Alexandre
O segundo livro é “A morte do Sapateiro – A Saga dos Anos 30″, de Eduardo Maffei, ele aborda o movimento de esquerda, principalmente os comunistas, durante os anos 30.
Eduardo Maffei foi militante comunista, morador na cidade de Itu, no final dos anos 80, eu trabalhava no Diretório Estadual do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e fui até a casa dele, mais infelizmente não cheguei a conversar, pois ele estava bem de saúde.
Entre as muitas histórias, ele mostra a audácia e a coragem dos militantes comunista, e que a meu ver, é um exemplo para nossa atuação política, nos dias atuais.
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- Você conheceu os precursores dos batalhões internacionais?
- Sim; alguns. Dudwig Renn, von alemão, pacifista, cria em seus princípios, condenando a guerra, conforme sua novela célebre, Krieg. Ao tomar conhecimento do que representava a guerra civil espanhola, mandou às favas seus princípios, a paz, e seguiu para as frentes. Sempre estava adiante das tropas. Na batalha de Guadalajara, quando parecia que a perderíamos, pois os italianos de Mussolini haviam feito uma brecha, Renn ordenou às tropas que avançassem: “Não devemos temer os fascistas italianos. Tem boas armas mas não têm comando.
Estão sempre nervosos e atiram cedo demais”. Enquanto os italianos debandavam, continuava a gritar: “Não precisamos ter medo desses heróis”. Era de uma calma extraordinária. Hans Beimler, também precursor, fora deputado comunista no Reichstag. Condenado à morte por Hitler, subjugou um S.S. nazista que o vigiava na prisão, estrangulou-o, vestiu seu uniforme, atravessou a Alemanha e dirigiu-se diretamente para a Espanha, onde passou a instruir as tropas. Encontrando-se com Renn, perguntou o que achava de sua instrução, recebendo resposta que não esperava: “Com essas tropas assim aglomeradas, vai ser um desastre. Uma só granada de mão é capaz de dizimar a todos. Com o fogo dos canhões, a linha será perfurada num instante”. Beirnler meditou e inquiriu: – “Que fazer, então?” – “Rarefazer as linhas de frente, usando muita reserva à retaguarda. Sempre que os fascistas romperem a primeira, terão que se haver com os destacamentos colocados em profundidade”. Foi promovido a comandante por Beimler que, como tal, o enviou para a frente de Madrid. Um pacifista que se transformava num teórico e prático da guerra!. . . Esse Beimler teve um fim que nos comoveu. Em Madrid, na Cidade Universitária, quando inspecionava a frente, percebeu que alguém, ferido, gemia. Sob a proteção de um tanque, avançou para socorrê-lo. Não o conseguiu. Foi ferido de morte. Seu corpo foi exposto no cinema Royalty, em Madrid, e choramos sua morte em um único pranto, os voluntários de dezenas de nacionalidades ali presentes, quando, na homenagem, Miaja, nos disse: “Hans Heimler morreu combatendo, como sempre o fez.
Os vossos são também nossos mortos”.

