OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Posts de Janeiro, 2009

Manifestações reúnem mais de 1 milhão na França.

Publicado por alexproenca em Janeiro 30, 2009

Manifestações reúnem mais de 1 milhão na França

Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil

Manifestação no centro de Paris (AP)
Governo de Nicolas Sarkozy teme que protestos se espalhem pelo país

Milhões de pessoas saíram às ruas na França, nesta quinta-feira, para reivindicar maiores garantias para seus empregos e salários e também protestar contra os pacotes do governo para enfrentar a crise econômica que, na avaliação dos manifestantes, beneficiariam apenas bancos e empresas.

Segundo a polícia, as manifestações desta quinta-feira reuniram cerca de 1 milhão de pessoas em todo o país. Já os sindicatos afirmam que este número pode chegar a 2,5 milhões.

No total, cerca de 200 passeatas foram realizadas em várias cidades do país durante o dia de greve geral convocado pelos sindicatos.

Em Paris, a manifestação reuniu 300 mil pessoas, de acordo com a confederação sindical CGT. A polícia, no entanto, informou que o número de manifestantes na capital foi de 65 mil.

Foram registrados confrontos entre jovens e a polícia no encerramento das manifestações na capital francesa.

Contestação

Em um comunicado, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse julgar “legítima a preocupação dos franceses durante esse dia de manifestações e greve geral” e confirmou que irá se reunir com os sindicatos em fevereiro para “discutir o programa das reformas em 2009”.

A greve desta quinta-feira foi considerada um grande teste político para o presidente Sarkozy. O governo teme que os protestos – até então isolados – contra reformas que envolvem diferentes categorias possam se transformar em um amplo movimento de contestação social no país.

O número de manifestantes em toda a França, apesar das diferenças entre os cálculos da polícia e os dos sindicatos, é o maior já registrado em protestos realizados desde a posse do presidente Sarkozy, em maio de 2007.

A última greve lançada por todas as centrais sindicais, unidas, ocorreu em maio de 2008 e reuniu entre 300 mil e 700 mil pessoas.

As manifestações desta quinta-feira estão no mesmo patamar dos protestos realizados em 2006, na presidência de Jacques Chirac, contra uma lei que facilitava a demissão de jovens trabalhadores.

O grande temor do presidente Sarkozy é que um amplo movimento nacional de contestação, como o que ocorreu em 1995 e paralisou os transportes durante um mês e acabou por desestabilizar o governo do primeiro-ministro, Alain Juppé, possa ocorrer novamente.

Paralisação

As passeatas tiveram maior participação do que a greve, que afetou serviços como transportes, educação, hospitais, correios, aeroportos e até empresas do setor privado, mas não chegou a paralisar a França.

Até mesmo policiais participaram da manifestação em Paris para reivindicar melhores salários.

Várias atividades funcionaram em ritmo mais lento nesta quinta-feira, mas não houve interrupção dos serviços. Os transportes públicos, por exemplo, circularam acima do esperado em várias cidades.

Segundo a estatal ferroviária francesa SNCF, o número de grevistas atingiu 37%. Cerca de 15% dos operadores de vôo também fizeram greve, informou o Departamento Geral da Aviação Civil.

De acordo com o governo, 26% dos funcionários públicos também participaram da paralisação. Os sindicatos, no entanto, afirmam que esse número está entre 40% e 45% do efetivo total.

O setor da educação registrou forte adesão à greve, com uma média de 34,6%, de acordo com o ministério. No caso das escolas primárias, 48% dos professores fizeram greve, segundo o governo. Os sindicatos afirmam que esse número chegou a 67%.

Setor privado

Os sindicatos afirmaram que as manifestações desta quinta contra a política de Sarkozy corresponderam às suas expectativas e que houve uma grande mobilização popular.

Já o porta-voz do governo francês, Luc Chatel, minimizou a dimensão da greve.

“Em relação às manifestações dos últimos anos, não há um nível de greve excepcional. No setor público, ficou mesmo abaixo do registrado em outras mobilizações”, afirmou.

Pela primeira vez nos últimos anos, o Partido Socialista participou dos protestos.

