OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Quem é Dilma?

Posted by alexproenca em maio 8, 2008


Informações atualizadas, em:

www.dilma13.com.br

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Nomeação para Casa Civil resulta da influência crescente que Dilma exerce junto ao presidente (Fernando C. Vieira)

Elmar Bones
Colaborou Adriana Lampert

http://www.jornalja.com.br/reportagem_detalhe.php?id=45

No site do governo, a biografia de Dilma Vana Rousseff é resumida em poucas linhas: economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Teoria Econômica e doutora em Economia Monetária e Financeira pela Unicamp. Secretária da Fazenda do município de Porto Alegre (1986-1988), presidente da Fundação de Economia e Estatística (1991-1993) e secretária de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul (1993-1994 e 1999-2002). Em 2002, coordenou a equipe de infra-estrutura do “governo de transição” do presidente Lula.

É seu estilo. Reservada, sem apetite para os holofotes, prefere agir a falar. Depois que assumiu a Casa Civil no dia 21 de junho, deu apenas uma entrevista ao Bom Dia Brasil, para esclarecer que não é uma tecnocrata, como os jornais deram a entender. Desde então, trabalha em silêncio, num ritmo que os assessores não conseguem acompanhar.

Sua prioridade, não revelada: impedir que a maré de denúncias alcance o presidente Lula. O primeiro princípio de sua estratégia já foi aplicado na demissão sumária dos diretores de Furnas, assim que foram apontados como suspeitos. Dilma convenceu Lula a mudar: não tem que esperar a prova, denúncia tem que ser apurada, com os suspeitos fora do cargo. O governo deve dar sinais claros de que não vai acobertar nada.

Na parte operacional, Dilma trabalha para integrar os ministérios, que estão a bater cabeças. Pretende dar um choque de gestão nos programas sociais, já que na política econômica não há condições para mexer.

Esta é uma avaliação extraída de entrevistas com vários intelectuais e políticos de Porto Alegre, que convivem com Dilma Rousseff. Nenhum deles falou com ela sobre essas questões mas por conhecerem como ela pensa e age, fazem estas deduções.

Dama de Ferro? Nenhum dos amigos próximos de Dilma Rousseff acha que o apelido lhe cai mal. Ela é mesmo durona e tem uma capacidade de trabalho incomum. É capaz de discutir à exaustão um assunto, mas quando firma uma convicção é inflexível. Mulher macho, como disse Gilberto Gil? “Não no sentido de masculinidade, ela é muito feminina. No sentido de audácia, de coragem, sim, com certeza”, diz um amigo.

Quando esteve presa, nos anos 70, o promotor que a denunciou chamou-a de “Joana d’Arc da subversão”, “papisa da guerrilha”, “criminosa política” e “figura feminina de expressão tristemente notável”. O deputado Roberto Jefferson, que detonou o escândalo do mensalão, diz que ela é “uma mulher vertical” e elogia sua sensibilidade para música dos grandes autores.

Quem diz que ela é uma “técnica”, com certeza não a conhece. Dilma entrou na política quando estudava em Belo Horizonte, em plena ditadura, época em que eram raras as mulheres economistas. Tinha 20 anos.

Sua militância nas organizações de esquerda que combatiam a ditadura militar foi intensa e nos anos de clandestinidade não escapou a um problema muito comum entre as guerrilheiras, a contingência de um aborto.

Mas sobre esse período ela raramente falou. No livro “Mulheres que foram a luta armada”, mereceu uma página, mas não deu depoimento ao autor, Luiz Maklouf Carvalho. Só em 2003, quando se tornou ministra de Lula, abriu uma exceção e aceitou falar, para corrigir algumas informações publicadas no livro. Não voltaria ao assunto. Quando foi nomeada para a Casa Civil, o jornal Folha de S. Paulo teve que recorrer a Maklouf para publicar trechos daquele depoimento sobre seu passado guerrilheiro.

Dilma nasceu em Belo Horizonte, mas se criou em Uberaba. É filha do engenheiro búlgaro Petar Roussev, que no Brasil passou a chamar-se Pedro Rousseff. Era poeta conhecido nos círculos intelectuais de seu país. Em 1930, saiu da Bulgária por motivos políticos. Morou em Paris, acabou em Minas Gerais, na construção da siderúrgica Manesmann. Casou com a professora Dilma Jane Silva, de Friburgo (RJ), de destacada beleza. Quando morreu era um homem rico, com grande patrimônio em imóveis.

