OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Posts de Dezembro, 2008

A Caixa Econômica Federal liberou mais de R$ 303 milhões em créditos imobiliários em Sorocaba e região.

Publicado por alexproenca em Dezembro 25, 2008

A Caixa Econômica Federal liberou mais de R$ 303 milhões em créditos imobiliários em Sorocaba e região durante o ano de 2008. O dado foi divulgado esta semana pelo superintendente da Instituição Financeira, Luís César Figueiredo.

Segundo ele, o valor atingido surpreendeu e bateu qualquer projeção feita. “Nossa estimativa era de que o total liberado para financiamentos ficasse em torno de R$ 150 milhões”, diz. “No entanto, o valor foi mais que dobrado.”

No país a previsão na liberação de recursos para financiamentos de imóveis era de R$ 18 bilhões. Até esta quarta-feira, o valor já havia sido batido em R$ 4,4 bilhões. “Isso mostra que o brasileiro não está retraindo seus investimentos devido à crise mundial”, explica. “Pelo contrário, eles estão vendo na aquisição de imóveis, mais uma forma de investimento”, diz.

A fuga do aluguel
Para o economista Geraldo de Almeida, a crise externa não deve afetar em nada o setor imobiliário no Brasil.

O principal comparativo seria a hipoteca, sistema de empréstimo que não funciona no país, mas que foi o principal percussor da atual crise norte-americana.
Almeida lembra que, a própria Caixa, vem baixando o juros dos financiamentos para fortalecer a procura por essa linha de crédito.

Aí, segundo o especialista, estaria a oportunidade para a fuga do aluguel. “O aluguel é um dinheiro mal gasto”, diz. “A pessoa pode utilizar esse valor para pagar uma parcela de uma casa própria.”

Fonte: Jornal Bom dia Sorocaba

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O meu não-natal a todos!‏

Publicado por alexproenca em Dezembro 24, 2008

Alexandre
alex.proenca@ibest.com.br
O e-mail da minha amiga Niara, reflete muito bem o meu pensamento sobre esta data.
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Niara
nideoliveira71@hotmail.com
Quase todo mundo sabe que não acredito em Natal. Não por ser comunista, mas por não ser cristã e odiar hipocrisia. Também não acredito que uma noite possa transformar o caráter das pessoas ou trazer uma vontade súbita de fazer o bem. Ou isso é um hábito cotidiano, desejar e fazer o bem aos outros, tal e qual desejamos para nós, ou soa muito falso.

Sempre acreditei que solidariedade, compaixão e senso e sede de justiça deveriam ser obrigação. Mas como obrigar alguém a sentir aquilo que não sente naturalmente? Resta-nos tentar convence-las, seduzi-las ou ainda comove-las.

Nesse período de “festas” e principalmente nessa noite que todo mundo fala no sentido de ser cristão e que o mais importante é sempre material e a orgia gastronômica, é que sinto o estômago embrulhar mais. Como alguém pode se sentir feliz sem desejar isso a todas as pessoas? Como alguém como se dizer cristão e se fartar comendo quando muitas pessoas não tem sequer arroz e feijão?

Tento ser coerente no meu dia-a-dia com as minhas crenças (ou não-crenças) e ideologia. Para mim essa é uma noite igual a qualquer outra, sem brindes de champanhe ou desperdício de comida. Mas como em todos os outros dias do ano, desejo a toda humanidade que tenham alimento, saúde, paz e alegria para realizar seus sonhos. Desejo isso especialmente aos meus amigos, a quem amo e que vão entender a ausência de um cartão desejando um simples e vazio feliz natal.

Um beijo sincero e um abração apertado em cada um.

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Caos no trânsito: Incompetência dos Tucanos de Sorocaba .

Publicado por alexproenca em Dezembro 23, 2008

Alexandre
alex.proenca@ibest.com.br

Ontem fortes chuvas castigaram a cidade de Sorocaba, até ai, tudo normal, pois faz parte da natureza a ocorrências de chuvas.

O trânsito que já era horrível, simplesmente parou.
Eu estava vindo do bairro Santa Marina 1, e o ônibus levou 1 hora, para fazer o percusso do cemitério das Saudades até o terminal Santo Antônio, um percusso de mo máximo 1000 metros.

Carros e ônibus parados em todas as partes, uma visão do caos e da falta de planejamento urbano. Em cima do pontilhão, que passa pela linha de trem, um ônibus quebrado, segurando o trânsito.

Alias, muitos foram os ônibus que quebraram ontem, pois são ônibus muito velhos, incapazes de fazer o transporte de passageiros.

E é bom que se diga: Sorocaba tem uma das passagens mais caras de todo o país.

Não era para os sorocabanos e sorocabanas, estarem passando por esta situação humilhante.

Quando finalmente, cheguei ao terminal Santo Antônio, notei o tamanho da incompetência administrativa em Sorocaba.

Mais de 10 mil pessoas, se espremiam no terminal, todos nervosos e preocupado, com a demora do seu transporte, muitas delas já estavam a horas, esperando seu ônibus, que não chegava.

E para completar o cenário de horror, os terminais tem pé direito bem alto, e não tem proteção lateral, possibilitando que o vento e as chuvas molha-se as pessoas, dentro do terminal.

Os terminais, também não tem escoamento eficiente de água, e as enxurradas corriam por dentro de todo o terminal, molhando os pés das pessoas.

Mães desesperadas, carregavam seus filhos, para que estes não molha-sem seus pés.

E os ônibus não chegavam, pois estavam presos em um gigantesco engarrafamento de trânsito.

