OPINIÃO

Idéias e opiniões socialistas sobre Sorocaba

Posts de Setembro, 2007

A morte do sapateiro.

Publicado por alexproenca em Setembro 29, 2007

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

O segundo livro é “A morte do Sapateiro – A Saga dos Anos 30″, de Eduardo Maffei, ele aborda o movimento de esquerda, principalmente os comunistas, durante os anos 30.

Eduardo Maffei foi militante comunista, morador na cidade de Itu, no final dos anos 80, eu trabalhava no Diretório Estadual do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e fui até a casa dele, mais infelizmente não cheguei a conversar, pois ele estava bem de saúde.

Entre as muitas histórias, ele mostra a audácia e a coragem dos militantes comunista, e que a meu ver, é um exemplo para nossa atuação política, nos dias atuais.

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-   Você conheceu os precursores dos batalhões internacionais?

-  Sim; alguns. Dudwig Renn, von alemão, pacifista, cria em seus princípios, condenando a guerra, conforme sua novela célebre, Krieg. Ao tomar conhecimento do que representava a guerra civil espa­nhola, mandou às favas seus princípios, a paz, e seguiu para as frentes. Sempre estava adiante das tropas. Na batalha de Guadalajara, quando parecia que a perderíamos, pois os italianos de Mussolini haviam feito uma brecha, Renn ordenou às tropas que avançassem: “Não devemos temer os fascistas italianos. Tem boas armas mas não têm comando.

Estão sempre nervosos e atiram cedo demais”. Enquanto os italianos debandavam, continuava a gritar: “Não precisamos ter medo desses heróis”. Era de uma calma extraordinária. Hans Beimler, também pre­cursor, fora deputado comunista no Reichstag. Condenado à morte por Hitler, subjugou um S.S. nazista que o vigiava na prisão, estrangulou-o, vestiu seu uniforme, atravessou a Alemanha e dirigiu-se diretamente para a Espanha, onde passou a instruir as tropas. Encontrando-se com Renn, perguntou o que achava de sua instrução, recebendo resposta que não esperava: “Com essas tropas assim aglomeradas, vai ser um desastre. Uma só granada de mão é capaz de dizimar a todos. Com o fogo dos canhões, a linha será perfurada num instante”. Beirnler medi­tou e inquiriu: – “Que fazer, então?” – “Rarefazer as linhas de frente, usando muita reserva à retaguarda. Sempre que os fascistas rom­perem a primeira, terão que se haver com os destacamentos colocados em profundidade”. Foi promovido a comandante por Beimler que, como tal, o enviou para a frente de Madrid. Um pacifista que se transformava num teórico e prático da guerra!. . . Esse Beimler teve um fim que nos comoveu. Em Madrid, na Cidade Universitária, quando inspecionava a frente, percebeu que alguém, ferido, gemia. Sob a proteção de um tan­que, avançou para socorrê-lo. Não o conseguiu. Foi ferido de morte. Seu corpo foi exposto no cinema Royalty, em Madrid, e choramos sua morte em um único pranto, os voluntários de dezenas de nacionali­dades ali presentes, quando, na homenagem, Miaja, nos disse: “Hans Heimler morreu combatendo, como sempre o fez.

Os vossos são também nossos mortos”.

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Rádio Comunitária é coisa boa.

Publicado por alexproenca em Setembro 29, 2007

Dioclecio

Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

 

Ontem, organizando alguns dos meus livros, encontrei dois, sobre os quais quero falar.

O primeiro é sobre o livro “Rádios Comunitárias, na intenção de mudar o mundo”, do jornalista Dioclécio Luz, grande companheiro defensor da democratização dos meios de comunicações.

O livro foi publicado em 2001, mas é de atualidade genuína, recomendo a sua leitura, para todos, que queiram compreender a situação das rádios comunitárias no Brasil.

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Tropa de Elite, filme facista.

Publicado por alexproenca em Setembro 29, 2007

  Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

Acabei de assistir o filme Tropa de Elite, que é aborda uma ação do Batalhão de Operações Especiais, contra traficantes nas favelas do Rio de Janeiro. Ele parte da situação decadente e corrupta de setores da polícia carioca, para mostrar a ação dos “heróis” do batalhão.

