e a posição contrária a todo tipo de negociação que envolva redução de salário. Avaliamos que isso só vai agravar a crise, pois diminuirá o poder de compra do trabalhador, o consumo e aumentará a recessão, falou Ademilson Terto da Silva, presidente da entidade.

Dados locais do Sindicato dos Metalúrgicos mostram que o número de homologações que passaram pela entidade (demissões de funcionários com mais de um ano de registro em carteira) aumentou bastante neste mês de janeiro: um total de 1.086, enquanto que, em janeiro de 2008, o número ficou em 362. Porém, temos que deixar claro que essas homologações são referentes somente às demissões de dezembro. Só a Flextronics, por exemplo, dispensou 2,4 mil funcionários e representa 68% do total de demissões registradas no final do ano, explicou Terto. Em dezembro de 2008 foram registradas 376 homologações, contra 284 no mesmo período do ano anterior. Vale lembrar que todos os dados apresentados referem-se somente às demissões, sem levar em conta o número de contratações. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Sorocaba teve o pior dezembro dos últimos nove anos, com 4.211 admissões contra 9.336 demissões no mercado de trabalho de maneira geral, envolvendo todos os setores da economia.

O cenário, entretanto, não é considerado negativo pelo sindicato, que destaca, por exemplo, a contratação, por cinco indústrias do setor de bens de capital, de 150 funcionários somente nos primeiros 15 dias de janeiro, um período em que as admissões não são comuns. Além disso, para fevereiro, a entidade possui menos de 400 homologações agendadas (funcionários demitidos neste mês de janeiro que cumprem aviso prévio), o que leva a diretoria a prever que não será superada a média mensal de homologações registrada no ano passado, que foi de 380.

Como apoio ao protesto, o Sindicato dos Metalúrgicos distribuiu, aos trabalhadores, um jornal que, entre suas matérias, destacava a origem da crise, nos Estados Unidos, e a posição de economistas de várias partes do mundo, que alegam que o Brasil será um dos países menos afetados. Os empresários brasileiros têm faturado como nunca nos últimos anos, diz a publicação, que também elenca as medidas anticrise já tomadas pelo governo Lula, como redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da alíquota do Imposto de Renda (IR) e a liberação de créditos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Avaliamos que as empresas têm saídas para superar a crise, como recorrer a férias, banco de horas e licença remunerada, por exemplo. Estamos negociando acordos individuais, dependendo da situação de cada empresa. Existem algumas, inclusive, que ainda mantêm funcionários em férias coletivas. Nossa condição é que o emprego e o salário sejam mantidos, disse Terto.

Campeã de rotatividade

Dentre as indústrias do setor instaladas na cidade, o Sindicato dos Metalúrgicos considera a Flextronics como a principal responsável pelo alto número de demissões registradas. Somente no último mês de dezembro, 2,4 mil trabalhadores foram dispensados da fábrica e, de acordo com Ademilson Terto, apesar do avanço de negociações para utilização de banco de horas para a manutenção dos postos de trabalho, a previsão da multinacional é demitir mais 1,2 mil. É a empresa com maior rotatividade. Até outubro de 2008 eles tinham mais de 8 mil funcionários. Infelizmente, trabalham muito com contrato por tempo determinado e funcionários temporários, sem estabilidade de emprego, comentou.

Questionada, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre a situação apresentada pelos metalúrgicos, a Flextronics não se posicionou sob a alegação de que alguns de seus diretores, que poderiam falar sobre admissões e demissões, estavam fora da cidade.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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