OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Posts de Janeiro, 2008

E agora Pannunzio?

Publicado por alexproenca em Janeiro 31, 2008

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

O Jornal Cruzeiro do Sul, traz hoje a condenação do deputado federal Pannunzio, por utilização da máquina publica municipal em eleições municipais, quando ele era prefeito de Sorocaba.

Em sua resposta ele disse que isto não é nada, que vai recorrer e ganhar.

Recorrer é o direito dele, faz parte da Constituição Brasileira e das lei do nosso país.

O engraçado que este mesmo direito ele nega constantemente em seus pronunciamentos, ao Governo Federal. É muito engraçado, ao tucanos cabe recursos para provar a  sua honestidade, aos petista, o paredão, e de preferência por julgamento sumário.

Ele já foi condenado a devolver dinheiro aos cofres municipais,  por propaganda indevida, feita nas eleições de 1992. Mas tá na lei, então ele recorre.

Alguns dias passados o deputado federal Renato Amary também foi condenado a devolver dinheiro aos cofres do município de Sorocaba. Apesar de não caber mais recurso, ele também esta recorrendo.

Fico pensando: Cade a “ética” tucana? Os dois deputados federais de Sorocaba, condenados a devolver dinheiro para os cofres das prefeitura.

Acho que o diretório municipal do psdb, deveria abrir uma comissão de ética, para investigá-los.

E a imprensa? Cade o show? A indignação? As manchetes? O linchamento?

Nada.

Nada.

Nada.

Mas se fosse do PT. Ah, se fosse do PT.

Estariam linchando o PT.

Enviado em Realidade Sorocabana | Deixar um comentário »

Sorocaba é dos sorocabanos e brasileiros.

Publicado por alexproenca em Janeiro 31, 2008

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

O resultado da enquete do Jornal Cruzeiro do Sul, mostrou que a maioria dos sorocabanos é pela existência de um estado laico, sem influência religiosa.

O direito a liberdade de opinião, a liberdade partidária, liberdade sindical, liberdade religiosa, entre outras esta expresso na Constituição Brasileira.

E nós lutamos por isto.

Tornar o estado brasileiro religioso, teocrático é um retrocesso enorme ao passado.

E todos os que tem posição democrática e de esquerda tem de lutar contra isto.

Parabéns Sorocabanos.

Resultado:

Não        concorda com a placa:  1.619  -  49,7%

Sim        concorda com a placa:  1.578  -  48,5%

Tanto faz                                   :      55   -    1,6%

Enviado em idéias & opiniões | Deixar um comentário »

De quem é Sorocaba?

Publicado por alexproenca em Janeiro 28, 2008

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

Interessante o debate, que se formou em torno da placa, colocada na entrada de Sorocaba, afirmando que a cidade era do Sr. Jesus Cristo.

Entendo que a colocação da placa fere a Constituição Brasileira, que garante ao estado um carater laico, isto é, sem posição religiosa. Mas também garante a liberdade de religião.

Esta é a questão central.

As igrejas querem de todas as maneiras, submeter o estado a sua imagem e semelheança.

É o fundamentalismo religioso.

Daqui a pouco, os livros de Darwin, estarãos sendo queimados em praça pública.

E foi contra tudo isto, que nos séculos 18, 19 e 20, que houve  a luta para separar o estado da religião.

A intolerância religiosa foi a responsável pela maioria das guerras e mortes. NUnca se matou tanto em nome de Deus ou Deuses.

No passado, os protestantes que vieram para Sorocaba, construir os fornos da Fazenda Ipanema, não puderão sere enterrados nos cemitérios católicos.

No passado, quando o estado brasileiro era religioso, quem não era católico não podia ser funcionário publico.

O estado deve ser laico, e as religiões devem ficar longe dele.

Por isto sou contra a placa.

Enviado em Realidade Sorocabana | 1 Comentário »

Almoço do Núcleo do PT de Sorocaba.

Publicado por alexproenca em Janeiro 27, 2008

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

Realizamos neste domingo, um novo almoço do Núcleo do PT do bairro Júlio de Mesquita FIlho e região.