Bem o filme é essencialmente fascista, onde tudo é justificável para prender e principalmente matar traficantes. Torturas, invasões de casas, sem ordem judicial, assassinatos, feito por quem, deveria cumprir a lei.

Este filme é o modelo dos filmes americanos: muita violência, tiros e “ação”, bem ao estilo do publico norte-americano.

O filme “Tropa de Elite”, ele tem o mérito de retratar de maneira clara, a forma como os setores mais pobres são tratados pelos órgãos de segurança pública.

E antes que me venham criticar, quero dizer não tenho ilusões em relação ao crime organizado, ele deve ser combatido com todo o rigor e todo o poder que o Estado disponha. Mas ele deve ser combatido em sua raiz, que é o fator de acumulação de capital, de lucros enormes, propiciado pelo tráfico, seqüestro, roubo de carga, etc. Dinheiro este, que posteriormente, é revertido na construção de empresas, lojas, condomínios fechados, loteamentos, etc.

E a prova de que isto é possível, são as ações da Polícia Federal, que sob a direção do Presidente Lula, vem prendendo os grandes traficantes, contrabandistas, e etc. E isto, dentro da lei, e principalmente: em nenhum morto. Tudo feito dentro de um trabalho de inteligência.

E o Governo Federal, além das ações policiais, vem investindo pesado, na urbanização de favelas, tomando dos traficantes e criminosos, este território que estava a margem da lei.

No governo do Presidente Lula, a polícia não só entra em favelas, mas principalmente nos CONDOMÍNIOS FECHADOS, onde de fato se encontram os chefes do crime organizado. Talvez seja por isso, a fúria como a imprensa burguesa, golpista e fascista ataca o Governo Federal.

Para honra do povo brasileiro, o filme escolhido para representar o Brasil, para indicação do Oscar, foi “O dia em que meus pais saíram de férias”, que retrata  a situação dos militantes de esquerda, durante a ditadura militar.

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As tribos de Israel e de Judá e a sua penetração em Canaã.

Publicado por alexproenca em Setembro 28, 2007

6 - As tribos de Israel e de Judá e a sua penetração em Canaã

O pais situado ao sul da Síria foi chamado pelos Grcgos Pakstina do nome filisteus, gentes que viviam desde O século XII na costa sudeste do Mediterrâneo. Um rio, o Jordão, atravessa o país de norte a sul, e lança-se no Mar Morto. Divide a Palestina em duas zonas distintas: a oeste do vale, onde estão as terras férteis, há uma vegetação luxuriante, a margem oriental é rochosa e nua.

No Norte, levantam-se os arborizados contrafortes do Líbano e do Anti-Líbano; ao sul do Mar Morto es:endem-se planícies que verdejam durante a estação das chuvas e se transfor­mam em desertos durante as secas.

No segundo milénio antes da nossa era, a Palestina, que então se chamava Canaã, era povoada por Cananeus, que falavam uma língua semítica, e por Khurvitas. Essas re­giões férteis tinham, desde o III milénio, excitado a cobiça dos Egípcios que, sob os faraós da XVIII dinastia, os subjugaram como à Fenícia. No fim do II milénio, em con­sequência da invasão dos “povos do mar”, o Egipto perde a Palestina, que ficou a constituir o teatro de lutas entre várias tribos.

Foi então que começaram a penetrar na Palestina, do lado de lá do Jordão, tribos hebraicas unidas sob o nome de Israel.

Esse movimento não era uma campanha militar organi­zada, mas uma lenta infiltração de tribos isoladas que, em certos casos, exterminavam ou reduziam à escravatura os aborígenes; e em outros casos estabeleciam-se em terras desabitadas, lado a lado com os Cananeus.

Após a imigra­ção, as tribos israelitas, sobretudo as de Judâ, e as tribos vizinhas instaladas na região semidesértica do Sul da Palestina conservaram durante algum tempo o regime de clãs. Mas, pouco a pouco, o seu modo de vida pastoril transformou-os em cultivadores, modo de vida esse que predominava no Norte e no Centro de Canaã, desde o sé­culo XV antes da nossa era.