Outro fator pouco comum nas passeatas foi a presença de trabalhadores do setor privado, como funcionários de bancos, supermercados e empregados de grandes empresas que estão realizando demissões.

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Holocausto em Gaza

Publicado por alexproenca em Janeiro 29, 2009

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O PSDB que você não vê na tv.

Publicado por alexproenca em Janeiro 28, 2009

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Avançar na luta pelo Socialismo.

Publicado por alexproenca em Janeiro 28, 2009

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

A situação da economia que o mundo passa, por hoje, é consequência direta da política neoliberal.

A partir da Inglaterra e dos Estados Unidos, nos anos 70, foi traçado uma politica que destruia as conquistas sociais das décadas passadas. O objetivo desta politica, era o de garantir uma maior lucratividade para as empresas.

Junto com a degradação dos diretos trabalhistas vieram a destruíção do Estado e as privatizações. O discurso era sobre a “eficiência” das empresas privadas e a “incompetência” do Estado.

A desregulamentação da legislação financeira, permitiu o surgimento das bolhas especulativas, que acabaram explodindo agora.

E a coisa mais inacreditável, os defensores da iniciativa privada, estão agora pedindo dinheiro ao Estado. Diziam que os poucos valores pagos pelo Bolsa Família, era um erro, e agora eles querem o Bolsa Burguesia.

E ao mesmo tempo, continuam com a ladainha da diminuição dos direitos trabalhistas e a redução dos salário.

Continuam com o mesmo programa neoliberal.

Se novamente for aceita esta politica, os trabalhadores irão amargar uma situação desastrosa, pois a diminuição dos salários ira resultar em menor consumo e este novas demissões. Uma espiral de degradação social.

Assim cabe, as forças de esquerda, a denúncia e a ação contra estes setores conservadores. Eles são os responsáveis por esta  situação e devem pagar o preço da crise.

Os trabalhadores devem lutar por mais direitos trabalhistas, melhores salários orientados por um projeto de carater socialista, sendo este o único caminho de resolver esta crise da econômia capitalista.

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Metalúrgicos de Sorocaba protestam contra risco de redução de salários.

Publicado por alexproenca em Janeiro 28, 2009

O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizou, na madrugada de ontem, uma manifestação contra o desemprego e as ameaças de demissão e corte de salários levantadas pelo setor industrial nos últimos dias. O protesto começou de madrugada e seguiu até 8 horas da manhã, na avenida Independência, próximo ao acesso à Castelinho. O ato reuniu, de acordo com a organização, cerca de 10 mil pessoas, que seguiam nos ônibus das empresas e foram interceptadas pelos manifestantes. O objetivo foi passar aos trabalhadores a versão do sindicato sobre a crise mundial e a posição contrária a todo tipo de negociação que envolva redução de salário. Avaliamos que isso só vai agravar a crise, pois diminuirá o poder de compra do trabalhador, o consumo e aumentará a recessão, falou Ademilson Terto da Silva, presidente da entidade.

Dados locais do Sindicato dos Metalúrgicos mostram que o número de homologações que passaram pela entidade (demissões de funcionários com mais de um ano de registro em carteira) aumentou bastante neste mês de janeiro: um total de 1.086, enquanto que, em janeiro de 2008, o número ficou em 362. Porém, temos que deixar claro que essas homologações são referentes somente às demissões de dezembro. Só a Flextronics, por exemplo, dispensou 2,4 mil funcionários e representa 68% do total de demissões registradas no final do ano, explicou Terto. Em dezembro de 2008 foram registradas 376 homologações, contra 284 no mesmo período do ano anterior. Vale lembrar que todos os dados apresentados referem-se somente às demissões, sem levar em conta o número de contratações. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Sorocaba teve o pior dezembro dos últimos nove anos, com 4.211 admissões contra 9.336 demissões no mercado de trabalho de maneira geral, envolvendo todos os setores da economia.