Embates com Carlos Lamarca

Dilma começou sua militância em 1967 na Política Operária (Polop), organização da esquerda radical, para a qual foi recrutada pelo noivo (depois marido) Cláudio Galeno de Magalhães Linhares.

No início de 1969, foi presa em Belo Horizonte com outros militantes, mas conseguiu fugir de forma surpreendente. Desceu pelo elevador e saiu por um buraco na parede. Para escapar ao cerco em BH, mudou-se com o marido para o Rio.

A estas alturas ambos militavam no Comando de Libertação Nacional (Colina), que aglutinou pequenas organizações da esquerda radical. Ensinou marxismo para militantes do Setor Operário, escreveu artigos no jornal Piquete, ajudou na infra-estrutura de assaltos a bancos e chegou à direção do Colina. Como dirigente, fez viagens constantes ao Rio Grande do Sul, Brasília, Goiânia. Estava no congresso em Mongaguá (SP) quando se criou a VAR Palmares e estava no de Teresópolis (RJ) onde se deu o traumático “racha dos 7”, do qual saíram Carlos Lamarca e sua VPR.

Segundo um ex-companheiro daqueles tempos, foi quem sustentou com mais firmeza o embate teórico com Lamarca, que se apegava à tese guevarista, de levar a luta armada para o campo. Ela defendia um período de acumulação de forças e organização da resistência nas cidades. Sua atuação foi decisiva para a preservação da VAR Palmares, liderada por Carlos Araújo, que seria seu segundo marido. A ruptura com Lamarca e seu grupo não prejudicou sua amizade com Iara Iavelberg, a companheira do “capitão do terror”.

Quando a VAR Palmares promoveu sua ação mais espetacular, o seqüestro do famoso “cofre do Adhemar”, em julho de 1969, Dilma era da cúpula da organização. Na primeira edição do livro, de 1998, Maklouf diz que ela era uma das duas mulheres (a outra era Sonia Lafoz, a Mariana) do grupo de doze pessoas que invadiram a casa da amante do ex-governador, onde estava o butim de 2,5 milhões de dólares. No depoimento de 2003 ela negou que tivesse participado da ação.

Em janeiro de 1970, o marido participou do seqüestro de um avião e foi para Cuba. Ela foi presa dias depois, em São Paulo. Ficou 22 dias sob tortura, mas não entregou os companheiros. No depoimento de 2003, ela contou que passou pela palmatória e pelo pau de arara até sangrar. Só foi sair da cadeia três anos depois.

Saiu da cadeia e mudou-se para Porto Alegre, onde Carlos Araújo estava preso. Um antigo companheiro lembra dela nessa época: aparência descuidada, óculos quebrados, remendados com fita adesiva.

No Ministério de Minas e Energia, ela ganhou prestígio como “técnica”(L.A.Ferreira)

Na Casa Civil, terá o desafio de exercitar seus dotes políticos (Fernando C. Vieira)

Implacável com a corrupção

Em Porto Alegre, com o desmonte das organizações guerrilheiras, Dilma ligou-se à juventude do MDB e engajou-se na luta pela anistia. Formou-se em economia e, em 1979, ingressou no PDT, recém fundado por Leonel Brizola. Com a eleição de Alceu Collares para a prefeitura de Porto Alegre, em 1985, ocupou a secretaria da Fazenda do município. Quando chegou ao governo do Estado, em 1994, Collares nomeou-a inicialmente para a Fundação de Economia e Estatística, depois para a secretaria de Minas e Energia. Nesta função foi implacável com as denúncias de corrupção que atingiam a Companhia Estatal de Energia Elétrica (CEEE). Num dos casos, determinou a sindicância que implicou o irmão do atual governador Germano Rigotto e que levou a uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembléia gaúcha.

Foi indicada para o mesmo cargo pelo governador Olívio Dutra, petista eleito com apoio do PDT. Em março de 2001 filiou-se ao PT, acompanhando um grupo de dissidentes do PDT liderados pelo ex-prefeito de Porto Alegre, Sereno Chaise. A ruptura lhe rendeu críticas ásperas dos pedetistas. Alceu Collares, agora deputado federal, até hoje a considera “uma traidora do PDT”.

A experiência como secretária de Energia do governo Olívio, quando enfrentou com o sucesso as agruras do apagão, credenciou-a para o ministério de Lula. Foi uma das coordenadoras da transição e indicada para as Minas e Energia na primeira hora do governo. Sua indicação para a Casa Civil, em substituição ao ministro José Dirceu, envolvido nas denúncias do mensalão, decorre da influência crescente que ela vem conquistando junto ao presidente há mais ou menos seis meses.