As comunidades baseadas no clã tornavam-se em comunidades de vizinhança, apesar da manutenção de certas tradições antigas, que agiam so­bre o regime social e político dos imigrados. Se bem que disseminados por um território bastante lato, e passando a uma existência de agricultores sedentários, as tribos con­servaram durante muito tempo usos e costumes de clã ci­vis, militares e religiosos.

Todavia, o desenvolvimento da escravatura e a desigual­dade de fortuna criaram, desde o fim do II milénio, as con­dições económicas para o nascimento do Estado.

Nos séculos XII e XI, penetram outras tribos em Canaã. Semitas nómadas, da Transjordânia, chegam de leste; um dos “povos do mar”, os Filisteus, desembarca­ramn a oeste, na costa palestiniana. As tribos de Israel fazem frente aos invasores de Leste através dos seus pró­prios meios. Quanto aos Filisteus, mostram-se muito temi­dos. Armados de gládios de ferro, apoderam-se do litoral e empreendem a conquista do interior do país: constroem ai praças fortes (as principais das quais são Asdod ou Azoth e Gaza) e fundam vários principados.

A guerra contra os Filisteus contribuiu para a união das tribos israelitas num só Estado. A primeira tentativa foi efectuada por um chefe de tribo de nome Saul que, uma vez rei, combateu os Filisteus. As tribos israelitas do Sul (incluindo Judá) participaram na luta.

À morte de Saul, os combates voltaram a dar-se, sob o comando de um estri­beiro de Saul, chamado David, que era da tribo de Judá. Proclamado rei de Judá, reuniu sob o seu poder as tribos israelitas do Sul e do centro de Canaã. Esse Estado éconhecido pelo nome de reino de Israel ou de Judá. Con­segue vencer os Filisteus e escorraçá-los do país. Essa vitória consagrou a autoridade de David (principio do século X antes da nossa era).

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Tercerização na prefeitura de Sorocaba.

Publicado por alexproenca em Setembro 28, 2007

 Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

Recebi as denúncias abaixo, elas retratam a situação de trabalhadores (as) na Prefeitura de Sorocaba.

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Denuncia 

Após implantar o programa CLUBE DA ESCOLA, houve a necessidade de se manter as unidades escolares limpas. Mas olhem o que vem acontecendo:

A Empreiteira Partner ( responsável pela limpeza das escolas)  vem obrigando os funcionários a trabalharem aos finais de semana sem as devidas remunerações ( + 50% no sábado e + 100% no domingo ). Diante da necessidade esta empreiteira vem dando folga aos funcionários, folga esta de apenas um por um ( um sábado por um dia da semana ). Isto pelo que entendo é de conhecimento da prefeitura, pois ela é gestora dos contratos desta referida empresa. 

Ressalto que nos dias de folga dos funcionários a escola fica desfalcada, com o conhecimento das respectivas chefias, mas mesmo assim se recusam a mandar pessoas para substituírem os folguistas, gerando sobre carga de trabalho aos que não folgam alem de criar condições inadequadas de limpeza no ambiente. 

Até quando isto continuará? Será que o programa CLUBE DA ESCOLA quando de sua elaboração não previa isto? As pessoas que pensam estes programas pensam somente em parte e nunca no todo?  
 

SABE TUDO 

Problema parecido vem acontecendo com as obras de outro projeto, o tal do SABE TUDO. Chegou até meu conhecimento que um funcionário da empreiteira que fora contratada para a construção do SABE TUDO da EM Luiz Almeida Marins ( Júlio de Mesquita Filho ), foi demitido após seis meses de trabalho sem se quer ter sido registrado. O funcionário em questão afirmou que se tratava de prática padrão desta empreiteira, pois assim a mesma não tinha gastos com encargos trabalhistas e desse modo o seu lucro era ainda maior. Quando desligado da empreiteira disse ter ficado dois funcionários responsáveis pela obra, mas vivendo a mesma situação. Sabe que outros ex-empregados também foram demitidos nessas mesmas circunstancias. 

Pergunto: Será que isto também não é de conhecimento da Prefeitura? Quem fiscaliza o recolhimento de impostos que são devidos pelas empreiteiras? Sabe que quando o recolhimento não acontece por parte da empreiteira a prefeitura passa a ser a responsável direta. Mas ela já pagou a contratada e agora? 

Ah.. fica para o contribuinte mais essa falta de fiscalização?

