8 – O reino de Urartu
As tribos urartianas viviam na extremidade ocidental da Asia Menor, na região do lago salgado de Van. A natureza de Urartu é muito variada. O elevado planalto da Arménia está separado da Asia Menor pelo Eufrates; a leste alonga-se a cadeia montanhosa de Zagros; a oeste o Taurus arménio. As terras férteis e cultiváveis não existiam senão nos vales e nas planícies. As montanhas eram ricas em minérios de ferro, de cobre e em pedra de construção. Florestas e bosques cobriam as suas encostas.
Essas condições naturais favoreciam particularmente a criação de gado e o artesanato. Este atingiu um alto grau de perfeição, sobretudo no fabrico de instrumentos de bronze e de ferro. A agricultura, que carecia de uma irrigação artificial, não se desenvolveu senão à medida que os Urartianos arranjavam a sua complexa rede de irrigação.
As tribos de Urartu são pela primeira vez mencionadas nas inscrições do rei da Assíria Salmanasar 1, no infcio do século XIII antes da nossa era: fala-se aí na união de tribos chamadas urartianas, união aquela composta de oito pequenos “países”. Estes foram conquistados por Salmanasar, que os destruiu, queimando as suas localidades, fazendo prisioneiros e reduzindo-os à escravidão.
No século XIII o nome dos Urartianos desaparece das inscrições assírias, que falam, todavia, de várias campanhas ao país de Nairi, situado à volta do lago de Van. As tribos subjugadas sublevavam-se constantemente, ao que os reis da Assíria respondiam com terríveis represálias.
No início do 1 milénio antes da nossa era, constituem-se vários Estados (Hubushkia, Musasir e outros) na região do lago de Van. Um deles é Urartu, cuja capital, Turushpa, se situa mesmo à beira do lago. A luta desses Estados contra a Assíria termina no século IX com a formação de uni único reino urartiano.
A unificação, iniciada por Sharduris 1, rei de Turushpa, que loi o primeiro a intitular-se “rei das multidões” recebendo o tributo de “todos os reis”, terminou com o seu neto Ménua, do qual foram recolhidas 101 inscrições cuneiformes.
Entre elas, há 31 que relatam a construção de fortalezas nos acessos a Turushpa e no norte, assim cotno palácios e templos. E há 19 que se referem à abertura dc canais.
Os reis de Urartu estendem a pouco e pouco o seu território para leste e para o sul. Os Urartianos penetram também na Transcaucásia, nas regiões do curso superior do rio Kura e do Araxe. Os países conquistados são administrados por governadores que lá recebem os tributos.
No reino executam-se grandes trabalhos. Constroem-se ainda fortalezas; a de Argishtikinili, sobre a margem do Araxe, na actual Arménia, construída no tempo do rei Argishti, sucessor de Ménua, torna-se o centro militar e administrativo dos soberanos de Urartu na Transcaucásia e o seu trampolim para novas conquistas. Tinha poderosas muralhas de basalto, cujos restos se conservaram até aos nossos dias.
O Urartu atinge o seu apogeu na primeira metade tio século VIII antes da nossa era, nos reinados de Argishti 1 (781-760) e Sharduris II (760-730). Argishti fez numerosas expedições para leste, combateu a Assíria e consolidou o seu domínio na Transcaucásia, na região do lago Sevan. Uma enorme inscrição, chamada Crónica de Khorkhor, gravada no rochedo de Van, informa-nos de todas as suas campanhas. Havia então em Urartu numerosos cativos que foram reduzidos à escravidão.