Daí fica uma pergunta: Cade os corredores exclusivos de ônibus, que iriam fazer o trânsito fluir?

E também fica a compreensão de uma verdade: A cidade de Sorocaba, sob administração tucana, esta sendo planejada, para uma minoria, que tem carro e condições financeiras de não precisar passar por este caos.

Uma hora depois, os ônibus começaram a chegar, e levou um tempo de mais uma hora, para fazer o percurso do terminal Santo Antônio ao terminal São Paulo, distante a uns 2 Km, um do outro.

As chuvas tem a sua parte nesta situação, mas o grande responsável é a falta de capacidade administrativa da prefeitura tucana de Sorocaba.

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Jornalistas doam mil livros para biblioteca.

Publicado por alexproenca em Dezembro 23, 2008

“Nossa doação é importante para incentivar a leitura. Pela forma como está escrito biblioteca dá para perceber a deficiência do ensino básico”, disse Fernanda Marques. Fernanda e Felipe Shikama são jornalistas recém-formados pela Universidade de Sorocaba (Uniso) e na tarde de ontem fizeram a doação de cerca de mil livros para a Biblioteca Comunitária Sabotage, que funciona no conjunto popular habitacional Sorocaba K, Recreio dos Bandeirantes, na Zona Norte. Eles são autores do livro “A síntese da exclusão” e fizeram uma campanha trocando seus livros novos por usados para serem doados à biblioteca que na parede ao lado da porta de entrada está grafada erroneamente, como “bibliotéca”.

Márcio do Santos Moreira, 26 anos, síndico do conjunto habitacional, integra a Ong Rima e Revolução, ligada à cultura Hip Hop. As bibliotecas em comunidades carentes foram idealizadas pela Ong e segundo Moreira, o acento na palavra “bibliotéca” foi proposital para mostrar a deficiência na educação. Moreira estava muito grato com a doação que vai aumentar em 1/3 o acervo que até ontem contava com duas mil publicações, a maioria de livros didáticos usados. “A doação é importante para a continuidade do projeto que também mantém a biblioteca Zumbi dos Palmares no bairro Santo André 2, já com cerca de três mil livros”, disse.

Para falar sobre a importância da doação o jornalista Felipe Shikama citou a frase “o estudo é o escudo”, que leu numa inscrição da biblioteca do Santo André 2. Disse que a Sabotage foi a escolhida por receber doações porque Márcio Moreira integra o movimento hip hop. Entre os livros doados, além de literatura, como títulos de Machado de Assis, havia livros didáticos e revistas. Várias crianças ajudaram a descarregar a doação. Algumas disseram que deixaram de freqüentar a Sabotage por proibição do síndico. A versão de Moreira foi de que o acesso foi vetado por alguns dias por conta de uma mudança no espaço físico, mas está novamente aberta à comunidade.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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Alta dos alimentos leva cocaleiros bolivianos a plantar arroz.

Publicado por alexproenca em Dezembro 20, 2008

Em um bar de aparência duvidosa na pequena e úmida cidade Puerto San Francisco, em plena floresta, um homem pede uma Coca-Cola.

“Sinto muito, não temos isso aqui”, responde Valentina, balançando seu longo rabo-de-cavalo. “Mas eu posso oferecer um chá de coca, muito saboroso e saudável”, diz.

Bem-vindo a El Chapare, uma das duas regiões na Bolívia onde o plantio de coca, apesar de restrito, é legal.

Em um lugar que lutou contra políticas antidrogas inspiradas nos Estados Unidos, parece normal que o bar de Valentina, freqüentado principalmente por cocaleiros (como são chamados os agricultores que plantam coca), dê as costas ao onipresente produto americano em favor de uma alternativa local.

Recursos naturais

“Este é um dos nossos principais recursos naturais”, diz Honorata Diaz, uma cocaleira vestida com uma saia de babados e um chapéu de palha.

“É parte de nossa cultura, de nossa identidade”, concorda sua companheira, Peregrina Paichucamo, enquanto seca folhas de coca sob o sol forte. “Isso é alimento para nós, e também um remédio natural. A coca é tudo aqui.”

Apesar desses superlativos, um símbolo da defesa apaixonada da coca em El Chapare, há uma mudança radical em curso.

Alguns agricultores locais começaram a semear seus campos com outras culturas além da folha “sagrada”, que também é o principal ingrediente na fabricação de cocaína.

Mercado de commodities

Não são, porém, os esforços apoiados pelos Estados Unidos para a erradicação do plantio ou restrições do governo que estão afastando os agricultores da coca, e sim as oscilações do mercado global de commodities e uma política governamental em resposta ao aumento dos preços dos alimentos.

Em seu pico neste ano, o preço do arroz triplicou, tanto na Bolívia quanto no resto do mundo. Isso incentivou os agricultores locais a considerar essa alternativa ao plantio de coca.

Além das motivações de mercado, o governo também paga esses agricultores para cultivar arroz em vez de coca.

Milhares de agricultores se inscreveram no programa em uma área em que a guerra contra as drogas, não faz muito tempo, provocou conflitos que mataram vários cocaleiros.

Segurança alimentar

O governo espera que a mudança ajude a reduzir a produção de coca e a alimentar o país mais pobre da América do Sul.

“Estamos implementando um sistema que dá muitos incentivos aos agricultores para trocarem de cultivo”, diz o vice-ministro de Desenvolvimento Rural da Bolívia, Remi Gonzalez.

 

Honorata Diaz (E) e Peregrina Paichucamo
Honorata (E) e Peregrina afirmam que coca é parte de sua identidade

 

“Em primeiro lugar e antes de qualquer coisa, estamos garantindo a segurança alimentar, porque isso nos dará o suficiente para alimentar as famílias bolivianas”, afirma.