Denuncia
Após implantar o programa CLUBE DA ESCOLA, houve a necessidade de se manter as unidades escolares limpas. Mas olhem o que vem acontecendo:

A Empreiteira Partner ( responsável pela limpeza das escolas) vem obrigando os funcionários a trabalharem aos finais de semana sem as devidas remunerações ( + 50% no sábado e + 100% no domingo ). Diante da necessidade esta empreiteira vem dando folga aos funcionários, folga esta de apenas um por um ( um sábado por um dia da semana ). Isto pelo que entendo é de conhecimento da prefeitura, pois ela é gestora dos contratos desta referida empresa.
Ressalto que nos dias de folga dos funcionários a escola fica desfalcada, com o conhecimento das respectivas chefias, mas mesmo assim se recusam a mandar pessoas para substituírem os folguistas, gerando sobre carga de trabalho aos que não folgam alem de criar condições inadequadas de limpeza no ambiente.
Até quando isto continuará? Será que o programa CLUBE DA ESCOLA quando de sua elaboração não previa isto? As pessoas que pensam estes programas pensam somente em parte e nunca no todo?

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DEMOcrata, um partido dos infernos.

Publicado por alexproenca em Setembro 27, 2007

Democrata

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Analisando o PT de Sorocaba.

Publicado por alexproenca em Setembro 26, 2007

  Alexandre

alex.proenca@ibest.com.br

Até o chegar o dia 4 de outubro, muitas dúvidas ficaram no ar. Estou falando do troca-troca de partidos, que os possíveis candidatos poderão fazer. É que de acordo com a legislação eleitoral, só é possível se inscrever em um partido para concorrer a um cargo eletivo, até um ano antes da eleição.

Mas pelas mudanças que estão ocorrendo já se torna possível fazer algumas análises, principalmente em relação ao PT de Sorocaba. Nos últimos anos o partido perdeu duas figuras importantes: o vereador Raul Marcelo e o ex-vereador e candidato a prefeito Gabriel Bitencourt, e ambos devem sair candidatos, respectivamente pelo PSOL e pelo PC do B. O que em tese, deverá dividir os votos de esquerda em Sorocaba.

Entre os anos de 1998 até 2005 o PT de Sorocaba, praticamente tinha em suas fileiras todas as forças de esquerda local, desde setores reformistas até aos setores mais esquerdistas. Em debates passados, eu já havia opinado que qualquer crescimento de outros partidos de esquerda se daria pela saída do PT, e de fato foi isto o que ocorreu. Porém a viabilidade eleitoral destes companheiros será colocada a prova nas eleições de 2008.

Esta crise partidária já estava sendo gestada há muito tempo, pois as aspirações políticas de cada grupo estavam chegando ao seu limite máximo, e na prática estavam asfixiando o partido. Os debates ficavam intermináveis, mas sem a contrapartida de um efetivo trabalho político.

Também é preciso relatar, que a pressão da mídia fascista e golpista teve eco dentro do PT local, fazendo que os grupos ligados ao Raul Marcelo, Iara Bernardi e Gabriel fossem os mais críticos em relação ao Governo Federal e ao PT nacional. Sendo esta crítica muito agressiva e essencialmente desconectada da realidade em que vive a grande maioria dos trabalhadores. Esta foi à causa do fracasso eleitoral, da Iara e do Gabriel. Também é importante dizer que estes dois grupos perderam muitos filiados, e como mostrou a eleição para o 3° Congresso do PT, eles se tornaram irrelevantes na disputa política interna.

Por outro lado, o Campo Majoritário, articulado em torno do Dep. Hamilton Pereira, cresceu e se fortaleceu, tendo hoje maioria absoluta no partido. Também é o setor que apresenta propostas concretas de construção partidária, como o da construção dos núcleos do PT, e de novas filiações.

Mas por outro lado a PT peca na construção de sua política municipal, pois muitas vezes é incapaz de compreender o caráter de classe da luta política, procurando muitas vezes a conciliação e a composição, quando isto não é possível e muito menos desejável. Cito como exemplo as composições para a eleição da mesa da Câmara Municipal de Sorocaba, onde durante anos o partido compôs com setores conservadores. Esta política só desgastou o PT.