Compareceram 40 pessoas.

A conversa foi muito boa, e a comida também.

E assim de maneira tranquila e serena, com muitas discução e confraternização, vamos costruído o partido nesta importante região de Sorocaba.

 

17151399876654321

Enviado em Realidade Sorocabana | Deixar um comentário »

Apesar de você.

Publicado por alexproenca em Janeiro 27, 2008

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

No de 2005, no início do processo criminal contra mim e os demais militantes do  PT, eu dizia para os companheiros, que apesar da situação aparecer complicada, ela seria resolvida a nosso favor.

O tempo passou, e de deputada, se tornou EX-deputada.

E nós continuamos aqui, vivos, fortes e atuantes.

Eu sempre me lembrava da música “Apesar de Você” do Chico Buarque.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

Quem esta de salto alto, muito alto, leva um tombo muito grande.

______________________________________________________________ 

Apesar De Você

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

(Crescendo) Amanhã vai ser outro día x 3

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

(Coro3)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

Enviado em Realidade Sorocabana | Deixar um comentário »

Sentença do processo.

Publicado por alexproenca em Janeiro 25, 2008

PODER JUDICIÁRIO – SÃO PAULO COMARCA DE SOROCABA 
 
PRIMEIRA VARA CRIMINAL – QUEIXA-CRIME Nº 2113/05  
 
Vistos. 
 
IARA BERNARDI, ajuizou queixa crime contra ALEXANDRE LEITE PROENÇA, pela prática dos crimes previstos nos artigos 139 e 140, ambos do Código Penal.  


O feito vem tramitando regularmente. Contudo causa extintiva da punibilidade impõe o reconhecimento em favor do querelado. 

Decido. 
 
2 – É caso de decretação da prescrição da pretensão punitiva, na modalidade antecipada, em face do querelado. 


Sabido é que as sanções penais previstas para os delitos de difamação e injúria são de detenção três meses a um ano e multa um a seis meses de detenção, ou multa. Considerando-se, ainda, a causa aumentativa prevista no art. 141, inciso III, a pena pode ser aumentada de um terço. 
O réu, caso sobrevenha eventual condenação, terá pena-base e definitiva fixada no mínimo cominado, levando-se em conta o critério trifásico estatuído no diploma penal, ou seja, três meses e um mês.  

Com o aumento da pena referido, a pena definitiva não chegaria a seis meses. 
Vale dizer, como a apenação final não alcançará um ano, tem-se que o lapso prescricional aplicável é o previsto no art. 109, VI, do Código Penal, ou seja, dois anos. 
E este já se verificou. Considerando-se que da data em que o fato tornou-se conhecido pela querelante, 10 de janeiro de 2005, até a presente, mais de dois anos se passaram, impõe-se o reconhecimento da causa extintiva. 
Assim, a decretação da prescrição da pretensão punitiva, levando-se em conta a pena em perspectiva é de mister, pois o Estado perdeu o direito de punir.  
Anote-se que o Poder Judiciário não deu causa ao evento em tela e a prestação jurisdicional torna-se inócua ao caso “sub examen”. 
 
3 – Ante o exposto, JULGO EXTINTA A PUNIBILIDADE de ALEXANDRE LEITE PROENÇA, com fulcro nos arts. 107, inc. IV (primeira figura) e 109, inc. VI, ambos os dispositivos do Código Penal, c.c. o art. 61, caput, do Código de Processo Penal, para que surta seus jurídicos e legais efeitos. 
Oportunamente, arquivem-se estes autos. 
 
P.R.I. 
 
Sorocaba, 04 de dezembro de 2007. 
 
 
JAYME WALMER DE FREITAS 
JUIZ DE DIREITO

Enviado em sorocaba | Deixar um comentário »

Ganhei !!!!

Publicado por alexproenca em Janeiro 23, 2008

Boa tarde   Prezado Alex:  

Tenho a honra de lhe informar que o processo movido por Iara Bernardi foi julgado extinto porque o MM Juizo acolheu o pedido de prescrição.

Sendo assim V. Sa. continua mantendo o estado de primário (sem antecedentes).  