“E o excedente – desde que continuemos a avançar -, acreditamos que poderemos exportar para ajudar as pessoas em outras partes do mundo.”

As exportações de arroz também ajudariam a impulsionar a balança comercial da Bolívia.

Defensor

O programa tem um defensor inesperado: o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales. Um homem que defende a folha de coca, que certa vez chegou a levar um punhado à Assembléia Geral das Nações Unidas e ele próprio um produtor de coca.

Como líder do sindicato dos produtores de coca (cargo que ainda ocupa), ele lutou durante anos contra os esforços estrangeiros para a substituição da cultura e a erradicação das lavouras.

Muitas vezes, o presidente Morales levantou seu punho esquerdo e, no idioma indígena Aymara, disse: “Vida longa à folha de coca, morte aos ianques”.

Atualmente, o plano do presidente é redirecionar verbas governamentais das importações de alimentos para apoiar produtores de coca que diversificarem suas lavouras.

“Não estamos abandonando a coca, isso está fora de questão”, diz o secretário-geral da poderosa federação dos produtores de coca, Julio Salazar.

“Mas estamos pedindo a nossos membros que ajudem o mundo durante esse período difícil. A Bolívia e o mundo precisam de alimentos, e nós podemos fornecer isso.”

Balança comercial

O país, que tem extensões consideráveis de terra virgem e agricultável e um clima subtropical em muitas áreas que permite aos produtores várias colheitas por ano, poderia se tornar um celeiro mundial.

No verão europeu, quando os preços dos alimentos atingiram novos recordes, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que a Bolívia, um país geralmente listado entre os perdedores da economia mundial, poderia melhorar sua balança comercial como resultado do aumento dos preços dos alimentos.

Outros países pobres da região, como Guiana e Paraguai, também estão na lista, mas a Bolívia poderia se beneficiar mais do que a maioria deles ao se tornar um grande exportador de alimentos, disse o FMI na época.

Países americanos geralmente ignorados, como esse, têm potencial para ajudar a alimentar o mundo ao mesmo tempo em que colhem grandes recompensas para suas economias subdesenvolvidas.

“Eu planto arroz e coca, mas estou plantando mais arroz agora para alimentar a Bolívia”, diz José Lopez, em meio a seu campo de arroz recém-cultivado e sua plantação de coca.

Tradição

No momento, o preço do arroz está bem abaixo do pico atingido no verão europeu, mas mesmo que os preços voltem a subir e que o arroz se torne uma alternativa rentável para os agricultores de El Chapare, ainda assim teria de competir com a antiga tradição indígena local da folha de coca.

E, acima de tudo, há forte demanda por cocaína por parte do Brasil e, especialmente, da Europa, os dois principais destinos das drogas derivadas da coca boliviana.

A Bolívia é o terceiro maior produtor de coca do mundo, depois da Colômbia e do Peru, e a produção cresceu neste ano.

A soma de fatores econômicos e sociais que contribuem para essa nova mistura entre coca e arroz parece estar abastecendo partes da Bolívia antes negligenciadas com uma infusão intoxicante.

Sem dúvida, mais intoxicante do que o agradável – porém de sabor comum – chá de coca servido por Valentina.

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“O país não pode mais contar com o BC; governo deve investir pesado no gasto social”.

Publicado por alexproenca em Dezembro 19, 2008

ENTREVISTA: MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES

“O país não pode mais contar com o BC; governo deve investir pesado no gasto social”.

Em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares diz que o Brasil não pode mais contar com o BC. “A partir de agora, o Banco Central tornou-se uma peça menor no xadrez econômico”. Para ela, a grande batalha de 2009 é fortalecer o emprego e o poder aquisitivo do povo. Ao falar sobre 2010, manifesta apoio a Dilma Roussef e diz que ela mais consistente do que José Serra. E lança um desafio ao PT: “o partido precisa submeter seus projetos e ideais à nova realidade mundial.

O consenso nacional para derrubar a taxa de juro, unanimidade que agora arregimenta até conservadores de carteirinha, chegou tarde demais, na opinião da economista Maria da Conceição Tavares. Ela acredita que o BC irá fazê-lo em gotas de sereno, a partir de janeiro de 2009, quando esse simbolismo já não terá mais capacidade de reverter a dinâmica deflagrada pela crise.

Expectativas pessimistas e revisões em planos de investimento puseram-se em marcha ao longo da omissão persistente da política monetária comandada por Henrique Meirelles nos últimos anos. A ortodoxia encastelada no BC fez a sua escolha. E a cumpriu com fidelidade. “O Brasil não pode mais contar com o BC”, diz Conceição. Seus membros prestaram um desserviço ao país para servir ao rentismo, que os ancora e protege.

“A partir de agora, o Banco Central tornou-se uma peça menor no xadrez econômico”, resume e prossegue calmamente. “Reduziu-se a um estorvo apenas; uma irrelevância diante dos fatos, das urgências e das possibilidades que se colocam para a economia e o governo. Essa gente já não consegue mais sequer me provocar indignação, apenas cansaço”.

O tom sereno do diagnóstico não é usual, por isso mesmo soa mais forte que pancada. Vindo de quem vem, não poderia haver manifesto de desprezo mais contundente a uma esfera de governo que se fez obsoleta para os interesses do país. A professora, como Maria da Conceição é tratada carinhosamente pelos seus admiradores, discípulos e ex-alunos, e até por adversários, não costuma poupar decibéis na defesa de idéias sempre vigorosas. Que o faça agora em tom plano é um sintoma eloqüente do menosprezo que atribui à instituição e à política monetária nas questões decisivas dos próximos meses.