Uma de suas amigas mais próximas, Lícia Peres, destaca sua capacidade de “ser solidária”. Casada com Glênio Peres, um dos fundadores do PDT no Rio Grande do Sul, já falecido, Lícia conheceu Dilma no início de 1974. “Ela chegou aqui em casa e me entregou um abaixo-assinado e um recado da Terezinha Zerbini para que fosse criado em Porto Alegre um Movimento Feminino pela Anistia. Disse que era um movimento muito importante e que, como ela era de Minas Gerais e também muito visada, não tinha como assumir a direção”.

“Nos tornamos amigas. Uma amizade fraterna. Ela sempre esteve muito presente em minha vida. Ela é muito inteligente, perfeccionista, é brilhante. Tem uma cultura geral vasta. Conhece ópera, literatura. Se aprofunda no conhecimento. É uma amiga de todos os momentos. Ela tem profundidade de sentimento. Foi importante em todos os momentos da minha vida. Uma das amigas mais queridas”.

Ficou casada quase 30 anos com o Carlos Araújo, tiveram uma filha, Paula, que é juiza em Porto Alegre. “Hoje a Paula tem uns 27 anos, eu acho. Eu a vi nascer. A Dilma é uma ótima mãe. É apaixonada pela Paula. Sempre teve muito orgulho da filha. A Paula se formou em Direito. Fui na formatura dela. A Dilma sempre foi muito idealista. Sempre querendo intervir de alguma forma para melhorar o mundo”.

Lícia a define como “profissionalmente objetiva – não faz jogo social das aparências. É direta, responsável. Como ser humano ela é admirável. Convivemos em casa, trabalhamos na assessoria do PDT”.

“Tudo o que ela faz é com muito critério e responsabilidade. Ela gosta de ouvir Mozart, Vivaldi, ópera. Gosta de literatura, lê muito. É profunda nos sentimentos, se pode contar com ela. Em qualquer tipo de problema, ela é solidária”.

“Viajamos juntas nas férias. Fomos à Europa, Argentina, Estados Unidos. Nas viagens ela queria ver tudo. Acordava cedo para ir aos museus. Gosta muito de cultura, de comer bem (de uma boa comida)… gosta de teatro, concertos… Compras ocorriam, mas não eram o foco principal”.

“A Dilma é uma ótima motorista. Ela sempre dirigia o carro nas viagens. Ela tem audácia, não tem dificuldade de dirigir em qualquer situação. Ela vive a vida com muita coragem. Gosta de tragédia grega, chegou a fazer um curso de teoria da tragédia grega. Teve uma época que gostava de acordar cedo para ir caminhar, fazer exercícios. Gostava muito”.

O teatrólogo Ivo Bender diz que Dilma é “uma pessoa intelectualmente inquieta”. Em 1993 ela foi sua aluna num curso livre sobre “A questão do trágico e da tragédia grega” , durante um semestre. Era um dia por semana, das 19h às 22h. “Mas às vezes saímos de lá quase 23h. Porque nos empolgávamos e entrávamos num debate ardoroso…”

“Me encantei com ela”, diz Bender. Sempre acompanhou as aulas com muito interesse. Vinha com os textos todos lidos. Às vezes tinha idéias específicas sobre o texto que ela estava lendo. Ela é muito interessante, era uma aluna instigante, questionadora, tinha posições radicais em relação aos textos que líamos”.

“Nas viagens pelo mundo afora, o teatro e a ópera eram suas atividades constantes. É uma leitora obsessiva. Acho fantástica a generosidade e lealdade dela. Fora a qualidade de ter um lado científico complementado por um lado humanista, cultural. De início ela é distante (meio arredia), depois que pega confiança…. ela tem muito senso de humor”.

Quem não gosta nem um pouco de Dilma, por sua atuação no ministério das Minas e Energia, são os movimentos ambientalistas. Eles se declaram desapontados com sua insensibilidade para as questões ambientais e suas posições a favor das grandes hidrelétricas. “De fato, não tivemos uma experiência muito boa com a ministra”, diz Miriam Prochnow, coordenadora da Rede Mata Atlântica.

As ONGs que formam a rede, inclusive, deram à Dilma o “Troféu Motosserra”, no ano passado. Para o Greenpeace, a ministra representou um retrocesso. “O Brasil foi uma das maiores lideranças dos países em desenvolvimento com respeito a clima e energias renováveis. Agora renunciou a essa posição, deixando de conquistar financiamentos para alternativas sustentáveis”, diz Marcelo Furtado, coordenador do Greenpeace.

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Uma resposta to “Quem é Dilma?”

  1. Sempre DILMA !

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