O cenário, entretanto, não é considerado negativo pelo sindicato, que destaca, por exemplo, a contratação, por cinco indústrias do setor de bens de capital, de 150 funcionários somente nos primeiros 15 dias de janeiro, um período em que as admissões não são comuns. Além disso, para fevereiro, a entidade possui menos de 400 homologações agendadas (funcionários demitidos neste mês de janeiro que cumprem aviso prévio), o que leva a diretoria a prever que não será superada a média mensal de homologações registrada no ano passado, que foi de 380.

Como apoio ao protesto, o Sindicato dos Metalúrgicos distribuiu, aos trabalhadores, um jornal que, entre suas matérias, destacava a origem da crise, nos Estados Unidos, e a posição de economistas de várias partes do mundo, que alegam que o Brasil será um dos países menos afetados. Os empresários brasileiros têm faturado como nunca nos últimos anos, diz a publicação, que também elenca as medidas anticrise já tomadas pelo governo Lula, como redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da alíquota do Imposto de Renda (IR) e a liberação de créditos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Avaliamos que as empresas têm saídas para superar a crise, como recorrer a férias, banco de horas e licença remunerada, por exemplo. Estamos negociando acordos individuais, dependendo da situação de cada empresa. Existem algumas, inclusive, que ainda mantêm funcionários em férias coletivas. Nossa condição é que o emprego e o salário sejam mantidos, disse Terto.

Campeã de rotatividade

Dentre as indústrias do setor instaladas na cidade, o Sindicato dos Metalúrgicos considera a Flextronics como a principal responsável pelo alto número de demissões registradas. Somente no último mês de dezembro, 2,4 mil trabalhadores foram dispensados da fábrica e, de acordo com Ademilson Terto, apesar do avanço de negociações para utilização de banco de horas para a manutenção dos postos de trabalho, a previsão da multinacional é demitir mais 1,2 mil. É a empresa com maior rotatividade. Até outubro de 2008 eles tinham mais de 8 mil funcionários. Infelizmente, trabalham muito com contrato por tempo determinado e funcionários temporários, sem estabilidade de emprego, comentou.

Questionada, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre a situação apresentada pelos metalúrgicos, a Flextronics não se posicionou sob a alegação de que alguns de seus diretores, que poderiam falar sobre admissões e demissões, estavam fora da cidade.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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Saae e Urbes terão que dar explicações ao MP.

Publicado por alexproenca em Janeiro 27, 2009

Empresas ligadas à Prefeitura têm 30 dias para manifestar o motivo de funcionários concursados não terem sido chamados para ocupar vagas

Trinta dias é o prazo que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e a Urbes – Trânsito e Transportes têm para se manifestar sobre o motivo da contratação de funcionários terceirizados, em vez de chamar funcionários concursados. A decisão é resultado da audiência realizada às 10h de ontem, no Ministério Público do Trabalho (MPT), presidida pelo procurador João Batista César Martins. A audiência ocorreu em razão de o Sindicato dos Servidores Municipais da Prefeitura de Sorocaba (SSPMS) ter apresentado, em setembro de 2007, denúncia contra o município pelo abuso da contratação de mão-de-obra terceirizada em setores e serviços em órgãos da administração direta, indireta e empresa pública. O prazo estipulado começou a valer ontem.

Os principais pontos questionados pelo MPT são as terceirizações em serviços que deveriam ser realizados por pessoal próprio, entre elas: leitura de hidrômetros, ligações domiciliares de água e esgoto, caixas dos terminais, auxiliares administrativos, apoio à fiscalização, entre outros. De acordo com o sindicato, a diretora jurídica do Saae, Júlia Antunes Galvão, teria informado que a autarquia tem interesse em adequar o quadro de funcionários com a contratação direta em várias funções, especialmente no setor de atendimento ao público, devendo ser nomeados vinte servidores concursados nos próximos dias.

Pela Urbes, ainda conforme o sindicato, a chefe do departamento jurídico, Lúcia Helena Graziozi, informou na audiência que a terceirização da atividade de caixa nos terminais de Sorocaba foi efetivada aos moldes do que acontece com o Metrô e a SPTrans. Com relação à fiscalização, a terceirização ocorre em serviços de apoio e não de controle direto.