A grande batalha que mobiliza a professora nesse momento, tão difícil quanto foi a do juro, envolve uma conseqüência que faz enorme diferença: perder desta vez seria definitivamente fatal. Evitar esse desfecho é o propósito que devolve a determinação costumeira à sua voz. “Fortalecer o emprego e o poder aquisitivo do povo; em torno disso acontecerá a batalha decisiva para vencermos ou não a travessia de 2009”. É assim que ela define o que está em jogo na economia e na política de agora em diante. “Portanto, meu Deus”, e aqui está de volta a oratória envolvente da decana dos economistas brasileiros, “os que falam em cortar gasto de custeio que me perdoem, não sabem do que estão falando. Política social também é custeio. E se não é tudo, talvez seja o único grande trunfo que o governo controla, a partir do qual poderá agir com eficácia e rapidez diante da crise”.

Gastar mais na esfera social, no seu entender, é a injeção de adrenalina capaz de preservar a atividade, o emprego e o poder aquisitivo; ao menos naquele pedaço do Brasil que escapou da linha da pobreza durante o governo Lula e hoje agiganta o mercado interno, proporcionando ao país uma variável que o distingue na resistência ao colapso econômico mundial. Sim, isso poderia incluir até a antecipação de reajuste do salário mínimo, “como propõe o Carneiro”, diz Conceição (NR: economista Ricardo Carneiro, leia artigo nesta página). “Mas veja bem, estamos diante de uma questão política, não uma unanimidade tardia como parece ser a do juro hoje. Ampliar a despesa social é o que pensamos nós, economistas heterodoxos, assim como dizíamos há meses – anos – que era preciso baixar os juros. Mas por enquanto não há consenso sobre isso; talvez nem dentro do próprio governo. É uma corrida contra o tempo, motivo pelo qual insisto: o gasto de custeio social é a nossa chance de defender o país contra o desemprego e a recessão. Mesmo assim serão tempos difíceis”.

Não se trata apenas de vencer um percurso econômico. Conceição antevê nessa travessia a prefiguração do teste eleitoral a que será submetido um projeto que ela ajudou a construir nos últimos anos. Na verdade desde antes quando, jovem ainda, iniciou-se no BNDES e elegeu Celso Furtado e o projeto de desenvolvimento nacional como bússola histórica de sua vida e de sua profissão.

A professora Maria da Conceição é amiga de longa data da ministra Dilma Roussef, possível candidata do PT à sucessão do Presidente Lula. Conceição também já foi próxima de José Serra, candidato declarado da oposição no embate sucessório de 2010. Mas Conceição não tem dúvida de que lado estará então. “Serra não é um neoliberal; é bom que se diga e que não se confunda”, antecipa em tom sério. “Conheço ambos. A diferença entre Dilma e o Serra é que a visão da Dilma é mais consistente do ponto de vista histórico. Dilma escolheu o lado que pode apoiar um projeto de desenvolvimento para o Brasil no século XXI. E isso faz toda diferença. Entre o desenvolvimentismo de boca, do Serra, e o projeto ao qual Dilma pertence, eu não tenho dúvida de que lado fica a consistência histórica. E arremata: “Sim, Serra se opunha ao Malan no governo FHC. Mas Serra não se opôs às privatizações nem à política fiscal, concebida por gente da sua influência. Dilma é mais consistente. E não se trata apenas de superioridade no manejo econômico. Sua visão da economia tem uma contrapartida social coerente; e uma contrapartida de democracia consistente”.

Com um sorriso de entusiasmo, a professora comemora a notícia de que o PT , junto com a Fundação Perseu Abramo, criará uma Escola de Formação Política. “A agenda neoliberal contaminou toda sociedade; claro, também alcançou esferas do partido”, explica. “A crise econômica coloca esse pensamento em xeque e abre espaço para o PT retomar seu programa dos anos 94 e 98. Era um bom programa de reformas para o Brasil”, comenta, mas sem saudosismo – “perdemos com um bom programa, sempre é bom lembrar“. E aconselha como se fosse ao mesmo tempo cronista eqüidistante e personagem do mesmo enredo: “O PT precisa submeter seus projetos e ideais à nova realidade mundial. Isso requer estudo e reflexão. Essa crise não é como a de 30. É uma crise de paradigma, inclusive de paradigma industrial, o que não ocorreu em 30. É muito sério. Portanto, é hora de refletir, esclarecer, debater. O partido deve fazer isso sem perder a serenidade”, pontua preocupada: “Existe o horizonte político amplo, mas uma proposta de governo tem que oferecer respostas condicionadas às circunstâncias do país, agravadas pela crise mundial”

A seguir, trechos da entrevista de Maria da Conceição Tavares à Carta Maior

I)Controlar a conta de capitais com um BC desse tipo?Acho difícil.
A inflação está caindo, desaba em todo o planeta e aqui? Aqui eles mantém o juro no céu, a 13,75%. Para quê? Para atrair dólares? Para evitar fuga de capitais ? Mudou a conjuntura mundial, não existe mais liquidez internacional para ser atraída. Essa política é anômala: não vai atrair um dólar furado com essa taxa. Tampouco impedirá a fuga em busca de segurança. O que pode impedir esses movimentos de capitais é a taxa de juro zero decidida pelo Fed. Vamos torcer que seja assim. Mesmo porque, não vejo como controlar a conta de capitais num país que não controlou nem operações especulativas com derivativos. E elas foram feitas aqui, sim senhor; não foram contratadas apenas nos paraísos fiscais. Estavam aí à vista de todos, a começar do BC, e nada se fez. A verdade é que fizemos na área financeira uma abertura mais radical do que em qualquer outra. Talvez o Estado brasileiro não disponha no momento nem de mecanismos, nem de pessoal, e menos ainda de uma lógica de estado para controlar o movimento de capitais.