 Sem mais, cordialmente. Dra Eliane de Araujo Costa

Enviado em Temas diversos | Deixar um comentário »

A biblioteca do pedreiro.

Publicado por alexproenca em Janeiro 23, 2008

pedreiro

 

A biblioteca do pedreiro

Por Francisco Chagas

Desde que salvou do lixo algumas dezenas de livros, descartados por uma viúva, o pedreiro Evando dos Santos faz da literatura uma causa. Dez anos depois, mais de 40 mil livros entopem sua varanda, sala, cozinha, quarto – e sua casa virou a Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Meneses, em Vila da Penha, zona norte do Rio. Seu sonho de construir um prédio moderno para a biblioteca acabou conquistando adeptos. O centenário arquiteto Oscar Niemeyer fez o projeto, o BNDES financiou a construção e o prédio está pronto. O acervo tem de didáticos a raridades, como um Sobrados e Mocambos, de Gilberto Freyre (de 1958), ou um Estudos Alemães, de Tobias Barreto (de 1888), “marco do realismo brasileiro”, ensina. “Dê o livro para um brasileiro pegar, cheirar, sentir, e verá como ele se apaixona.”

Evando mudou-se de Sergipe para o Rio aos 16 anos. Analfabeto, tomou contato com as letras por intermédio do conterrâneo Dernival Pereira, colega mais velho de obra, que no horário de almoço lia e explicava obras de Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Shakespeare. “Sou eternamente grato”, diz. A predileção é pela obra de Tobias Barreto (1839-1889), filósofo e poeta sergipano, patrono da cadeira número 38 da Academia Brasileira de Letras. Evando sonha agora em ativar ali também uma faculdade. Só não tem, ainda, de onde tirar os cerca de 4 mil reais mensais que acredita bastarem para a manutenção da instituição. Para oferecer cursos de literatura, inglês, italiano, fotografia, latim, espanhol e tupi-guarani, conta com voluntários. E que vingue uma campanha para receber doações.

 

Fonte:  www.revistadobrasil.net

 —————————————————————————————-

E o que você esta fazendo?

Sentado, então levanta a bunda da cadeira, e vai fazer alguma coisa de útil.

Enviado em idéias & opiniões | Deixar um comentário »

Produção, salário e lucros – Parte 1

Publicado por alexproenca em Janeiro 19, 2008

 A conferência proferida pelo cidadão Weston poderia ser condensada a ponto de caber numa casca de noz.

Toda a sua argumentação reduz-se ao seguinte: se a classe operária obriga a classe capitalista a pagar-lhe, sob a forma de salário em dinheiro, 5 xelins em vez de 4, o capitalista devolver-lhe-á sob a forma de mercadorias, o valor de 4 xelins em vez do valor de 5. Então a classe operária terá que pagar 5 xelins pelo que antes da alta de salários lhe custava apenas 4. E por que ocorre isto? Por que o capitalista só entrega o valor de 4 xelins por 5? Porque o montante dos salários é fixo.

Mas por que fixo precisamente no valor de 4 xelins em mercadorias? por que não em 3, em 2, ou outra qualquer quantia? Se o limite do montante dos salários está fixado por uma lei econômica, independente tanto da vontade do capitalista como da do operário, a primeira coisa que deveria ter feito o cidadão Weston era expor e demonstrar essa lei.

Deveria provar, além disso, que a soma de salários efetivamente pagos em cada momento dado, corresponde sempre, exatamente, à soma necessária dos salários, e nunca se desvia dela. Em compensação, se o limite dado da soma de salários depende da simples vontade do capitalista, ou das proporções da sua avareza, trata-se de um limite arbitrário, que nada tem em si de necessário. Tanto pode ser modificado pela vontade do capitalista, como também se pode fazê-lo variar contra a sua vontade.

O cidadão Weston ilustrou a sua teoria dizendo-nos que se uma terrina contém determinada quantidade de sopa, destinada à determinada número de pessoas, a quantidade de sopa não aumentará se aumentar o tamanho das colheres. Seja-me permitido considerar este exemplo pouco substancioso. Ele me faz lembrar um pouco aquele apólogo de que se valeu Menênio Agripa.