Quando eu estava na executiva do PT de Sorocaba, sempre me opus a este caminho, mas na maioria das vezes, meu voto era o único, sendo derrotado nas votações. Mas a vida teima em seguir adiante, a realidade se sobrepõe, e eu estava certo.

Outro fator que prejudica gravemente o PT é o pragmatismo e a política corporativa em torno dos mandatos. Alias as duas são a mesma coisa. O Diretório do Partido perdeu a força, o que vale, são os interesses eleitorais de cada mandato. Se fortalecer o mandato tudo bem, mesmo que prejudique a luta do partido ou dos trabalhadores. As atividades dos parlamentares, não são em sua totalidade discutidas no Diretório, servindo este apenas como órgão de informação, e não de decisão.

De minha parte, continuo acreditando na utopia socialista, e na conquista do poder, pelos trabalhadores.

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A civilização fenícia

Publicado por alexproenca em Setembro 26, 2007

 5 – A civilização fenícia

As descobertas de Ugarit e as escavações de Gebal mos­tram que os Fenícios criaram uma civilização original em todos os domínios: religião, escrita, letras, etc.

A religião fenícia, como todas as do Oriente antigo, caracteriza-se pela coexistência do culto oficial e do culto popular, agrícola. Cada Estado tinha os seus deuses ofi­ciais; Baal e Baalat, senhor e dama da cidade ou do reino. Em Gebal era Adónis e Astarté; em Ugarit era Aleyin e Anet; em Tiro era Melkarth (ignora-se o nome da sua “dama»). Também havia outros «grandes» deuses.

A religião do Estado ea do povo coincidiam num ponto: o culto dos deuses da vegetação e da fecundidade. O Baal e a Baalat, de cada reino, eram venerados não apenas como proiectores do país, mas também como deuses da fecundi­dade e das plantas. Atribuíam-se essas funções a Adónis do mesmo modo que a Aleyin, Melkarth, Astarté e Anet.

A festa principal do culto oficial celebrava, em toda a par­te, o início dos trabalhos agrícolas e ligava-se ao mito da ressurreição ou do aparecimento do deus das plantas e da fecundidade.

Na religião do povo, o primeiro lugar cabia aos cultos agrícolas, consagrados aos “deuses generosos» da chuva, da fertilidade do solo, das lavras e sementeiras, das colhei­tas, do trigo e do vinho. Segundo a mitologia popular, essas divindades “nasciam” ou surgiam durante a estação dos trabalhos campestres; o mesmo sucedia ao «filho do mar» Aleyin, distribuidor das chuvas, que aparecia durante as sementeiras e triunfava sobre o deus da secura, Môt.

A lavra as sementeiras e a apanha dos frutos eram acom­panhadas de ritos mágicos que «garantiam» o seu sucesso. Todos esses ritos executavam-se colectivamentc nas comu­nidades.

A literatura fenícia tratava preferentemente de assuntos religiosos e mitológicos. Os textos descobertos em Ugarit descrevem a morte de Aleyin, a sua descida ao reino sub­terrâneo de Môt, a sua ressurreição e o seu regresso àterra, a sua vinda, e a construção de um templo em sua honra. Além dos poemas mitológicos, havia a literatura histórica.

As escavações de Ugarit revelaram-nos a epo­peia de Keret, rei lendário de Sidon. Também existem frag­mentos de anais de Tiro, que relatavam, sem dúvida, a his­tória da cidade desde a longínqua Antiguidade até ao 1 milénio, e a inscrição de um rei de Sídon, que viveu no século V antes da nossa era. Um dos maiores suces­sos da civilização fenícia foi a criação da escrita alfabética.

O desenvolvimento da navegação e do comércio necessita­vam de uma escrita adequada, mais simples do que a escrita cuneiforme e os hieróglifos. No II milénio antes da nossa era, a escrita alfabética parece ter sido formada paralelamente em outras cidades: no Norte, Ugarit, ela baseava-se na escrita cuneiforme, enquanto que no Sul ha­via-se tomado por modelo os hieróglifos egípcios, figurando os sons.

Os caracteres fenícios serviram, por sua vez, de fonte à constituição dos alfabetos grego, arameu, latino e russo. Não é sem razão que a própria palavra alfabeto deriva do nome das duas primeiras letras fenícias: o aleph (touro) e o beth (casa), ficando a ser mais tarde o alfa e o beta dos Gregos.