II) O Banco Central brasileiro virou um caso psicanalítico internacional
Os membros do Copom agem por necessidade de auto-afirmação, dizem seus defensores. Mas e o país? Temos um BC que se tornou um caso psicanalítico internacional… A intransigência tornou-o irrelevante para o país, essa é a verdade; e isso é uma marca grave. O BC brasileiro é um ponto fora da curva mundial. Um estorvo; uma peça menor no esforço do governo para defender o país contra a recessão. Simplesmente, não se pode mais contar com essa gente para nada. Na verdade, eu já não esperava nada desse grupo de interesses. Hoje, quando eles falam nem indignada eu fico; me dá cansaço.

III) A ortodoxia e o tamanho da crise apequenaram o BC
A turma do BC deixou a coisa passar a tal ponto que agora temos um paradoxo: a maior taxa de juros do planeta e, quando fizerem os cortes, será tarde demais. Nada do que possam fazer em gotas simbólicas, a partir de janeiro, terá importância na ordem do dia para enfrentar a crise. O governo não deve esperar mais nada daí. O BC ficou desimportante. As expectativas já foram formadas. Os interesses se aferram a sua lógica. Veja o caso da Vale do Rio Doce; uma empresa que está nadando em dinheiro e vem o Agnelli demitir e falar em exceção trabalhista! A rigidez monetária jogou lenha nessas distorções e agora não serve mais para nada. O governo precisa olhar para frente e esquecer o BC.

IV) Governo deve agir seletivamente e administrar o mercado de câmbio e crédito
O fato grave é que as taxas de juros estão subindo na ponta; o crédito continua caro e curto. Há uma pressão danada pela rolagem de dívidas contraídas por empresas dentro e fora do país. Isso ainda não está resolvido. E é sério. Para a rolagem externa teremos que tomar medidas adicionais em 2009. Não tenho a certeza de que a linha de US$ 30 bi criada pelo FED para países como Brasil e Coréia será suficiente. Talvez precisemos de mais, mesmo tendo o governo destinado também US$ 20 bi das reservas para essa finalidade.

Para o crédito interno não adianta mais liberar compulsório (percentual dos depósitos recolhidos obrigatoriamente pelos bancos no BC). Você libera, a banca privada não repassa; não chega na ponta e o custo do financiamento ainda aumenta. O governo deve agir direto, cada vez mais. Setor por setor, caso a caso. O Estado deve alocar recurso onde for mais relevante e administrar o mercado de crédito no piloto manual. É o que temos feito na área da construção civil e no mercado automobilístico. Deve-se aprofundar a ação estatal nessa direção. Não haverá normalidade de crédito via mercado; esqueçam o que diz o Meirelles e o BC. Não têm mais nenhuma importância.

V) Cortar o juro agora serve para reduzir custo da dívida interna; pode liberar fôlego fiscal para investimento público
Para ter algum sentido, o BC teria que derrubar a taxa de juro em pelo menos um ponto em janeiro, mas o farão de forma desprezível, em 0,25 ponto. Não falo para a atividade econômica, mas para reduzir a pressão fiscal no pagamento de juros da dívida pública. Isso permitiria liberar fôlego para a despesa social do governo. Esse é o ponto decisivo agora: agir na frente do emprego e do gasto social. A política do BC não fará mais nada pelo país. Por caminhos opostos, atingimos o mesmo esgotamento da ferramenta monetária que se verifica agora nos EUA; aqui, por fidelidade dos membros do BC aos interesses que representam, em detrimento dos interesses do país. Eles fizeram uma escolha e foram fiéis a ela até o fim. Absoluta disciplina. Infelizmente a escolha não foi o país, mas o mercado, de onde vieram e para onde voltarão.

VI)Custeio do Estado não é gasto com lápis e borracha; é gasto com gente, gasto social que tirou milhões da pobreza nos últimos anos
O fato é que a alavanca monetária chegou a um ponto de irrelevância. É hora da política fiscal: quem fala em corte de custeio nesse momento que me perdoe, fala sem saber do que está falando. Estão esquecendo: despesa social também é custeio. É o espaço que temos para defender o país, o emprego e a demanda interna. Os grandes projetos do PAC são importantes; os projetos privados associados a exportação de commodities também são de grande envergadura. Não vão parar porque são planos de longo prazo. Mas geram pouco emprego. Terão efeito reduzido na dinâmica do mercado interno. O que faz a diferença e está ao alcance do governo é o gasto de custeio do Estado. Claro, não falo de aumentar salários de assessorias etc. Gasto de custeio não é lápis e borracha; é principalmente gasto social. Esse tem que aumentar e aumentar urgente.

Naturalmente, em torno disso não existe o consenso que se vê agora, esse consenso tardio pelo corte dos juros. Ampliar o gasto de custeio, na esfera social, é algo que os economista heterodoxos defendem; mas o mercado não. Talvez nem mesmo dentro do governo exista clareza sobre isso. Sim, é preciso agir com os instrumentos disponíveis; até antecipar o reajuste do salário mínimo, se for o caso, como diz o Carneiro (NR: Ricardo Carneiro, economista da Unicamp). E fazê-lo não só na esfera federal, mas também nos Estados e municípios. Um mutirão público pelo gasto social, contra a recessão.