Quando a plebe romana entrou em luta contra os patrícios, o patrício Agripa disse-lhes que a pança patrícia é que alimentava os membros plebeus do organismo político. Mas Agripa não conseguiu demonstrar como se alimentam os membros de um homem quando se enche a barriga de outro. O cidadão Weston, por sua vez, se esquece de que a terrina da qual comem os operários, contém todo o produto do trabalho nacional, e o que os impede de tirar dela uma ração maior não é nem o tamanho reduzido da terrina, nem a escassez do seu conteúdo, mas unicamente a pequena dimensão de suas colheres.

Graças a que artifício consegue o capitalista devolver um valor de 4 xelins por aquilo que vale 5? A alta dos preços das mercadorias que vende. Mas então, a alta dos preços, ou falando em termos mais gerais, as variações nos preços das mercadorias, os próprios preços destas, porventura dependem da simples vontade do capitalista? Ou, ao contrário, são necessárias determinadas circunstâncias para que prevaleça essa vontade? Se não fosse assim, as altas e baixas, as incessantes oscilações dos preços no mercado seriam um enigma indecifrável.

Se admitimos que não se operou em absoluto alteração alguma, nem nas forças produtivas do trabalho, nem no volume do capital e do trabalho empregados, ou no valor do dinheiro em que se expressam os valores dos produtos, mas que se alteraram tão somente as taxas de salários, de que maneira poderia esta alta de salários influir nos preços das mercadorias? Somente influindo na proporção real entre a oferta e a procura dessas mercadorias.

É inteiramente certo que a classe operária, considerada em conjunto, gasta e será forçosamente obrigada a gastar a sua receita em artigos de primeira necessidade. Uma alta geral na taxa de salários provocaria, portanto, um aumento da procura de artigos de primeira necessidade e, conseqüentemente, um aumento de seus preços no mercado. Os capitalistas que produzem estes artigos de primeira necessidade compensariam o aumento de salários por meio da alta dos preços dessas mercadorias.

Mas que sucederia com os demais capitalistas que não produzem artigos de primeira necessidade? E podeis estar certos que o seu número não é pequeno.Se levardes em conta que duas terças partes da produção nacional são consumidas por um quinto da população – um deputado da Câmara dos Comuns declarou, recentemente, que tais consumidores constituem apenas a sétima parte da nação -, podereis imaginar que enorme parcela da produção nacional se destina a objetos de luxo, ou a ser trocada por objetos de luxo, e que imensa quantidade de artigos de primeira necessidade se desperdiça em criadagem, cavalos, gatos, etc., esbanjamento esse que, como nos ensina a experiência diminui cada vez mais, com a elevação dos preços dos artigos de primeira necessidade.

Pois bem, qual seria a situação desses capitalistas que não produzem artigos de primeira necessidade? Não poderiam compensar a queda na taxa de lucro, após uma alta geral de salários, elevando os preços de suas mercadorias, visto que a procura destas não teria aumentado. A sua renda diminuiria; e com esta renda diminuída teriam de pagar mais pela mesma quantidade de artigos de primeira necessidade, que subiriam de preço.

Mas a coisa não pararia aí. Diminuída a sua renda, menos teriam para gastar em artigos de luxo, com o que também se reduziria a procura recíproca de suas respectivas mercadorias. E como conseqüência desta diminuição da procura, cairiam os preços das suas mercadorias.

Portanto nestes ramos da indústria, a taxa de lucros cairia, não só em proporção simplesmente ao aumento geral da taxa de salários, como, também, essa queda seria proporcional à ação conjunta da alta geral de salários, do aumento de preços dos artigos de primeira necessidade e da baixa de preços dos artigos de luxo.

Qual seria a conseqüência desta diferença entre as taxas de lucro dos capitais colocados nos diversos ramos da indústria? Ora, a mesma que se produz sempre que, seja qual for a causa, se verificam diferenças nas taxas médias de lucro dos diversos ramos da produção.

