Apicultura, propriedade fundiária e posse das terras
3 – Apicultura, propriedade fundiária e posse das terras
A população do Império de Babilónia ocupava-se cssencialmente na agricultura. A grande criação de gado não estava desenvolvida senão no Sul, como outrora, no litoral que oferecia vastas pastagens nos locais pantanosos.
Entre as culturas, o primeiro lugar cabia ao trigo, à cevada e ao sésamo. A mais vulgar das árvores frutíferas era a tamareira. Os campos davam, em condições normais, abundantes colheitas que eram suficientes para as necessidades da população e criavam mesmo excedentes, uma parte dos quais ia encher os armazéns do rei e dos templos, sob a forma de impostos in natura, sendo o resto vendido no mercado.
As reservas de trigo do Palácio e do Templo eram parcialmente postas em circulação (no tráfico com as tribos pastorícias do deserto sírio). O grão constituía o principal valor de troca agrícola.
O rei era nominalmente o proprietário supremo de todas as terras do império. Mas a extensão dos domínios colocados sob o controlo directo do Palácio encontrava-se consideravelmente reduzida cm relação aos tempos da III dinastia de Ur.
Os grandes domínios reais (no Sul, por exemplo) eram geralmente divididos em pequenas parcelas entregues em regime de renda a altos dignitários, a guerreiros e aos cultivadores, que pagavam in natura (em trigo). Tais lotes eram inalienáveis.
Uma parte das terras pertencia aos templos, mas as suas dimensões eram também muito mais pequenas do que no III milénio. O mesmo se pode dizer das terras das comum idades de vizinhança. As origens mencionam ainda as terras comunitarias geridas pelos anciãos, mas disso já nao restava muito.
As comunidades conservavam direitos exclusivos nos sectores dos canais (até mesmo chegando a proibir a pesca a estrangeiros), mas a terra pertencia as famílias.
Hoje é impossível calcular a superfície total das terras pertencentes às famílias patriarcais e às pequenas familias, O que é claro é que o desenvolvimento da produção mercantil e do sistema eselavagista contribuía para consolidar a propriedade privada.
Descobriram-se arquivos de usurários que especulavam com os campos e os pomares.
Mas diferentemente do que sucedia com as famílias nobres dos primeiros Estados sumerianos, que possuíam latifúndios, os proprietários babilónicos eram modestamente aquinhoados nos lotes que recebiam.
Segundo cálculos aproximados, 90 por cento dos proprietários privados não tinham mais de 8,5 hectares de superfície, os domínios de várias dezenas de hectares contavam-se por unidades, tendo a maior propriedade conhecida na época 31,5 hectares.
Os proprietários privados alugavam uma grande parte das suas terras, por lotes, a pequenos produtores. Os rendeiros deviam pagar até dois terços da colheita. A cultura dos cereais nos terrenos privados geralmente não era suficiente, a não ser para alimentar o próprio proprietário, os seus escravos e os seus assalariados.
Todos os proprietários eram dignitários reais, sacerdotes ou tamkarums (grandes mercadores e usurários). Os seus principais rendimentos não vinham das terras, mas do seu lugar (no Palácio ou no Templo) ou dc operações comerciais e usurárias.
Certos altos funcionários da corte ou da administração viviam por conta do Palácio e recebiam, de tempos a tempos, belos presentes do rei. Além disso, enriqueciam espoliando os seus administrados.
Aos sacerdotes eram distribuídos os imensos rendimentos dos templos, adquiridos, antes de mais, mediante os pagamentos feitos pelo tesouro real para o sustento deles, depois com a criação de gado e com a usura, e finalmente com o produto do preço das cerimónias dos sacrifícios, pago pelos particulares e pelas comunidades.
Assim, pois, tal como no III milénio, esta camada de exploradores da sociedade babilónica vivia à custa das comunidades rurais e dos escravos. A sociedade esclavagista do antigo oriente é caracterizada por esta dupla forma de exploração.
tamara disse
esse texto esta muito bom!
eu adorei!