O sindicato informou que o Saae e a Urbes afirmaram ao procurador João Batista que, desde 2006, tem realizado concursos públicos e que diversas contratações diretas, principalmente nas áreas administrativas, de fiscalização e de atendimento ao público, foram efetivadas. Diante das informações apresentadas pelas empresas, o procurador estabeleceu o prazo para que elas informem nos autos como ficará a terceirização de suas atividades. Deu, também, liberdade aos representantes daqueles órgãos para que busquem o entendimento com o sindicato, visando à substituição de trabalhadores terceirizados em serviços considerados fim.

O presidente do sindicato, Sérgio Ponciano de Oliveira, esclareceu ao procurador que realizou reuniões com o presidente da Urbes, Renato Gianolla, e com o diretor do Saae, Geraldo Caiuby, informando que a entidade está à disposição para negociar. Para ele, o objetivo principal é que seja cumprido o preceito constitucional, ou seja, que os trabalhadores ingressem no serviço público por meio de concurso ou processo seletivo, pois, além de dar maior transparência, possibilita igualdade de contratação a todos que preencham os pré-requisitos. Nós estamos otimistas em relação aos dois órgãos para que cumpram o acordo e contratem concursados e realizem novos processos seletivos, a fim de dar as mesmas oportunidades a todos.

Em substituição

Em 2008, o MPT tratou da terceirização na Prefeitura de Sorocaba que, depois de um ano de discussões, resultou na assinatura do Termo de Ajuste e Compromisso (TAC) 5028. Neste termo, consta o prazo até abril deste ano, para que a Prefeitura substitua os trabalhadores terceirizados por servidores concursados que atuam nas áreas administrativas em diversas secretarias municipais, como a de Recursos Humanos, da Administração e da Saúde e, também, nos setores de farmácia e de digitação dos centros de saúde. Ponciano informou que, desde o acordo, a Prefeitura tem chamado os concursados, substituindo o serviço terceirizado.

Comentou que, em breve, a Prefeitura será chamada pelo MPT para tratar a questão da terceirização no programa Médico da Família, nas Organizações Não-Governamentais (ONGs) SOS Saúde e Pérola, esta última que desenvolve o programa Sabe Tudo, e também do Emprego Jovem. O MPT quer, ainda, que o Emprego Jovem seja adequado ao programa Jovem Aprendiz, para garantir direitos trabalhistas aos estagiários. No atual modelo, eles não têm direitos trabalhistas, afirmou Ponciano.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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Demissões na GM e subsídios estatais.

Publicado por alexproenca em Janeiro 22, 2009

Demissões na GM e subsídios estatais

por Altamiro Borges, em seu blog

Na semana passada, a General Motors comunicou à direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) a demissão de 744 operários contratados por tempo determinado. Poucos dias antes, ela já havia dispensado 58 temporários. O facão na GM criou forte temor nas bases sindicais e no governo Lula. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acusou a multinacional estadunidense de se aproveitar da crise mundial para demitir brasileiros e anunciou que qualquer novo subsídio à empresa será condicionado a cláusulas rigorosas de manutenção dos empregos.

A bronca do ministro é plenamente justificada – por isso gerou raivosa gritaria dos empresários e de sua mídia. Afinal, as montadoras de automóveis auferiram lucros recordes nos últimos anos e ainda mamaram nas tetas do governo, com empréstimos e redução de tributos. Agora, diante da grave crise capitalista mundial, elas jogam o seu ônus nas costas do trabalhador e chantageiam o governo para obter mais vantagens. Apesar do discurso falacioso da “responsabilidade social”, as multinacionais não têm qualquer compromisso com a sociedade nem com o Brasil.

Lucro recorde e socorro à matriz

Em novembro último, o jornal empresarial DCI publicou uma nota que revela toda a ganância e a desfaçatez desta multinacional. “O alto desempenho do setor automobilístico até setembro deve garantir a General Motors do Brasil o melhor ano de sua história, mesmo com a revisão negativa do faturamento, que deve ficar em US$ 9,5 bilhões ante a previsão de US$ 11 bilhões, com 575 mil unidades vendidas, um crescimento de 15% sobre 2007. Com isso, ela aumentará seus lucros e, conseqüentemente, o socorro à matriz que passa por dificuldades nos EUA”, relatou o artigo, que já dava uma pista sobre a atual sacanagem da empresa estadunidense – a remessa de lucros.