O capital e o trabalho se deslocariam dos ramos menos remunerativos para os que o fossem mais; e este processo de deslocamento iria durar até que a oferta em um ramo industrial aumentasse a ponto de se nivelar com a maior procura e nos demais ramo industrial diminuísse proporcionalmente à menor procura. Uma vez operada esta mudança, a taxa geral de lucro voltaria a igualar-se nos diferentes ramos da indústria.

Como todo esse desarranjo obedecia originariamente a uma simples mudança na relação entre a oferta e a procura de diversas mercadorias, cessando a causa, cessariam também os efeitos, e os preços voltariam ao seu antigo nível e ao antigo equilíbrio. A redução da taxa de lucro, por efeito dos aumentos de salários, em vez de limitar-se a uns quantos ramos da indústria, tomar-se-ia geral.

Segundo a suposição de que partimos, nenhuma alteração ocorreria nas forças produtivas do trabalho, nem no volume global da produção, sendo que aquele volume dado de produção apenas teria mudado de forma. Uma maior parte do volume de produção estaria representada por artigos de primeira necessidade, ao passo que diminuiria a parte dos artigos de luxo, ou, o que vem a ser o mesmo, diminuiria a parte destinada à troca por artigos de luxo importados do estrangeiro e consumida desta forma; ou, o que ainda é o mesmo, em outros termos, uma parte maior da produção nacional seria trocada por artigos importados de primeira necessidade, em lugar de ser trocada por artigos de luxo.

Isto quer dizer que, depois de transtornar temporariamente os preços do mercado, a alta geral da taxa de salários só conduziria a uma baixa geral da taxa de lucro, sem introduzir nenhuma alteração permanente nos preços das mercadorias.

Se me disserem que, na anterior argumentação, dou por estabelecido que todo o aumento de salários se gasta em artigos de primeira necessidade, replicarei que fiz a suposição mais favorável ao ponto de vista do cidadão Weston. Se o aumento dos salários fosse aplicado em objetos que antes não entravam no consumo dos trabalhadores, seria inútil que nos detivéssemos a demonstrar que seu poder aquisitivo havia experimentado um aumento real.

Sendo, porém, mera conseqüência da elevação de salários, este aumento do poder aquisitivo dos operários terá de corresponder, exatamente, à diminuição do poder aquisitivo dos capitalistas. Vale dizer, portanto, que a procura global de mercadorias não aumentaria, e apenas mudariam os elementos integrantes dessa procura. O incremento da procura de um lado seria contrabalançado pela diminuição da procura do outro lado.

Deste modo, como a procura global permaneceria invariável, não se operaria mudança de cunho algum nos preços das mercadorias.

Chegamos, assim, a um dilema: ou o incremento dos salários se gasta por igual em todos os artigos de consumo, caso em que o aumento da procura por parte da classe operária tem que ser compensado pela diminuição da procura por parte da classe capitalista; ou o incremento dos salários só se gasta em determinados artigos cujos preços no mercado aumentarão temporariamente.

Neste caso, a conseqüente elevação da taxa de lucro em alguns ramos da indústria e a conseqüente baixa da taxa de lucro em outros provocarão uma mudança na distribuição do capital e do trabalho, que persiste até que a oferta se tenha ajustado à maior procura em alguns ramos da indústria e à menor procura nos outros. Na primeira hipótese não se produzirá nenhuma mudança nos preços das mercadorias. Na outra hipótese, após algumas oscilações dos preços do mercado, os valores de troca das mercadorias baixarão ao nível anterior.

Em ambos os casos, chegaremos à conclusão de que a alta geral da taxa de salários conduzirá, afinal de contas, a nada menos que uma baixa geral da taxa de lucro.

Enviado em Textos fundamentais | Deixar um comentário »

1 – Produção e salários – parte 1

Publicado por alexproenca em Janeiro 16, 2008

1 – Produção e salários

O argumento do cidadão Weston baseia-se, na realidade, em duas premissas:

1ª ) que o volume da produção nacional é algo de fixo, uma quantidade ou grandeza constante, como diriam os matemáticos;

2ª ) que o montante dos salários reais, isto é, dos salários medidos pelo volume de mercadorias que permitem adquirir, é também uma soma fixa, uma grandeza constante.