VII) O PT deve se preparar; se é certo que vai criar uma Escola de Formação Política chega em boa hora; a crise exige renovação
O partido deve se preparar para entender a dimensão da crise e agir sobre ela. Estamos diante de algo distinto de tudo o que se viu até hoje em termos de crise capitalista. Só é igual a de 30 na gravidade; e pode ser pior. Em 30 não tivemos uma ruptura de paradigma, exceto para romper o padrão ouro. Mas a indústria era fordista e continuou fordista, durante e depois da crise. Agora, parece que o padrão industrial se esgotou. Pior: ao contrário do mundo que emergiu após 30, não se vê uma força ordenadora capaz de injetar coerência na economia mundial. Ninguém sabe para onde vão os EUA; nem eles. Significa que a desordem pode demorar muito tempo.

Se o PT, finalmente, criará uma Escola de Formação Política, só tenho a comemorar. Chega em boa hora. O fato é que o colapso da agenda neoliberal tem que ser profundamente discutido. E isso tem a ver com o PT também. Essa agenda penetrou as entranhas de toda sociedade e o partido não foi poupado. Vide a posição que se esboçou em relação à Previdência Social, por exemplo; e mesmo em relação à dita autonomia do BC. Pallocci diz que está fora se o PT continuar criticando o Banco Central? É um favor que ele nos faz.

VIII) Quando me aproximei do PT em 1989 achavam que eu era reformista; hoje estou à esquerda
O PT já teve uma agenda consistente de reformas, aquela de 94 e 98; trata-se de retomá-la; submetê-la aos desafios da atual crise e abrir um ciclo de debates e de esclarecimento dentro do partido com dois horizontes: o de longo prazo, na análise desse colapso e do colapso do ideário neoliberal no mundo. Mas no curto prazo é preciso avaliar o que é possível e necessário para defender o país da desordem internacional. Não se pode confundir os dois tempos, ou daqui a pouco tem gente querendo reduzir jornada de trabalho e manter salário. É bonito. Mas vai acontecer? Não. Então não dá para jogar o partido em coisas desse tipo. É preciso ter respostas de curto e longo prazo.

É uma agenda para um debate interno. Fico feliz que o partido, finalmente, se abra a isso. Quando entrei no PT em 1989 muitos me olhavam com reticência; achavam que eu era uma reformista conservadora. Hoje dizem que estou à esquerda, mas eu não saí do meu lugar. É uma boa hora para resgatar a vida intelectual dentro do partido.

IX) Dilma tem uma visão histórica mais consistente que a do Serra
Estou otimista com a chance da Dilma ocupar a Presidência da República. Sim, já fui muito ligada ao Serra; conheço ambos. A diferença entre o desenvolvimentismo da Dilma e o do Serra é que a visão histórica e política da Dilma é mais consistente. O Serra, diga-se, não é um neoliberal; e isso é bom porque vai elevar o debate eleitoral em 2010. Mas o desenvolvimentismo do Serra é um desenvolvimentismo de boca. Ele se opunha ao Malan, é verdade (no governo FHC). Mas nunca se opôs às privatizações nem à política fiscal ortodoxa, concebida por gente da sua influência. É muito diferente da Dilma. De qualquer forma, fico feliz que a luta seja entre os dois. O país vai ganhar com isso. A sociedade entenderá as diferenças entre projetos que têm nomes parecidos, como desenvolvimento, mas que envolvem forças e concepções distintas, especialmente na sua dimensão social e na sua correspondência democrática. É aí que está a força da Dilma.

Será mais fácil negociar um projeto nacional de desenvolvimento tendo Serra e Dilma no embate. Melhor do que ter uma sociedade rachada entre um neoliberal de direita e um candidato nosso, de centro esquerda. Ontem, como hoje, e amanhã também, teremos que negociar um projeto nacional. Duas candidaturas que ao menos falem uma língua próxima facilitará a compreensão dos brasileiros; ajudará a somar forças.

É mais uma razão para o PT se preparar e definir, afinal, qual é o desenvolvimento que defende. O resultado de 2010 dependerá de tudo isso. Mas, sobretudo, vai depender da nossa capacidade de atravessar com sucesso 2009. Espero que seja um bom ano. Para todos nós. E para o bem do Brasil.

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A GLOBO EM DEFESA DA ELITE BRANCA DE OLHOS AZUIS .

Publicado por alexproenca em Dezembro 18, 2008

… Não é problemático que numa pesquisa feita por um professor da USP, com base no cadastro de alunos que ingressaram nesta universidade em 2003, demonstrou que uma única rua da região abastada dos Jardins, colocou mais alunos na USP do que 80 bairros pobres da periferia da cidade! Cotas? É um velado sistema de cotas? Qual é a metodologia? Qual a finalidade? …

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A Rede Globo, no Jornal Nacional, criticou o projeto que regulamenta cotas para alunos do ensino público, bem como para negros e indígenas: os Deficientes Cívicos. O jornalista dizia que não foi feita uma ampla discussão envolvendo a sociedade e que o imediatismo era eleitoreiro e irresponsável. Como um desastrado partidário da dialética, o Jornal Nacional ouviu duas pessoas: uma antropóloga, contrária ao sistema de cotas, e um deputado do PSB do Espírito Santo – que apareceu pela primeira vez em cadeia nacional -, também contrário às cotas. Qual debate? Ora, eu pergunto, se a Globo realmente tem interesse num debate amplo envolvendo a sociedade, acadêmicos e políticos, por que ela nunca promoveu uma discussão? Por que ela nunca patrocinou um debate no horário do besteirol Big Brother?

