Desenvolvimento político do Antigo Império do Egito.
3 – Desenvolvimento político do Antigo Império
A história política do Antigo Império é ainda insuficientemcnte conhecida; as inscrições gravadas nos túmulos dos senhores não dão senão informações fragmentárias sobre tal ou tal acontecimento (por vezes capital); os textos mais recentes dos papiros egípcios e de Manéthon contem sobretudo lendas das quais é muito dificil extrair a verdade histórica.
Sem contar com o facto de que a cronologia do Antigo Império não pode ser estabelecida senão aproximativameflte.
Os faraós das III e IV dinastias eram conquistadores. Snéfru, da IV dinastia, distinguiu-Se especialmente. Uma expedição à Etiópia proporcionou-lhe 200 000 cabeças de gado. Foi vitorioso na Líbia, anexou o Sinai ao Egipto, região aquela que era rica em minas de cobre, e enviou uma expedição à Fenícia para ter madeira de cedro.
Nas fronteiras do Egipto erigiu fortificações destinadas a proteger o país contra as invasões. As guerras de conquista continuaram no tempo do seu filho Kéops (deturpação do nome grego Khufu), que também fez uma expedição ao Sinai.
Os soberanos da III e IV dinastias fizeram importantes trabalhos de construção, em primeiro lugar, as pirâmides, que mais tarde os gregos enumerariam entre as sete maravilhas do mundo. As pirâmides são gigantescos túmulos de reis, construídos em blocos de pedra. A maior (perto da vila de Gizé, nos subúrbios de Ménfis) foi construida por Kéops; media cerca de 230 metros de lado e 146,5 metros de altura, compondo-se de dois milhões de blocos, pesando cada um duas toneladas e meia. No interior deste edifício gigante havia corredores e câmaras.
A pirâmide em que se encontrava a múmia do faraó era destinada aos ritos de Osíris, que, segundo a crença dos Egípcios assegurava a ressurreição do rei e o seu acesso à moradi celestial dos deuses. Junto da pirâmide erigiram-se templos, cujos sacerdotes se dedicavam a cerimónias de magia.
As pirâmides eram cercadas de túmulos senhoriais, que em árabe se chamam mastabas (a banqueta). Enquanto que durante as duas primeiras dinastias os túmulos dos senhores não cediam em dimensões aos dos reis, e o túmulo de Hemaki até os ultrapassava, as mastabas do Antigo Império, imponentes edifícios de pedra, parecem, todavia, íntimas ao lado das enormes pirâmides. Essa diferença mostra, de algum modo, o crescente poderio dos reis do Egipto.
Para a construção das pirâmides recrutavam-se turnos de trabalhadores, que recebiam nos armazéns reais viveres e vestuário. Os sinais deixados nas pirâmides permitem aos arqueólogos calcular o número desses turnos. Sabemos, por exemplo, que a pirâmide de Kéops exigiu quatro turnos.
Constituídos por hábeis trabalhadores de pedra, eram dirigidos por um arquitecto do rei e por contramestres. Os construtores tinham a ajuda da grande massa de trabalhadores, entre os quais se contavam, certamente, membros das comunidades, arrancados aos trabalhos campestres e mandados para Gizé, para trabalharem as pedras, para as conduzirem em cima de camelos e para as alçarem por intermédio de dispositivos de madeira e cordas a uma altura vertiginosa.
A construção das pirâmides exigia esforços consideráveis. Os historiadores gregos conheceram uma tradição relativa aos descontentamentos suscitados no povo por esses trabalhos: segundo Diodoro os rebeldes teriam lançado as múmias dos faraós para fora das suas esplendorosas sepulturas.
Seja como for, os faraós da V dinastia renunciaram a construir grandes pirâmides. Os seus túmulos, construídos em Sakkarah, são muito mais modestos que os de Gizé. Todavia, estes reis construíram, em louvor de Rã, deus de Heliópolis, templos ornados com obeliscos brancos de 70 metros de altura.
Os faraós da V dinastia continuaram as guerras de conquista: as suas inscrições falam de conflitos com as tribos da península de Sinai e de razias na Líbia. As relações económicas e diplomáticas com a Síria consolidam-se. Encontrou-se um baixo-relevo que representa uns barcos vindos, das costas da Fenícia e que algunS sábios supõem representar a chegada de uma princesa síria que havia desposado o faraó Sahurâ.
Grandes expedições foram organizadas por Pépi I, da IV dinastia: as tropas egípcias penetraram, pouco a pouco, na Etiópia do Norte e no Sul da Palestina. A inscrição de Uni relata as destruições causadas na Palestina, os invasores destruiram as localidades reduziram a nada os figueiraiS e os vinhedos e regressaram com prisioneiros que os Egípcios designavam pelo expressivo nome de «mortos vivos».
Iris Freitas disse
Bom texto, só queria deixar óbvio a possibilidade de desenvolver esse texto mais na idéia d relação política, religião e piramides, seria muito importante.Obrigado pelo espaço para deixar o comentário.