Pois bem, a sua primeira asserção é manifestamente falsa. Podeis ver que o valor e o volume da produção aumentam de ano para ano, que as forças produtivas do trabalho nacional crescem e que a quantidade de dinheiro necessária para pôr em circulação esta crescente produção varia sem cessar. O que é exato no fim de cada ano e para diferentes anos comparados entre si, também o é com respeito a cada dia médio do ano.

O volume ou grandeza da produção nacional varia continuamente. Não é uma grandeza constante, mas variável, e assim tem que ser, mesmo sem levar em conta as flutuações da população, devido às contínuas mudanças que se operam na acumulação de capital e nas forças produtivas do trabalho. É inteiramente certo que se hoje houvesse um aumento da taxa geral de salários, este aumento por si só, quaisquer que fossem os seus resultados ulteriores, não alteraria imediatamente o volume da produção.

Em primeiro lugar, teria que brotar do estado de coisas existente. E se a produção nacional, antes da elevação dos salários era variável, e não fixa, ela continuaria a sê-lo, também, depois da alta.

Admitamos, porém, que o volume da produção nacional fosse constante em vez de variável.Ainda neste caso, aquilo que o nosso amigo Weston considera uma conclusão lógica permaneceria como uma afirmação gratuita. Se tomo um determinado número, digamos 8, os limites absolutos deste algarismo não impedem que variem os limites relativos de seus componentes.

Por exemplo: se o lucro fosse igual a 6 e os salários a 2, estes poderiam aumentar até 6 e o lucro baixar a 2, que o número resultante não deixaria por isso de ser 8. Desta maneira, o volume fixo da produção jamais conseguirá provar que seja fixo o montante dos salários. Como, então, nosso amigo Weston demonstra essa fixidez? Simplesmente, afirmando-a.

Mas mesmo dando como boa a sua afirmativa, ela teria efeito em dois sentidos, ao passo que ele quer fazê-la vigorar apenas em um. Se o volume dos salários representa uma quantidade constante, não poderá aumentar, nem diminuir. Portanto, se os operários agem como tolos, ao arrancarem um aumento temporário de salários, não menos tolamente estariam agindo os capitalistas, ao impor uma baixa temporária dos salários.

Nosso amigo Weston não nega que, em certas circunstâncias, os operários podem arrancar aumentos de salários, mas, segundo ele, corno por lei natural a soma dos salários é fixa, este aumento provocará, necessariamente, uma reação. Por outro lado, ele sabe também que os capitalistas podem, do mesmo modo, impor uma baixa de salários, e tanto assim que o estão tentando continuamente.

De acordo com o princípio do nível constante dos salários, neste caso deveria ter lugar uma reação, exatamente como no anterior. Por conseguinte, os operários agiriam com acerto reagindo contra as baixas de salários ou contra as tentativas em tal sentido. Procederiam, portanto, acertadamente, ao arrancar aumentos de salários, pois toda reação contra uma baixa de salários é uma ação a favor do seu aumento.

Logo, mesmo que aceitássemos o princípio do nível constante dos salários, como sustenta o cidadão Weston, vemos que os operários devem, em certas circunstâncias, unir-se e lutar pelo aumento de salários.

Para negar esta conclusão ele teria que renunciar à premissa em que se baseia. Não deveria dizer que o volume dos salários é uma grandeza constante, mas, sim, que embora não possa, nem deva aumentar, pode e deve baixar todas as vezes que o capital sinta vontade de diminuí-lo. Se o capitalista quer vos alimentar com batatas, em vez de carne, ou com aveia em vez de trigo, deveis acatar a sua vontade como uma lei da economia política e vos submeter a ela.

Se num país, por exemplo, nos Estados Unidos, as taxas de salários são mais altas do que em outro, por exemplo, na Inglaterra, deveis explicar esta diferença no nível dos salários corno uma diferença entre a vontade do capitalista norte-americano e a do capitalista inglês; método este que, sem dúvida, simplificaria imenso não já apenas o estudo dos fenômenos econômicos, como também o de todos os demais fenômenos.

Enviado em Textos fundamentais | Deixar um comentário »