O defeito do alfabeto fenício era a ausência de sinais para representar as vogais, princípio esse conservado, nos nossos dias, na escrita hebraica e árabe.

Em Gebal e em Ugarit encontraram-se numerosos espe­cimenes de arte fenícia, estátuas e estatuetas de divindades, estelas esculpidas em baixo-relevo, objectos de ouro, de prata, de bronze e de madeira, e vasos com decoração a vermelho. Essas obras datam de diferentes épocas, desde o III até ao 1 milénio antes da nossa era. Em Sídon, nas colónias fenícias de Chipre, e em outros locais, descobriu-se uma quantidade de objectos datando do 1 milénio.

Os artistas tinham criado um estilo original, fenício ou sírio, inspirando-se em tradições egípcias e hetho-khur­ritas. As obras-primas da arte fenícia são o baixo-relevo do sarcófago de Ahiram, rei de Gebal (séculos XII-XIII), as estelas de Ugarit com a imagem de Aleyin, pesos de bronze em forma de touro e pratos de prata onde estão finamente cinzelados motivos do mito de Adónis.

A arte fenícia exerceu grande influência na arte dos outros povos da Síria e da Palestina, sobretudo na arte hebraica.

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Navegação e colónias fenícias

Publicado por alexproenca em Setembro 26, 2007

 4 - Navegação e colónias

Os Fenícios passavam por ser os melhores marinheiros da Antiguidade. A navegação desenvolveu-se graças à si­tuação marítima de todos esses remos, cujos habitantes costeiros viviam da pesca e partiam, frequentemente, para o mar em frágeis embarcações a remos. Desde o III milé­nio, ~s Fenicios navegavam até ao Egipto e mesmo até ao Mar Egeu. No II milénio, atingiram, a oeste, as margens da Numídja e da Ibéria (Espanha).

 Os marinheiros de Tiro foram os primeiros a atingir o Estreito de Gibraltar, e, à vista do mar sem limites que se estendia para além, julgavam-se no fim do mundo. Aos dois enormes rochedos que se levantam, face a face, na costa europeia e em Ceuta, deram o nome de colunas de Melkarth, crendo que o deus os havia lá colocado com a sua própria mão, para marcar os confins da terra.

Mais tarde, após haverem constatado que o mundo não acabava aí, ultrapassaram Gibraltar várias vezes. Mas esta ideia, ligada ao estreito, sobreviveu e foi retomada pelos Gregos e pelos Romanos, que lhe cha­maram as colunas de Hércules.

No 1 milénio antes da nossa era, os Fenícios saem do Mediterrâneo: no século VI o navegador cartaginês Hannon contornou as costas ocidentais de Africa até aos actuais Camarões, descrevendo a sua viagem num texto que nos chegou traduzido em grego.

Durante as suas expedições marítimas, os Fenicios fun­davam colónias e estabeleciam relações comerciais com os habitantes das ilhas e do litoral mediterrânicos. Mas pensa­ria mal quem julgasse que esses mercadores eram sempre pacíficos: quando podiam lançavam-se ousadamente na pi­lhagem das tribos que povoavam as costas de Africa, de Espanha e da Asia Menor.

O comércio efectuava-se por troca. Nos locais onde se podiam receber constantemente mercadorias preciosas e instalar cómodos portos de escala, os Fenícios oiganizavam colónias, muitas das quais vieram a constituir depois grandes cidades. Houve-as em Chipre, nas ilhas do Mar Egeu, no Helesponto e noutros sítios.

E cerca de 800 anos antes da nossa era que se funda a mais importante dessas colóhias: Cartago (Karth-hadtha, “Cidade Nova”), perto da Tunis actual. Cedo se torna na maior potência zomercial a oeste do Mediterrâneo.

A navegação teve como resultado o desenvolver-se larga­mente a construção naval em Tiro, em Sídon e em Gebal. Os Tírios construíram uma esquadra completa para o Rei da Assíria Sennachérib. Forneciam navios aos reis da Pér­sia, os quais chegavam, por vezes, a mobilizar toda a frota das cidades fenícias para as suas guerras.