O fato é que o senhor Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, é contrário às cotas, e sempre que pode externa isso em suas colunas, sempre com comparações de senso comum e exemplos pessoais inadequados. Veja a metodologia de discussão sobre cotas engendrada pelas Organizações Globo, sob o comando do senhor Ali Kamel: a antropóloga da USP entrevistada ontem disse que o sistema de cotas iria instituir a raça no Brasil, seja lá o que essa afirmação estapafúrdia queira significar, ela também disse que isso é obra de um governo às vésperas de uma eleição. Minha senhora, o sistema de cotas não é uma iniciativa deste governo, é resultado de uma intensa discussão entre a academia, movimentos sociais, movimentos negros etc. Aqui em Brasília a discussão foi encabeçada pelo antropólogo José Jorge (UnB), que deveria ter sido entrevistado pela Globo, porque está envolvido na discussão desde o seu início.

Leia o texto completo aqui.

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Crime de lesa-pátria

Publicado por alexproenca em Dezembro 18, 2008

por Eduardo Guimarães

Vocês viram, não é? Mesmo depois de as pesquisas Datafolha, Sensus e Ibope mostrarem insucesso da mídia em convencer a população de que sua vida irá piorar dramaticamente por conta da crise internacional, a campanha de tevês, rádios, jornais e grandes portais de internet de venda da chegada da ruína econômica do país continua na mesma toada ou até mais intensa.

A cada indicador que mostra alguma mera desaceleração do ritmo de atividade de nossa economia, ritmo que já era considerado insustentável por economistas de todas as tendências, a mídia trata essas  reduções de indicadores como “prova” cabal de que ela está certa ao pregar a chegada do desastre e de que o governo Lula está errado ao pregar o contrário.

Nas ruas de comércio e nos shoppings, porém, falar de crise não é apenas proibido, é ridículo. Ontem, minha mulher foi pagar uma conta perto de uma das ruas de comércio mais significativas do país, a rua 25 de março, em São Paulo, e se espantou não apenas com a massa humana que se espremia nas lojas para comprar e pagar, mas com a própria dificuldade que encontrou na rua para se locomover devido às centenas de milhares que ali se espremiam para consumir de tudo e mais um pouco.

Segundo a mídia, a opinião majoritária em todas as classes sociais, em todas as faixas etárias, em todos os níveis de escolaridade e em todas as regiões do país de que estamos resistindo muito bem à crise, melhor do que qualquer outro país, conforme diz Lula, é produto de auto-engano da população, que, sempre segundo a mídia, não quer enxergar o desastre iminente, e produto, também, de mentiras do governo, que estaria induzindo as pessoas a manterem essa “ilusão”.

Claro está que há uma fé meio cega da mídia no desastre. Essa fé deriva de economistas ligados ao PSDB e ao PFL e que têm grande trânsito junto aos meios de comunicação. Eles se acham mais bem informados do que os técnicos do governo que fundamentam o discurso de Lula, ainda que alguns tarados acreditem que ele diz o que diz sobre a crise sem ter base em nada, apenas calcado nos próprios desejos e na ignorância da qual a elite acredita que o presidente sofre.

A sucessão de números da economia que desautorizam a afirmação de que a crise terá efeitos maiores no Brasil, segundo a mídia, não significaria nada, pois a crise teria chegado “agora” e, portanto, os números que têm sido divulgados seriam produto do momento pré-crise, há dois meses e pouco. Esse discurso ignora, no entanto, que, mantido esse discurso, o único país do mundo em que a crise chegou tão atrasada teria sido o Brasil, porque em todos os outros países de porte igual ou parecido a crise já chegou faz tempo.

É possível perceber a teoria que a mídia vendeu a uma pequena parcela dos brasileiros que, a despeito dos fatos do mundo ao seu redor, continua pregando a chegada do apocalipse econômico. No último domingo, participei da festa de despedida de minha filha que irá estudar na Austrália. Ali, comecei a conversar sobre a crise e sobre o governo Lula com pessoas da classe média paulistana, talvez a classe social mais refratária ao governo.

O discurso dessas pessoas diante da questão da crise envergonharia a mídia. O discurso do conservador paulistano de classe média é de desqualificar estatísticas de todo tipo, desde a popularidade de Lula até a medição do PIB. Todas as estatísticas seriam forjadas em prol do governo “comunista” que teria o país. Essas pessoas acreditam nos boatos que recitam entre elas como se fossem fatos amplamente conhecidos e inegáveis. Lula é popular em 70%? Ah, eles nunca foram pesquisados por nenhum instituto e, portanto, dizem que a pesquisa é falsa e pronto. Assim não têm que refletir por que a popularidade do presidente é tão alta.

O racismo também está em alta entre a classe média paulistana, a exemplo do que acontece na classe alta. Cheguei a ouvir de duas pessoas da minha idade e do meu bairro que elas se consideram racistas, sim. E “com orgulho”.

Foi-me doloroso ouvir o que ouvi. Confrontadas com a afirmação que lhes fiz no âmbito de uma discussão da política de cotas para negros nas universidades, com a afirmação de que, num futuro próximo, veremos médicos e dentistas negros também em São Paulo, onde não existem esses tipos de profissionais com pele escura, aquelas pessoas afirmaram, sem hesitação ou vergonha, que jamais se submeteriam a um médico ou a um dentista negros.

É chocante o nível de reacionarismo que persiste nas camadas mais altas da sociedade. Preconceitos que eu pensava enterrados afloraram com toda força a partir do governo Lula. A impressão que tenho é a de que tanto preconceito sempre ficou submerso por não haver “necessidade” de externá-lo, já que, neste país, estava tudo dominado. Mas a partir da reviravolta social promovida por este governo, a elite branca voltou a mostrar suas garras.

