
Alexandre
alex.proenca@ibest.com.br
Para analisar determinado tema, compreender sua importância, significado, implicações, nós utilizamos de ferramentas, que possibilitam esta análise. Para ela damos o nome de ideologia. Essa ideologia pode ser de direita, esquerda, liberal, religiosa, não religiosa, autoritária. Se enquadrando de acordo com a visão de mundo que cada um de nós tem.
Eu me defino como uma pessoa de esquerda, socialista, comunista, e utilizo da ideologia marxista, em especial do materialismo dialético e do materialismo histórico. Mas que coisa é esta?
Em linhas gerais, de maneira muito resumida, podemos dizer que é a forma de analisar o mundo, a partir das relações econômicas e sociais existentes. E também a forma de ver tudo isso em movimento, em constante transformação.
A partir da análise desenvolvida por Marx e Engels, sobre o desenvolvimento da sociedade capitalista, com a desagregação do sistema feudal e deste a partir da desagregação do sistema escravista. Eles compreenderam que não existe nada estático, que tudo esta em constante transformação. Que o capitalismo nasceu a partir de sociedades anteriores, com a acumulação primitiva do capital: do roubo, do saque, da escravidão, da destruição de povos inteiros, para o benefício de algumas empresas e pessoas.
Analisando o desenvolvimento do capitalismo, compreenderam que a riqueza só é gerada a partir do trabalho humano, no que eles chamaram de “mais valia” (parte não paga, do trabalho realizado pelo trabalhador), e que essa “mais valia” esta dividida em absoluta e relativa. Absoluta é quando o capitalista aumenta o número de horas trabalhadas, e relativas é quando essa exploração se dá com o aumento da produtividade do trabalho (novas máquinas, nova organização do trabalho, informatização e etc.).
E esta luta pela riqueza gerada, divide a sociedade em classes. Que lutam de maneira cada vez mais acirrada pelo seu controle.
Num primeiro momento, os trabalhadores se organizaram para exigir a redução do número de horas trabalhadas, melhores condições de trabalho, fim do trabalho infantil. Fizeram isso através dos sindicatos. Conseguiram avanços, mas pequenos e relativos.
Num segundo momento, perceberam que a luta econômica não era suficiente, pois o poder político estava, mas mãos dos capitalistas. E eram estes que dominavam o parlamento e o executivo, fazendo as leis que lhes interessavam. Assim os trabalhadores mais conscientes passaram a organizar partidos de trabalhadores, que receberam o nome de socialistas, sociais democratas ou trabalhistas. Eles cumpriram seu papel, ajudando a aprovar leis de interesses dos trabalhadores, que possibilitaram conquistas sociais importantes. Mas esses partidos não foram capazes de superar a exploração dos trabalhadores, pelos capitalistas. Pois eles partiam do pressuposto que bastavam aprovar leis, de “conscientizar” a burguesia a diminuir sua ação predatória, ou mesmo partiam da filantropia ou assistencialismo.
Um grupo de trabalhadores e pensadores revolucionário procurava dar forma a essa nova luta, em buscar uma forma de compreender essa situação. E foram capazes de realizar esta tarefa graças ao trabalho de duas pessoas: Marx e Engels. Diferente dos pensadores anteriores, eles compreenderam que não é possível reformar o sistema capitalista, pois mesmo que reformas sejam possíveis, elas não iram superar a essência do sistema, ou seja, o capitalismo só existe, mediante a exploração do trabalhador, ou melhor, dos milhões de trabalhadores.
Também entenderam que a economia é a chave para compreender as relações sociais. Analisando o desenvolvimento do capitalismo, compreenderam que cada fase de crescimento é seguida de uma fase de crise econômica. A isso, deram o nome de crise cíclica do capitalismo. Sendo que cada uma, é mais devastadora que a anterior. A essência desta crise é a baixa lucratividade resultante da adoção de novas tecnologias, que obriga o capitalista a conquistar mais mercados, senão quiser ir a falência. E para isso vale tudo, roubos, assassinatos, corrupção, destruir um povo, um pais, e se preciso o mundo inteiro. Pois a máquina que move a acumulação do capital, não pode parar nunca. Essa foi à causa da Primeira e da Segunda Guerra Mundiais, a luta das empresas capitalistas por mercados, matéria prima, por terra.
Esta destruição e matança, causada pela Segunda Guerra Mundial, causou indignação e revolta nas populações, e os partidos de orientações socialistas e comunistas conseguiram avanços importantes, garantindo direitos sociais e trabalhistas de grande envergadura. Reduzindo a exploração dos trabalhadores, ao menos nos países mais desenvolvidos.
Mas como foi dito anteriormente, a máquina da acumulação de capital, não para nunca. Com o tempo os capitalistas, sentindo que sua lucratividade estava diminuída, começaram a se mexer, criando as bases do que chamamos hoje de neoliberalismo. Isto é, diminuição do poder do estado, com a entrega do patrimônio público as empresas privadas. Através de privatizações, com preços abaixo dos valores reais, e com subsídios do estado. Também avançou na destruição da legislação trabalhista, causando um desemprego maciço, como forma de pressionar os trabalhadores a não lutarem.
Esse foi e é o programa do PSDB e PFL. Esta foi a essência do governo FHC, e é a essência dos governos estaduais desses partidos. Representam a alta burguesia brasileira, em aliança com a burguesia mundial.
Como reação a esse programa, temos a consolidação do PT e demais partidos de esquerda, que buscam alternativas a este modelo. Em 2002, com a vitoria de Lula, esses partidos chegam ao poder central do Brasil. Mas enfrentam seria oposição nos governos estaduais, no legislativo e no judiciário. Sem contar na oposição desempenhada pela imprensa, que em sua maioria ataca, e tenta desmoralizar o PT e o Presidente Lula. Par tentar dar um golpe de estado.
Esta tentativa de golpe de estado fracassou, em grande parte, devido ao apoio que Governo Lula tem na maioria da população. Também pela força do movimento sindical e popular. E em especial a força do PT, que não se deixou destruir.
As eleições de 2006 consolidaram e proporcionaram um avanço desse pólo progressista, possibilitando a adoção de novas políticas sociais e econômicas.
E aqui entra o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), que recoloca no centro do jogo, a presença do estado na economia, a recusa da política de privatizações e da destruição dos direitos trabalhistas e sociais. Bem como o aprofundamento dos programas de inclusão digital, para a quebra do monopólio de informações. Não é toa, que a imprensa conservadora e golpista esta criticando o plano econômico.
Todos os países que hoje tem índices de crescimentos econômicos maiores que o Brasil, ou não entraram no projeto neoliberal, ou saíram dele bem cedo.
A existência de um plano de metas coloca na ordem do dia a planificação da economia, coisa que nossos neoliberais não podem tolerar.
Como foi dito bem no inicio, tudo isso, é uma luta pela distribuição da riqueza gerada pelas mãos dos trabalhadores. Isto é luta de classes.
Qual é o seu lado?