“Se o nosso lucro aumenta, o valor repassado à matriz naturalmente aumenta”, justificou Jaime Ardilla, presidente da GM brasileira. Animado, ele ainda se jactou dos novos investimentos da empresa no país, apesar da crise já ter estourado nos EUA. Seria mantida “a construção de uma nova fábrica de motores em Joinville (SC), a ampliação da capacidade de produção [maior intensidade do trabalho] nas unidades de São Caetano e São José dos Campos e a conclusão de um centro de engenharia e design, que juntos somam US$ 1,5 bilhão de investimentos”. Ardilla também elogiou os governos federal e paulista, que liberaram R$ 8 bilhões em linhas de crédito.

A estratégia perversa das montadoras

A notinha do DCI ajuda a desmascarar a estratégia da poderosa multinacional: elevar a remessa de lucros para matriz falida nos EUA, transferir parte da produção para regiões onde o valor da força de trabalho é menor, intensificar a produção nas unidades já existentes e, ainda, chantagear governos para assaltar os cofres públicos. Na fase da bonança, as multinacionais pressionam pela desregulamentação, numa orgia de lucros e transferência de riquezas. Na fase da crise, elas usam a ameaça de falências e demissões para exigir mais subsídios e isenções. Elas nunca perdem.

Após transferir os lucros obtidos na produção para a especulação financeira, atolando-se na crise, as dez maiores montadoras de automóveis do mundo já demitiram 35 mil operários. Para se safar do colapso, elas agora chantageiam os governos. Nos EUA, o governo já desembolsou US$ 17,4 bilhões para salvar a GM e a Chrysler. O Canadá seguiu o exemplo e doou mais US$ 3,3 bilhões. Já na Europa, a alemã Opel, braço da GM, foi a primeira montadora a pedir socorro, seguida pela Volkswagen. O “estado mínimo”, tão decantado pelos neoliberais, agora é a salvação do capital.

Redução de impostos e créditos

No caso brasileiro, a mamata se repete. Após superarem todas as estimativas de lucro até outubro passado, as montadoras começaram a dar sinais de retração nas vendas. De imediato, avançaram sobre as tetas do Estado. Como chantagem, elas anunciaram férias coletivas e programas de demissões voluntárias. Depois, começaram a aplicar o facão, sem dó nem piedade. O terrorismo, como sempre, teve sucesso. Além de liberarem R$ 8 bilhões ao setor, os governos Lula e Serra estudam ampliar os incentivos fiscais já existentes, reduzindo o ICMS estadual e o IPI federal.

Já em agosto passado, temendo os efeitos da crise mundial, o presidente Lula baixou o decreto nº 6.556 ampliando o uso do crédito do Imposto sobre a Produção Industrial (IPI) para compensar outros tributos num período posterior. Por sua vez, o governador José Serra elevou os benefícios fiscais às montadoras, concedendo R$ 6,8 bilhões em subsídios – mais da metade dos R$ 11,8 bilhões de investimentos programados pelas multinacionais no Estado. Através do chamado Pró-Veículo, elas poderão usar os créditos fiscais para pagar fornecedoras e reduzir impostos.

Unidade e luta contra as demissões

Está certo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ao afirmar que porá fim a esta mamata e exigirá compensação das montadoras para qualquer outro tipo de socorro. Estão certos os metalúrgicos de São José dos Campos, que realizaram uma paralisação de protesto na GM, exigem a redução da jornada de trabalho sem perda salarial e pressionam o governo por medidas mais duras contra as multinacionais. “Não dá para aceitar que o governo Lula dê bilhões de reais às montadoras e deixe os trabalhadores pagarem pela crise com demissões. Mais do que palavras, precisamos de ações do governo federal”, explicou Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário-geral do sindicato.