A aposta da direita brasileira no potencial da crise para lhe conceder um passaporte de volta ao poder continua forte e, até certo ponto, parece justificada, pois o mundo piora a cada dia. Apesar de, aqui no Brasil, os indicadores mostrarem uma marolinha, com poucas dispensas de trabalhadores – e absolutamente localizadas – e dados sobre atividade econômica que não revelam nenhuma queda considerável, o mundo, por sua vez, mergulha em um abismo do qual ainda não se vê o fundo.

Essa hipótese de o Brasil, sendo governado por alguém como Lula – um ex-operário e retirante nordestino -, ficar imune a uma crise que pegou o mundo inteiro de jeito é inaceitável para a elite branca paulista-paulistana, para os conservadores de direita do quartel-general do atraso social no país (São Paulo), para aqueles que pregam o racismo em pleno século XXI, para essas pessoas que qualquer um que reside num bairro “nobre” da capital paulista conhece às pencas.

Os conservadores paulistas são piores do que os gaúchos, do que os catarinenses ou do que os cariocas. Na verdade, o dinheiro da nação está aqui em São Paulo. É aqui que se encastela a quase totalidade dos bilionários brasileiros, que são os que mandam – ou que pensam que ainda mandam – no país, aqueles que estão – ou que estavam? – acima das leis e das convenções todas da sociedade, sendo-lhes permitido até delinqüir, matar, roubar, estuprar, enfim, fazer qualquer coisa sem medo de responder por tais crimes.

Sinceramente, dá medo. Eu até estava meio inseguro quanto à possibilidade de a mídia e a oposição quererem que o país afunde na crise para terem mais chance de eleger José Serra presidente em 2010, mas depois que, numa conversa com o jornalista Luiz Carlos Azenha, ele me revelou que, tanto quanto eu, não tem dúvida nenhuma de que essa gente afundaria o país para retomar o Estado, tive que me conformar com essa desgraça.

Vocês conseguem mensurar a quantidade de desgraças que se abateria sobre o país se a crise se tornasse o que o PSDB, o PFL, a família Marinho, a família Frias ou a família Civita, entre outros, querem que se torne por aqui? Quantos dramas? Quanto sofrimento haveria? Para essa gente, quanto mais sofrimento houver melhores serão suas chances de voltar ao poder. Vejam só!

Agora, eu lhes pergunto: para alguém que despreza outro ser humano apenas porque sua pele tem mais pigmentação, dessa pessoa pode-se esperar o que? E não duvidem, meus amigos, de que é o racismo, nu e cru, o que está na essência da mentalidade dessa elite doente, dessas pobres pessoas degeneradas pela mentalidade vigente numa classe social que inclusive integro.

A venda da crise econômica pela mídia é hoje a maior ameaça que o Brasil enfrenta. José Serra, os Marinho, os Frias, os Mesquita, os Civita e tantos outros integrantes desse grupo político que ameaça o país com sabotagem de sua economia, visando dividendos políticos, são hoje os grandes inimigos da nação, aqueles que tentam incessantemente induzir as pessoas a pararem de consumir na esperança de que a indústria e o comércio parem e o desemprego aumente, o que provocaria quebras de empresas e mais demissões.

O que José Serra e seu grupo político-midiático (supra mencionado) estão fazendo tem até nome: crime de lesa-pátria. E o pior é que a única punição que se pode imaginar viável para essa gente é a derrota nas urnas, quando, na verdade, a punição mais justa para crime dessa magnitude seria nada mais, na menos do que esses criminosos passarem uma bela temporada na cadeia.

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Jornalista que deu a sapatada no Bush é comunista.

Publicado por alexproenca em Dezembro 16, 2008

Em uma coletiva concedida domingo (14), junto com o premiê iraquiano Nouri al-Maliki, Bush foi atacado pelo jornalista, que lançou contra o presidente os seus dois sapatos, um ato considerado humilhante na cultura árabe.

Al-Zaidi foi preso em seguida, acusado de atentar contra a dignidade de um chefe de estado. Preso desde então, supostamente teria sido surrado na cadeia, tendo o braço esquerdo partido pela ação policial.

Apoiado por parte da população do país, que foi às ruas pedir pela sua libertação na última segunda-feira (15), o jornalista teve sua vida dissecada pela mídia ao redor do mundo.

A rede de televisão catariana al-Jazira informou nesta terça-feira (16) que al-Zaidi nasceu na cidade de Amarah, no sul do país e é um solteirão convicto aos 29 anos de idade.

Se recusa terminantemente a aceitar a ocupação do seu país pelos americanos, comportamento que a rede catariana atribui a sua filiação a partidos de esquerda do país.

Segundo ela, al-Zaidi pertencera ao Partido dos Trabalhadores Comunistas do Iraque, que se fundiu há dois anos com o Partido Comunista do Iraque.

A emissora diz também que ele foi um ativo membro da União dos Estudantes iraquianos, “que é uma das janelas do Partido Comunista”.

Graduado pela Faculdade de Informações de Bagdá, al-Zaidi trabalhou pela primeira vez em um canal da americana CBS, no qual realizou seus primeiros trabalhos jornalísticos.

A al-Jazira diz também que al-Zaidi foi sequestrado por um grupo desconhecido, em meados de novembro de 2007 e libertado “após três semanas, em condições que não foram divulgadas”.

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De uma sapatada no Bush

Publicado por alexproenca em Dezembro 16, 2008

Acesse o site: http://bushbash.flashgressive.de/ e faça o seu jogo.

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