O levantamento dos aldeões e dos escravos no meio do século XVIII antes da nossa era
4 – O levantamento dos aldeões e dos escravos no meio do século XVIII antes da nossa era
As desordens deram-se logo depois da morte de Amenemhat III, o último grande rei da XII dinastia. Dos seus sucessores, um reinou nove anos, o outro quatro, depois do que se extinguiu a XII dinastia. Houve um período de insurreições e de guerras intestinas que durou perto de oitenta anos. Não temos qualquer informação rigorosa a seu respeito.
As fragmentárias informações revelam que os reis se sucediam a curtos intervalos, que um deles reinou apenas três dias, e que um outro se chamava Mer-meshu, quer dizer, chefe dos «militares».
É talvez desta época que datam os acontecimentos evocados em dois textos literários. São eles as Profecias de Neferty, conservadas no Museu do Convento, em Leninegrado, e o Conselho de um Ajuizado (em Leyden), rigorosa descrição de factos que o autor supõe referir-se ao rei.
Ipour descreve ao faraó as terríveis calamidades que, segundo ele, caíram sobre o Egipto como consequência de um governo ímpio, e do respeito devido aos deuses e dos deveres impostos pela religião.
A crer pela sua linguagem, esta obra remonta a época do Médio Império. O académico Struvé julga que os acontecimentos relatados por Néferty e por Ipour datam de um reinado da XIII dinastia, quer dizer, do fim do Médio Império. Mas certos investigadores soviéticos e estrangeiros têm dúvidas sobre isso e crêem que os dois textos são mais antigos.
O Conselho de um Ajuizado relata uma sublevação maciça dos aldeões, artesãos e escravos, que havia ocorrido em todo o Egipto. Os rebeldes são miseráveis, que nada possuem; aprisionaram o rei, expulsaram os ricos dos seus palácios, lançaram as múmias fora dos túmulos, ocuparam os templos e puseram termo aos ofícios religiosos. Apoderaram-se dos armazéns reais, senhoriais e sacerdotais, e declararam propriedade nacional todo o trigo que encerravam.
Instalados nas casas dos ricos, os rebeldes envergaram o vestuário deles e os seus adereços e obrigaram os senhores a trabalharem para eles.
Segundo a expressão de Ipour, «a terra revolveu-se; como um torno de oleiro». Os revoltosos tomaram o palácio da justiça, destruíram as actas, lançaram à rua os rolos das leis, exterminaram Os escribas com as suas listas de colectas.
A casa do rei ficou sem rendimentos e os templos sem ofertas. Infelizmente as fontes não indicam qual o poder que se instalou no lugar dos faraós destituídos.
Aproveitando o enfraquecimento do Egipto, tribos nómades asiáticas invadem, em 1710 antes da nossa era, o norte do vale do Nilo. Manéthon chama a estes invasores os Hicsos. A capital dos seus reis é Avaris, no Baixo Egipto. Pesadas contribuições são impostas aos Egípcios, e os aldeões tornam-se os escravos dos dominadores estrangeiros.
Os Hicsos são tolerantes para com a aristocracia autóctone; no Sul, e parcialmente no Norte, deixam que o poder fique nos antigos dirigentes, muito embora submetendo-os à sua fiscalização. Os templos são pilhados e alguns são destruidos.
O jugo dos Hicsos dura mais de cem anos e não é repelido senão pelos primeiros faraós do Novo Império.
fernanda disse
muito bom esse texto, fui fazerum trabalhoo e gotei muito ….