Na luta contra as demissões, será necessária muita unidade e luta. Qualquer sectarismo cobrará o preço do isolamento; qualquer omissão terá efeito reverso – hoje a GM de São José dos Campos, amanhã a Volkswagen de São Bernardo do Campo ou a GM de São Caetano do Sul. No combate à ganância e à chantagem das multinacionais, a disputa entre as centrais deve ficar à margem. Respeitando as leituras distintas sobre o caráter do atual governo, é preciso pressioná-lo para que ele endureça com as montadoras, no rumo proposto pelo ministro Lupi – não por acaso alvo de raivosa campanha do capital e da mídia para derrubá-lo. Nada de socorro aos abutres capitalistas.

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Carta aberta do cineasta Sílvio Tendler ao Ministro Tarso Genro.

Publicado por alexproenca em Janeiro 17, 2009

Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2008.

Ao Exmo. Sr. Ministro da Justiça Tarso Genro

Ilustre Ministro:
Venho tomar dois minutos de seu precioso tempo que poderão salvar uma vida. Quis o destino que recaísse em seus ombros a decisão que pode salvar o escritor Cesare Battisti dos cárceres italianos.

Não se trata, prezado Ministro, de eludir a lei, mas, sim, de impedir a vingança. Pelo que tenho lido, o processo contra Battisti é montado a partir de enormes falhas que podem punir um inocente para acobertar um culpado.

Lembro os terríveis precedentes de Olga Benário e Elize Ewert, deportadas para um campo de concentração. O final da história, o Sr. conhece bem.

Aliás, amparado pela cidadania, o banqueiro Cacciolla viveu livremente na doce Itália depois do rombo que deixou em nossa economia e pelo qual foi condenado no Brasil, onde cumpre pena. Não foi deportado pela Itália, que ao contrário, lhe protegeu.

Quer a lei que o Sr., em nome do humanitarismo de nosso povo acolhedor, possa decidir pela permanência de Battisti entre nós.

Lembro que temos uma tradição e que já concedemos asilo até mesmo a Georges Bidault, ex-ministro francês envolvido em atentado contra o Presidente Charles De Gaulle e contra a independência da Argélia. Bidault foi aqui acolhido por razões humanitárias pelo Presidente JK. Não vejo porquê um jovem revolucionário que converteu-se em escritor não possa ser salvo pelo Sr., com um gesto de grandeza.

Quantos brasileiros foram, um dia, acolhidos no exterior, salvos das garras de uma ditadura sanguinária que os alcunhava de “terroristas”?

Lembre-se de Olga, Elize Ewert, o casal Rosemberg e de tantas injustiças cometidas em nome das leis. Lembre-se dos dez de Hollywood.

Lembre-se do Caso Dreyfuss e seja Emile Zola. Repudie Felinto Muller, exerça seu Ministério com grandeza e permita que o escritor Cesare Battisti permaneça entre nós.

Atenciosamente,

Silvio Tendler

Cineasta

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Fiesp selvagem.

Publicado por alexproenca em Janeiro 17, 2009

cFiesp selvagem
Celso Marcondes
Capitalismo selvagem é triste. Há alguns meses as montadoras comemoravam recordes de produção e o alcance de marcas inéditas. Fábricas trabalhando em três turnos, 24 horas por dia. Férias suspensas, finais de semana a todo vapor. Crédito a perder de vista, muito dinheiro entrando, filas de espera para retirar carros e caminhões, avenidas cada vez mais entupidas.

Daí o drama de Wall Street começou a bater por aqui. Choros, apelos, caminhadas à Brasília. O governo cedeu, o IPI sumiu. Resultado: dezembro feliz, promoções, muitas promoções, mercado quente.

Chegou janeiro. Quente e chuvoso na capital paulista. Voltou o chororô. Desta vez, de toda a indústria paulista. Mal chegamos ao meio do mês, muito empresário ainda nas suas casas de praia. Mas a FIESP já veio à luta. Seu Conselho Superior Estratégico, reunindo 33 dirigentes das maiores empresas do País, já unificou o discurso e colocou a boca no clarinete. Querem liberdade para cortar jornada de trabalho e, naturalmente, salários. Sem dar nenhuma garantia de emprego.