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O regime económico, social e político dos reinos fenícios

Publicado por alexproenca em Setembro 25, 2007

 3 – O regime económico, social e político dos reinos fenícios

Os documentos encontrados, aquando das escavações de Ugarit, caracterizam certos aspectos do regime econó­mico e social deste Estado. A maioria da população culti­vava os cereais e a vinha no fértil solo do vale de Oronte, para além do qual, no deserto, passava a fronteira do reino. A terra dava boas colheitas; os excedentes eram vendidos aos mercadores estrangeiros de Ugarit. Os agricultores viviam em regime comunitário.

As comunidades de vizi­nhança provinham de comunidades de clã, e algumas haviam mesmo conservado os seus antigos nomes. Paga­vam rendas ao rei e forneciam-lhe mão-de-obra para os seus trabalhos. Cada uma devia executar, anualmente, desde 13 dias até 2 meses de trabalhos braçais e equipar archei­ros para o exército. Na região costeira mantêm-se comuni­dades de pescadores, onde se recrutavam, sem dúvida, as equipagens para a frota real.

A população de Ugarit compunha-se de artesãos, merca­dores, sacerdotes e dignitários. Todos, excepto os artesãos, tinham escravos. Alguns possuíam vinhedos de dimensões muito modestas. A escravatura tinha um carácter domés­tico. Nos inventários dos testamentos ou dos actos de venda, os escravos são mencionados ao lado do gado e das matérias preciosas, como o bronze e a prata. Os escravos eram pouco numerosos: o dono que perdia dois ou três escravos arriscava-se seriamente a ficar na pobreza, por­ventura a arruinar-se.

Os domínios reais eram melhor ser­vidos: os palácios formigavam de serventuários e outros escravos era comprada no mercado. A escravatura desen­narca, ou remavam nos seus barcos. A maior parte dos escravos eram comprada no mercado. A escravatura desen­volveu-se sobretudo em Tiro, no 1 milénio. Os reis de Tiro tinham uma poderosa marinha de comércio e de guerra, e os seus mercadores dedicavam-se ao tráfico de escravos, trazidos de países onde existiam colónias tírjas.

Desde a primeira metade do II milénio, uma numerosa classe de mercadores constituíra-se nos remos fenícios. Não fazia senão comércio intermediário. Entre as múltiplas mercadorias exportadas citam-se, como produtos da pró­pria Fenícia, o trigo, o vinho, a madeira do Líbano e o peixe seco; todo o resto ia para lá do estrangeiro, comprava-se ou trocava-se num país para ser revendido ou trocado nou­tro.

Os reis ficaram, até ao fim da existência dos Estados fenícios, como os principais vendedores e compradores. No II milénio, os mercadores da Fenícia eram os mais sagazes do mundo. O seu papel primordial no comércio é assinalado por Marx.

Pelo seu regime político, os remos fenícios eram peque­nos Estados despóticos. Nós ignoramos a estrutura do seu aparelho de Estado, mas conhecemos bem a ideologia do poder real. Os soberanos da Fenícia atribuíam-se uma natu­reza divina. Os dc Sídon, por exemplo, faziam remontar a sua linhagem aos deuses (Keret, o rei lendário, passava por ser uma divindade); o fundador de Gebal dizia-se ser ele próprio o deus El; o deus principal de Tiro chamava-se MeLkarth (“rei da cidade” em fenício). A organização do culto oficial correspondia a esta ideologia teocrática: os reis de Gebal, Ugarit, Tiro e Sídon etam, ao mesmo tem­po, os sacerdotes dos deuses supremos da sua cidade e pre­sidiam pessoalmente às grandes cerimónias rituais. Mas nao eram déspotas tão absolutos como os monarcas da Babilónia e do Egipto.

A desigualdade social, que cedo se afirmou nos remos mercantis e esclavagistas ricos, e o desenvolvimento da escravatura provocaram dissensões e conjuras constantes, assim como revoluções dinásticas. Semelhantes desordens tiveram lugar cm Tiro no fim do século IX, quando se for­jou uma conjura contra o rei, urdida pela sua irma.

Não temos elementos sobre o movimento dos escravos, além da narração bastante vaga de uma insurreição que teria tido lugar em Tiro no século V antes da nossa era, quando essa cidade fazia parte da Pérsia.

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