Além dos empresários da indústria automobilística, fazem coro aqueles da Vale, da Embraer, da Ambev, da Siemens, da Votorantim, da Telefonica, da Unipar, dos Moinhos Pacífico, do Grupo Martins (pesquisando, descubro que é um grupo atacadista peso-pesado). Todos querem o direito de pagar menos.
Não lembro tal unidade do tempo das vacas gordas para pagar mais. Há um ano, tudo estava bem.

Gozado, que para mim também. Mas meu pai me ensinou a não gastar tudo quando as coisas vão bem. Uma parte do salário foi para a poupança, outro para fundos. Outra, pequena, cresceu e desabou na Bolsa logo depois. A partir de setembro comecei a botar o pé no freio, ir mais devagar com as despesas e a não me aventurar profissionalmente.

Resisti aos apelos do presidente Lula e não gastei muito nas festas natalinas. Coisa de quem ruma em direção à terceira idade e não nasceu em berço de ouro, nem de prata. Paguei todos meus impostos em dia, ainda hoje morri com o IPVA da minha viatura. Não despedi a senhora que trabalha em casa, paguei seu décimo – terceiro e mantive suas férias, uma sonhada visita ao interior da Bahia para visitar a mãe. Leio os jornais todos os dias, trabalho numa revista semanal, cercado de economistas respeitados.

Sei que a crise é brava lá fora e que já deu as caras aqui dentro. O momento é de cautela, mas apesar do Meirelles preferir honrar seus compromissos com meia-dúzia de banqueiros, em detrimento de todos os demais brasileiros, apesar dele e dos seus juros estratosféricos, não entro em desespero. Não dou ouvidos para boatos alarmantes, parei de ler e ouvir os colegas ávidos por sangue.

Para ser franco e direto: a crise ainda não bateu lá em casa. Mas conheço gente que já foi atingida ou tem razões para ter mais medo do futuro. Conheço também gente que, como eu, continua tranquila. Outro dia vi os dados de uma pesquisa internacional que colocava os brasileiros entre os mais otimistas do mundo diante da crise. A pesquisa também mostrava que, aqui, os mais otimistas eram os mais pobres. Quanto mais rico, mais preocupado. Aparentemente estranho, não é? Quem mais tem, mais esquenta. Quem menos tem, menos perde o sono. Alguém poderia dizer que são mais desinformados ou os que não têm nada a perder, mas outro alguém poderia dizer que os mais preocupados são mais gananciosos.

A grita da Fiesp parece dar razão a este último. Como entender tamanha e tão rápida união para ganhar o direito de reduzir salários? Todos os setores que se reuniram na Avenida Paulista estão igualmente abalados pela tal da crise? Aviões e bebidas? Cimento e telefonia? Siderurgia e alimentos? Todos querendo cortar a fonte de renda de milhares de trabalhadores e sem dar garantia de emprego?

Quando, incauto, pergunto para onde foi o dinheiro ganho nos tempos de fartura, me explicam que não devo confundir os cofres das empresas com o cofrão do Tio Patinhas. Dinheiro que entrou a rodo no passado recente, não estaria mais no cofre, nem na poupança, para segurar a onda agora. Este dinheiro teria ido para as matrizes no exterior, para investimentos outros – parte perdido nas jogatinas na Bolsa -, para pagar os pró-labores e as participações nos lucros dos executivos e para lugares mais secretos. De qualquer modo, para pagar os empregados nos momentos de menor produção, eles dizem que não dá. Mal chegaram do réveillon no resort, querem carta branca para demitir. Todos eles. Reuniram-se, proclamaram sua decisão, foram almoçar no Massimo ou no Fasano. A conta será paga por suas empresas.

Eles vão botar o pé no acelerador das demissões, consideram-se todos “afetados pela crise”. Igualmente. Pode cair o Meirelles, podem cair os juros na próxima reunião do Copom. A engrenagem já está em movimento. Feroz. Paulo Skaff nunca falou tão duro (e nunca pareceu tanto em comerciais e noticiários na TV). O solitário ministro Lupi que se cuide. As centrais sindicais que se armem. Desta vez, o ano no Brasil não começou depois do Carnaval.

Fonte: Revista Carta Capital

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Gaza 2009 Stop The War-David Rovics Palestine.

Publicado por alexproenca em Janeiro 15, 2009

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